A magia dos jogos fan-made

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Não é de hoje que empresas da velha-guarda se aventuram na ideia de mudar completamente os estilos de seus mais famosos jogos para se adequar – ou não – as tendências atuais e aos novos jogadores em potencial. Konami, SEGA, Capcom e várias outras são exemplos de empresas que apostaram na modernidade e por muitas vezes fizeram grandes títulos praticamente perderem suas identidades. Mas o que fazer quando a nostalgia bate e se mistura com a vontade de se ter uma experiência nova? A resposta para isso pode estar nos jogos fã-made.

Esse estilo peculiar de jogos não é atual. O próprio P2 já falou sobre alguns deles, como Mega Man Vs Street Fighter – um fantástico cross-over adventure entre o robô azul e os lutadores da Capcom que consegue matar a saudade da era de ouro dos 8 bits, além de contar com jogabilidade e dificuldade impecáveis. Outro jogo que também entra na lista – apesar de tender para o lado “indie” – é Cave Story, o notório título que abraça o estilo Metroidvania e conquistou até mesmo a atenção da Nintendo.

O que ambos títulos têm em comum é o fato de que foram feitos por fãs das séries que marcaram suas vidas de alguma maneira. O mundo atual dos games parece sentir essa necessidade de nostalgia, o que explica o sucesso de grande games como Shovel Knight, Rock’n Roll Racing Remake (Motor Rock) e Road Redemption, sucessor espiritual do glorioso Road Rash que ainda não foi lançado mas que já carrega um hype imenso nas costas.

De volta ao Mega Man, que fora praticamente enterrado pela Capcom, este veio recebendo destaque nos últimos anos pela sua fã-base, uma vez que sua comunidade há tempos vem pedindo um novo jogo. Não é atoa que nos últimos 3 anos tivemos três títulos que levam o nome do robô azul, mas que foram feitos de maneira totalmente independente. São eles: Mega Man Vs Street Figher, como já citado; Mega Man Unlimited, que teve participação especial na última maratona de Speedruns realizada para arrecadação de fundos contra o câncer e por último, mas não menos importante, o novíssimo Mega Man: Revenge of the Fallen, que traz mais de 20 fases e 10 bosses para ser enfrentados. Todos os jogos seguem o estilo gráfico e sonoro da era 8 bits.

Outros nomes conhecidos também estão na mira dos fãs old-school. A série Metroid, que junto com Castlevania, consolidou o estilo de progresso não-linear também sofreu mudanças drásticas ao longo de sua história. Mudando o estilo plataforma para um completo FPS de exploração – apesar de que a maioria dos jogadores tenha gostado de tal ideia -, muitos sentem falta de um game com base nas suas raízes, algo que foi muito bem executado em Metroid: Zero Mission, remake do título original para NES que foi lançado para o GBA.

E foi pensando nisso que surgiu o Another Metroid 2 Remake, ou AM2R. Com o título auto-explicativo, o projeto visa trazer um remake completo de Metroid 2: Return of Samus, lançado originalmente para o Game Boy Classic, e promete ser para Metroid 2 o que Metroid: Zero Mission foi para Metroid. Outro ponto interessante sobre o projeto é que seu desenvolvimento não é rápido, mas vem sendo feito de maneira constante e conta com demos bastante promissoras que podem ser baixadas em seu site oficial.

Esses foram apenas uma amostra de como a uma comunidade determinada pode dar vida a títulos memoráveis que, uma vez lançados, com certeza entrarão para o hall da fama da indústria de games, mesmo que não sejam feitos por suas indústrias originais. O fator nostalgia de fato pode ser peça chave para o sucesso de um game que, quando unido a qualidade, tornam-se a receita completa para o surgimento de um clássico.

Nota do editor: O foco do artigo pôde parecer Mega Man,  já que esse tem recebido mais atenção nos últimos tempos, mas sabemos que muitos outros jogos também merecem atenção especial. Então fica a dica de pesquisa dos seguintes títulos: Mother 4, Eagleland, Mega Man X: Corrupted, e Streets of Rage Remake. Com certeza vocês não irão se arrepender!

About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.