A Era dos JRPGs está de volta!

Aqueles que já jogavam videogames na segunda metade dos anos 90 com certeza lembram que todo mês as revistas de videogames continham várias matérias e reviews de JRPGs. Além dos JRPGs clássicos de turno que conseguiam ser únicos em sua jogabilidade, como Grandia, Legend of Legaia e Legend of Dragoon, as desenvolvedoras e publishers não tinham medo de arriscar. Graças a esse espirito ousado deles tivemos vários jogos híbridos de excelente qualidade como Valkyrie Profile, Parasite Eve, Vagrant Story, entre outros. Sem dúvidas o fim dos anos 90 foi uma era dourada dos JRPGs!

Na sexta geração de consoles o gênero ainda parecia promissor com Grandia 2 e Skies of Arcadia para Dreamcast e vários outros títulos maiores para PS2 como as séries Xenosaga, Grandia, além dos gigantes Final Fantasy X e Kingdom Hearts. No entanto, aos poucos, a audácia dos desenvolvedores foi deixada de lado e a qualidade dos RPGs foi decaindo aos poucos. Embora alguns bons RPGs tenham sido lançado naquela geração, o gênero foi ficando cada vez mais obscuro.

No começo da sétima geração, com o intuito de conquistar o mercado (em especial o mercado Japonês) a Microsoft bancou vários JRPGs exclusivos para Xbox 360 como Lost Odyssey, Blue Dragon, Infinite Undiscovery e outros. Mas as baixas vendas do aparelho no mercado japonês fizeram a Microsoft parar de dar suporte ao gênero em seu console. No entanto, o fator principal para que os JRPGs caíssem no esquecimento foi a explosão dos jogos de ação em primeira e terceira pessoa com multiplayer online, fazendo com o que o gênero que tanto amamos sumissem dos consoles caseiros, sendo lançados em sua maioria para videogames portáteis.

Durante esse tempo algumas franquias, mesmo que pequenas, conseguiram algum destaque, como a série Atelier. Alguns títulos foram anunciados para consoles, para serem adiados ou cancelados depois de um tempo. Até mesmo a gigante Square Enix teve problemas adiando Final Fantasy Versus XIII várias vezes até trocar a direção e ser transformado em Final Fantasy XV em 2012.

O futuro parecia obscuro para o gênero quando, na E3 de 2015, especificamente na conferência da Sony, uma fagulha de esperança se acendeu para os jogadores de JRPGs quando Adam Boyes anunciou o remake tão esperado de Final Fantasy VII. Mesmo sem data de lançamento divulgada o anúncio causou estardalhaço pelo mundo dos games fazendo que que publishers voltassem a olhar para o gênero com mais atenção e carinho.

A Koei Tecmo, publisher das séries Atelier e Nights of Azure, ambos desenvolvidos pela Gust, resolveu expandir seus negócios lançando ambas as séries também na Steam. A Bandai Namco, que também foi uma das pouca empresas que nunca parou de produzir RPGs, também expandiu os títulos da série Tales of para Steam. Persona 5, que já havia sido adiado anteriormente, foi lançado no Japão fazendo sucesso considerável, recebendo notas altas tanto da crítica especializada quanto dos jogadores. A Atlus, em uma jogada de mestre, adiou o lançamento de Persona 5 no ocidente para não ter que competir com o Behemoth chamado Final Fantasy XV, que finalmente foi lançado no dia 29 de Novembro e, mesmo recebendo várias críticas pelos furos no enredo e outros detalhes, chacoalhou o mundo dos RPGs.

2017 mal começou e os fãs do gênero tem motivos de sobra pra comemorar. Persona 5 foi lançado no ocidente e está sendo aclamado como um dos maiores RPGs de todos os tempos! NieR: Automata, um híbrido de JRPG e Ação desenvolvido pela Platinum Games foi lançado em Fevereiro vem sendo bem aceito no mundo inteiro. Em Julho teremos Final Fantasy XII: The Zodiac Age que, apesar de ser um remaster, possui novidades em relação ao original.

Ainda nesse ano teremos Dragon Quest XI da Square Enix e Ni no Kuni 2 desenvolvido pela Level 5, ambos muito aguardados. A Gust já está trabalhando em Nights of Azure 2 enquanto boatos rolam de que um novo Jogo da série Tales será anunciado em Junho deste ano no evento Tales of Festival, além de boatos de que as datas de lançamento de Kingdom Hearts 3 (que fora anunciado na E3 de 2013) e da primeira parte de Final Fantasy VII Remake serão anunciados na E3 2017 em Junho.

Agora, mais do que nunca, o futuro deste gênero maravilhoso que são os JRPGs parece promissor e eu me arrisco à dizer que estamos na alvorada de uma nova era dourada!

About Iori Oda

Iori Oda adora jogar videogames e viver a vida...Jogando videogames.

  • Guilherme Carrion

    Todo o auge pressupõe um declínio e acho que foi isso que aconteceu com os alguns dos rpg’s feitos no Japão e isso acabou dando espaço (e deixando o jogador pegar um ar) para outros estilos aparecerem e alimentar os criadores com novas ideias. Quando penso no porque dessa queda me vem inúmeras coisas na cabeça como: A quase extinção de jogos de médio porte, o preço obrigatório dos jogos, saturação, mesmice (talvez pelo medo do declínio) descaracterização de franquias ou até mesmo o apego exagerado a elas.
    Falar sobre a queda de qualidade é relativo, mas mesmo gostando de jogar sinto que já vi aquela historia em vários outros lugares e melhor usadas sem nenhuma novidade e com essa leva de jogos feitos no Japão e diferentes uns dos outros me da um animo para ver aquela loucura que só eles conseguem criar estando novamente em jogos que todos (ou a maioria) consigam gostar. Isso foi o que pensei enquanto refletia sobre o texto, espero não ter ficado confuso.