A ganância da Activision

Quase toda empresa de videogames tem um objetivo em comum: conseguir vender o máximo de produtos possível, e é por isso que existem hoje em dia as promoções do Steam e um número absurdo de DLCs e Online Passes. Quem participa dessa brincadeira é a Activision, mas ela não se limita a lançar uma porrada de conteúdo extra.

Sua estratégia para franquias de sucesso se baseia em lançar jogo atrás de jogo em um ritmo frenético, sem tempo dos consumidores e seus bolsos descansarem. O resultado dessa pressa é a perda de interesse do gamer, por jogar sempre a mesma coisa ao longo de vários anos, e um eventual prejuízo para a empresa.

Podemos ver isso acontecendo com Resident Evil e Final Fantasy, que perderam praticamente toda sua identidade após tantos jogos. Mas a publisher em questão não precisa ver o que acontece com franquias de terceiros, ela já sentiu na pele algumas vezes esse impacto.

Alguém lembra dos antigos jogos do Tony Hawk? Tirando o porre que era o Pro Skater 2 de GBC, os de console eram muito divertidos. Isso até a Activision publicar seis games em seis anos – e aumentar a frequência depois de 2004 -, quando ninguém aguentava mais andar de skate nos videogames. Hoje ela não passa de uma franquia mal-gerida com jogos sem graça.

A mesma coisa aconteceu com Guitar Hero, que começou em 2005, teve seu ápice em 2007 com GHIII e logo passou a decair, e sua frequência de lançamentos também aumentou. Diferente de THPS, essa franquia não recebe um game novo há dois anos.

Por algum motivo difícil de entender, Call of Duty segue o amaldiçoado caminho dos games anuais e ainda não caiu em desgraça,  talvez por causa do revesamento entre Treyarch e Infinity Ward na produção. Mesmo assim, são oito títulos em oito anos, e a publisher já anunciou o nono para 2012.

Talvez CoD não seja a única franquia a enfrentar problemas no futuro. O recém-lançado Skylanders: Spyro’s Adventure já tem uma sequela programada, já com uma mudança em pauta.

Para quem não se recorda, Skylanders é a tentativa de ressuscitar o dragão Spyro, trazendo como diferencial uma plataforma de plástico de verdade para acionar os bonecos também reais que acompanham o jogo ou são comprados separadamente.

A tal mudança é a inclusão de bonecos maiores e provavelmente mais fortes do que os do primeiro game. E é lógico que precisa-se de Skylanders Giants, o título do novo game, para reconhecer os monstros tamanho família.

Pensando melhor, provavelmente essa série vai acabar antes de Call of Duty se forem lançar oito personagens novos por jogo, considerando que só três acompanham a caixinha, por mais de 250 reais, e os outros custam uns 70 cada.

O pior é saber que isso não vai mudar em nada o jeito de pensar da Activision, que vai continuar estragando uma franquia aqui e outra ali e ainda lucrar centenas de milhões por ano. E quem acaba pagando por essa decadência dos games somos nós.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão (@luigilol).