A crise de identidade da Brasil Game Show

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Em 2012 a Brasil Game Show pisou pela primeira vez em São Paulo, se instalando inicialmente em um único pavilhão do Expo Center Norte. Não era um espaço enorme, mas ela já vinha com o apoio das principais empresas do mercado – Sony, Microsoft, Nintendo, Activision e Ubisoft -, e superava tranquilamente o pequeno espaço onde a concorrente Game World acontecia. Segunda-feira aconteceu o encerramento da quarta edição paulista do evento, e uma pergunta ainda persiste após tantos anos: o que é a BGS?

Com seus 250 mil visitantes no ano passado, ela é definitivamente o maior evento de games da América Latina. Estandes gigantescos da Sony, Microsoft, EA/Warner e Ubisoft disponibilizam jogos recém-lançados para demonstração; NVidia, DXRacer, Corsair e HyperX mostram seus principais periféricos e hardwares; Youtube e Azubu fazem a ponte entre os famosos da internet e os fãs; um campeonato de Dota 2 acontece de um lado, enquanto independentes brazucas apresentam suas novidades do outro. A BGS oferece entretenimento para Gregos e Troianos, ou casuais e hardcores, e é nessa tentativa de abraçar todo público brasileiro que está o grande pecado e a principal vantagem do evento.

Quem pôde entrar na quinta-feira, o dia exclusivo para imprensa e VIPs, pegou filas consideravelmente pequenas para testar as (poucas) novidades, o que acabou resultando numa sensação de vazio num espaço tão grande. Halo 5, Rise of the Tomb Raider e Dark Souls 3 eram alguns dos poucos exclusivos do evento, com o resto do seu catálogo praticamente todo já nas lojas ou com versões parciais ou completas para download.

Para os profissionais poderia haver um certo desconforto ao ver tantos jogos recém-lançados no pavilhão, mas eles são de suma importância para o público geral, que não pode comprar todos assim que saem nas lojas. O problema é quando os dias abertos ao público ficam tão cheios que lembram parques de diversão num feriado, a ponto de muita gente nem tentar testar alguns títulos. Os já citados podiam custar até duas horas de fila, mas elas se estendiam pelo evento todo, até para jogar League of Legends ou FIFA. Era impossível entrar no estande superlotado de Xbox, e o da Sony tinha um raio três metros maior do que seu limite com pessoas esperando por algum game.

Na contra-mão, a área indie parecia estar sempre disponível para os visitantes. Existia espera, mas como a grande maioria era de jogos e desenvolvedores pouco conhecidos, ela era preenchida por uma apresentação dos criadores ou uma explicação das mecânicas e história das crias. Uma pena que eles foram alocados nos fundos do evento, então a visibilidade era bem baixa.

Ainda que todos os principais estandes estivessem lotados, os corredores principais se mantiveram livres para a circulação por grande parte da feira, já que youtubers e campeonatos conseguiram um pavilhão exclusivo. Enxames de fãs atrás de um grande ídolo da internet eram recorrentes, mas aconteciam separados da região dos games, o que ajudou muito a manter uma certa ordem.

Definitivamente a BGS 2015 foi a edição mais organizada até então, mas continua apresentando alguns problemas de foco. Depois de dois anos dando o maior destaque à presença de youtubers para atrair público, os games voltam a ser protagonistas na feira, que agora enfrenta um grande dilema de não ser nem voltada totalmente ao público e nem para a mídia. Poucos jogos exclusivos dividem lugar com uma maioria de já disponíveis para venda, sendo que ambos sofrem com filas e mais filas para poder testar um pouco. Fica a lição de casa para a próxima edição, que já está marcada para ter início no primeiro dia de setembro de 2016.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.