Análise – Far Cry 4 (PC)

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O penúltimo lançamento do ano da gigante Ubisoft foi o quarto episódio da série Far Cry, game de mundo aberto com proposta semelhante ao seu predecessor. Dessa vez, o jogo se passa no país fictício de Kyrat, na região da Cordilheira do Himalaia, e o jogador encarna o protagonista Ajay Ghale para cumprir o último desejo de sua falecida mãe: ter suas cinzas espalhadas pelo templo de Lakshmana. E é claro, apesar de soar como uma coisa simples, vai ser necessário mais que um guia e pernas para chegar até o tal templo.

Os cinco primeiros minutos são, na verdade, a apresentação da trama e do vilão principal, o controverso Pagan Min, cuja aparência excêntrica foi criticada pelos fãs antes do lançamento do jogo. No entanto, em poucos minutos ele se mostra um personagem muito bem trabalhado e que seu visual não influenciou no que o antecessor, Vaas Montenegro, trouxe à série: um tremendo antagonista maníaco que não conhece regras ou limites.

Nessa introdução o jogador também é apresentado aos visuais deslumbrantes e a paisagem detalhada, padrão que é característica da produtora em outras séries, como Assassin’s Creed. As montanhas ao fundo e a vegetação característica de regiões montanhosas melhoram a imersão e fazem com que o jogador entre no clima da trama rapidamente.

Em comparação com o anterior, o jogo manteve a proposta de caçar animais, inimigos, liberar torres de transmissão e planejar a melhor forma de tomar bases militares do exército de Pagan Min. Entretanto, tudo está mais difícil em Far Cry 4, desde o poder de fogo dos inimigos até os recursos que eles possuem, como caçadores que podem voltar os animais capturados contra o jogador. Falando em animais, diferentes espécies foram adicionadas e algumas removidas para se enquadrar ao ecossistema do jogo, mas isso não quer dizer que eles estão menos ameaçadores. Até o final do jogo é necessário cuidado ao adentrar florestas e regiões não habitadas: grupos de lobos e cachorros, tigres, onças e ursos são animais ameaçadores nas matas, mas não se engane, alguns animais herbívoros são tão ameaçadores ou até mesmo mais que os carnívoros (cada encontro com um rinoceronte é uma experiência dolorosa e desagradável).

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Fora da mata foram adicionados outros desafios, como fortalezas que aumentam a influência do exército de Pagan Min, inimigos diferentes e novas side quests. Já as missões estão praticamente iguais ao do terceiro título da série (incluindo a famosa missão da plantação de maconha, que dessa vez possui duas equivalentes: a primeira em uma fazenda de ópio e a segunda em uma fábrica de concreto).

Tecnicamente o jogo é de qualidade altíssima, desde a pelagem dos animais até pequenos amassados e riscos nas armas, como se sugerissem que as mesmas foram usadas em diversas ocasiões. A trilha sonora segue no mesmo nível do visual, com parte original da trilha feita com instrumentos típicos da região do Himalaia, tudo com o objetivo de criar uma identidade própria para o jogo. Vale também lembrar que o jogo conta com legendas e dublagens em português.

Os problemas técnicos também se mostram presentes em Far Cry 4, principalmente na versão de PC e em placas de vídeo da AMD: mesmo após alguns patches lançados, o game apresenta queda na taxa de quadros por segundo, ao ponto de se tornar não jogável mesmo com as mais poderosas placas disponíveis, enquanto que os hardwares da Nvidia apresentam o resultado desejado. Fora isso, o game contém alguns bugs que devem ser corrigidos em breve, como um giro de câmera após a liberação de uma base inimiga ou crashes em momentos aleatórios.

A maior falha, no entanto, não é técnica, mas sim uma má exploração das personalidades dos personagens. As aparições de Pagan Min são a maior prova disso, sempre deixando o jogador querendo mais, já que vemos o antagonista cara-a-cara duas ou três vezes após a introdução. O próprio protagonista não é desenvolvido, e seus maiores conflitos se encontram em decisões de quem ajudar ao longo do jogo.

Veredito Final:

Existem três finais possíveis (porém um deles é alternativo e pode ser alcançado em 15 minutos), e o jogo conta com aproximadamente 14 horas de campanha single player somente nas missões principais, podendo chegar a 20 horas caso o jogador opte por liberar torres, bases, fortalezas e caçar os animais raros. O jogo vale a pena para aqueles que procuram um FPS que não se resume em apenas andar pra frente e atirar, contando com inúmeras atividades alternativas.

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