Vigil, o jogo de aventura da aventureira Leila [Prévia]

Leila de Vigil

*Jogo analisado a partir de cópia disponibilizada para PC pela desenvolvedora

Eu nunca joguei um souls-like. Sempre me considerei um jogador ruim, então nunca me dispus a começar um jogo que ia me matar, e me matar, e me matar mais um pouco até eu largar o controle e ir jogar Stardew Valley.

Quando soube de Vigil: The Longest Night pela primeira vez, achei sua proposta muito interessante: um jogo de aventura que mistura “prosa de Lovecraft e a cultura taiwanesa”. O melhor de tudo é que sua protagonista se chamava Leila, e jamais que eu ia deixar passar o jogo de aventura da aventureira Leila.

Fiquei tão empolgado com a aventureira Leila que deixei passar um pequeno detalhe. A recomendação do jogo veio junto de um trecho elogiando sua arte 2D horripilante e linda, vinda do criador de Salt & Sanctuary, pioneiro no souls-like 2D.

Foi só ao começar Vigil e ver a barra de vida e de stamina na esquerda, a disponibilidade de um botão de esquiva e os inimigos mais lentos que o normal que percebi onde havia me metido. Não tinha escapatória, havia chegado a hora de enfrentar esse fantasma na minha vida. Era hora de abraçar o capeta – ou Cthulhu, ou seja lá o que o jogo fosse colocar na minha frente.

Como todo souls-like, saber quando atacar, quando se esquivar e quando tomar uma distância para recuperar a stamina – que paralisa a protagonista temporariamente se consumida por completo duas vezes – é essencial. Não foi difícil me adaptar à janela de ação de Vigil, principalmente depois de liberar o par de adagas, com menos dano que a equilibrada espada porém mais ágeis que ela ou que o machado de duas mãos. O arco é mais para enfeite.

Vídeo de demonstração do combate em Vigil. Essa foi a quinta tentativa de matar o chefe sem morrer antes.

Além disso, as armas e a protagonista possuem cada um uma árvore de habilidades. Os pontos são obtidos ao passar de nível e podem ser gastos nas árvores para melhorar o dano, diminuir a stamina gasta e para liberar novos combos e habilidades. Essa é uma adição muito bem-vinda à fórmula, porque aumenta as possibilidades de ataque e o dinamismo do jogo como um todo conforme a curva de dificuldade aumenta.

Lá fui eu então explorar o reino com as minhas adagas. Como dito pelo criador de Salt & Sanctuary, Vigil tem um visual muito bonito, com uma ambientação ótima e um estilo bem de horror oriental nos inimigos, apesar de ser estranho o lado humano do jogo ser totalmente medieval. Não existe nada particularmente impressionante ou específico ao título, mas é uma mistura de estilos muito bem feita.

Essa mistura de estilo também se estende para a jogabilidade. Conforme fui navegando pelos mapas, ficou claro que o jogo bebe até mais da fonte de Castlevania do que da de Dark Souls. Os itens escondidos, o sobe e desce de plataforma e o backtrack para acessar áreas antes bloqueadas estão todos presentes, só é uma pena que os controles na parte plataformer sejam um pouco imprecisos. Relevei a impossibilidade de mover a câmera ou ter que apertar para cima para pegar itens no chão, mas tenho uma dificuldade constante em acessar plataformas altas que eu claramente deveria conseguir agarrar a borda.

O que mais me incomodou, no entanto, foi a ambientação do enredo. Descobri no início do jogo que a aventureira Leila é membro da Vigília, uma organização que todos os personagens sabem exatamente do que se trata, mas não se dão ao trabalho de explicar direito.

Aventureira Leila, aventuras, monstros, horror e monstros!

Do mesmo jeito é levada a história da cidade e sua relação com a religião, ou então do Shimmerless Day, que precisei até coletar alguns itens para seu sobrinho neto Luís Cláudio, ou melhor, para sua irmã Daisy, sem saber o propósito deles ou do evento. E apesar do horror cósmico estar presente na trama, ainda que sem relação ao universo de Lovecraft em si, os elementos de cultura taiwanesa citados não me foram apresentados com clareza, considerando que não é uma cultura reconhecível no ocidente.

Ainda assim, a maleabilidade da aventureira Leila com suas diferentes armas e skills próprias, unida à mistura de metroidvania e souls-like deu muito certo na jogabilidade. Os problemas de plataforma e de enredo incomodam sim e pesam no game, mas ele ainda merece uma oportunidade pela competência do gameplay.

Vigil: The Longest Night tem data de lançamento marcada para o dia 14 de outubro, tanto no Steam quanto no Nintendo Switch. Ele custará R$41,99 e virá com textos totalmente traduzidos para português.

About Luigi Olivieri

Gamer até no RG. Já escrevi pra Editora Europa, já traduzi pra Riot Games e já ataquei de publicitário. Em algum momento desandei e fui trabalhar com análise de dados, mas ainda coloco minhas ideias no papel para o PlayerTwo.

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