A estratégia da Nintendo nos portáteis é a mesma – e dá certo – desde 1989

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Uma breve viagem no tempo para revisitar a história dos videogames portáteis é suficiente para notar que a Nintendo, por mais que tenha enfrentado épocas diferentes e concorrentes dos mais variados, nunca alterou a essência de sua estratégia e por isso se mantém intocada como a grande paladina dos portáteis desde a Guerra Fria.

Quando o primeiro Game Boy foi lançado, o Muro de Berlim ainda estava firme e forte separando o mundo e a Alemanha em duas metades. Pode parecer uma realidade muito distante, mas por incrível que pareça a abordagem da Nintendo no mercado de portáteis permaneceu a mesma desde abril de 1989, quando lançou o Game Boy original.

Antes desse pequeno notável, os portáteis ainda caminhavam por um terreno nebuloso e incerto, com incursões sem muito sucesso. Lançada em 1977, a série LED da Mattel foi pioneira, com alguns joguinhos simples de esportes como futebol americano, baseball e basquete, além de alguns títulos de tiro. O primeiro portátil que aceitava cartuchos diferentes foi o Microvision, de 1978. Em 1980, a própria Nintendo arriscou com o aparelho de duas telas intitulado Game & Watch.

O sucesso dessas experiências foi bastante modesto e a tecnologia para jogos do tipo ainda engatinhava, mas no final da década seguinte, o Game Boy emplacou como uma grande febre e trouxe para a superfície outros portáteis de empresas que se espelharam nele para tentar a sorte.

Lançado apenas alguns meses depois do Game Boy, o Atari Lynx se mostrou um concorrente de peso a princípio por demonstrar gráficos que chegavam por vezes a rivalizar com os consoles da época, mas o preço alto e o tamanho maiúsculo do aparelho foram os pontos decisivos para seu fracasso.

No ano seguinte, o Turbo Express, da gigante dos computadores NEC, e o Game Gear, da rival japonesa Sega, chegaram ao mercado para acirrar a disputa no segmento. Apesar de ser o único dos quatro videogames com tela monocromática, o Game Boy não precisou de cores para apresentar ao mundo jogos como Zelda: Link’s Awakening, Pokémon Blue/Red/Green/Yellow, Super Mario Land e Kirby’s Dream Land, além de jogos third party de altíssima qualidade para a época.

Gráficos inferiores e um preço mais modesto, mas exclusivos que arrasam a concorrência e apoio massivo de outras desenvolvedoras. Essa foi a receita básica para a Nintendo dominar o mercado de portáteis durante os últimos 26 anos. Com a chegada do Game Boy Advance, a Big N teve de lidar com a então gigante dos celulares Nokia, que lançou o N-Gage, uma mistura de smartphone com portátil que tinha mais potência e era mais caro que o GBA. O resultado foi o mesmo.

Alguns anos mais tarde, com o lançamento do Nintendo DS, era a vez de a Sony fazer frente e tentar derrubar o reinado da empresa de Kyoto. No entanto, o desempenho sofrível do PSP se deu pelos exatos mesmos motivos que os concorrentes anteriores: escassez de jogos exclusivos, pouco apoio das thirds, investimento em um hardware mais potente que acabou não dando resultado nas vendas. Mais recentemente, o segundo round dessa briga confirmou as expectativas e o 3DS vem massacrando o PS Vita, mesmo com um desempenho gráfico muito inferior. Explicamos melhor essa disputa nesse texto há alguns meses.

Geração após geração, os adversários da Nintendo que se aventuram pelo terreno dos portáteis tentam vencê-la com um hardware mais potente, o que costuma acarretar em preço mais elevado. Brigar com os exclusivos da Big N nesse cenário é complicado, e ela já sai em vantagem com suas franquias clássicas – o que não acontece nos consoles de mesa.

Será que algum dia a Nintendo será derrotada nos portáteis?