A série Souls – uma modesta análise

Esse post não é voltado para a vasta e densa lore de Dark Souls/Demon Souls/Bloodborne. Tampouco é uma análise dos títulos – mesmo que eu faça questão de atenuar detalhes sobre suas narrativas e jogabilidades. O artigo que escrevo é um relato pré, durante e pós jogos, e suas consequências quando tentei jogar outros títulos de outras produtoras.

Antes de ter meu contato direto com Dark Souls, brinquei um tempo jogando Demon Souls. Sem me atentar a sua história, a premissa que segui foi baseada totalmente no fato do jogo ser considerado um dos mais difíceis lançados em muito tempo. E, realmente, somado com o fator ‘punição’ – pois o jogo te pune para cada rolada ou esquiva feita no momento errado -, e com o a sensação de dever cumprido a cada chefe e até mesmo inimigos comuns derrotados, o jogo se mostrou valoroso.

Mas eu estava enganado sobre o real valor da série. Redondamente enganado.

Tudo começou quando um amigo me recomendou Dark Souls, bem na época próxima ao lançamento de Dark Souls 3. Erroneamente achando que a experiência seria a mesma encontrada no jogo anterior, adentrei-me nessa nova empreitada, esperando mortes, video-games desligados por raiva, frustração e alívio.

A partir daí aprendi que a série Souls não é sobre matar e morrer, sobre acertar e não ser acertado (leia: git gud). É sobre um mundo devastado, próximo ao colapso e um personagem sem nome, sem passado e praticamente sem um futuro. Mas antes disso, é sobre o querer entender o que está acontecendo.

A curiosidade sobre o mundo que nos adota, sobre seus reis e rainhas, dragões e seres abissais, é elevada exponencialmente quando nada é explícito e devidamente explicado. Aprender na marra que o pouco que se sabe desse local é contada em itens e onde são encontrados, apenas serviu para intrigar-me sobre o porque daquilo ter acontecido e, principalmente, porque eu estava visitando aquele local.

E então veio o fim.

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Terminar o jogo não respondeu a todas as perguntas; muito pelo contrário, deixou no ar outras que sequer serão respondidas. Os finais dos jogos ainda me questionam se ser o heroi para aquela época era, de fato, necessário, ou se eu apenas deveria não me importar e deixar que o que quer que estivesse acontecendo não deveria ser problema meu (não que o jogo me desse essa escolha, no entanto).

Logo após terminar o primeiro título, corri para conseguir o segundo e, posteriormente, o terceiro. No final das contas acabei finalizando toda a série Souls, o que é, sem dúvidas, uma experiência incrível. (Spoiler: Demon Souls se mostrou meu título favorito, seguido por Dark Souls 2).

O que veio depois foi um mesclo de sentimentos por não ter certeza do que havia sido feito ali, e do que aconteceria depois e, novamente, o pensamento sobre as questões respondidas e as que não foram.

Os jogos que joguei a seguir – apesar de ótimos e nada relacionados com dificuldade e RPG – se mostraram um tanto quanto “incompletos”. Aquela sensação de descobrimento e vitória até mesmo nas coisas simples me fizeram apreciar todo e qualquer tipo de jogo e tudo o que o mesmo tem a oferecer, mesmo que muitas vezes eu sentisse que ainda assim algo estava faltando.

Isso não quer dizer que eu esteja desmerecendo todos os outros títulos; afinal, “Souls” hoje praticamente se tornou um gênero distinto. Mas a sensação de conquista, as mãos tremulas diante de um chefe aparentemente impossível e que está próximo a morte (mesmo que ele me mate um golpe depois) e o alívio por achar um checkpoint não apareceram mais com tanta frequência.

A série Souls merece atenção e, até mesmo para os céticos e os que se julgam incapazes de terminar o jogo, uma chance. A narrativa segue seu fluxo, tendo suas lacunas sendo preenchidas na maioria das vezes pelas teorias da comunidade que ativamente relaciona pontos dos 3 jogos da série, dando mais vida e mais sentido nesse mundo devastado por maldições e falta de esperança.

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E baseado em todos esses motivos, talvez agora seja o melhor momento para começar tal aventura: o lançamento da última DLC de Dark Souls 3, chamada “The Ringed City” (ou “A Cidade Anelar”), acabou de ser anunciada, com previsão de lançamento para 28 de Março. Não fosse o bastante, uma edição completa chamada “The Fire Fades Edition” também foi anunciada para o dia 21 de Abril, e contém todo o conteúdo lançado para o jogo até o momento.

 

About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.