Análise – Final Fantasy Type-0 (PS4)

flogo

Com 27 anos na pista, não tem como negar que Final Fantasy vem sendo uma das séries de jogos de RPG mais famosas de todos os tempos. Mesmo que atualmente seu estilo de jogo tenha se afastado – e muito – de suas origens, a Square Enix – antiga Squaresoft – fez e faz de tudo para manter a série sempre atual e com isso cativar novos fãs para a franquia.

Quando vi que Final Fantasy Type-0 foi anunciado, fiquei animado, pois há muito esperava por um novo jogo da franquia que me chamasse a atenção.  O título foi lançado originalmente para o PSP e apenas em terras nipônicas. Após ter sido anunciado como Final Fantasy XIII Agito (sendo um spin-off de Final Fantasy XIII) – e também tendo uma versão para os smartphones – a S-Enix decidiu que o melhor a ser feito era apenas o lançamento do mesmo para os portáteis da Sony. Mesmo com a mudança de nome, o jogo ainda faz parte do Projeto Nova Fabula Crystallis, que engloba os jogos Final Fantasy XIII e XV. Após uma espera de quatro anos, finalmente Final Fantasy Type-0 HD deu as caras no consoles da nova geração, tendo seus gráficos atualizados e sendo oficialmente localizado, após ter recebido boas críticas a respeito de sua jogabilidade e enredo. E o que torna esse jogo tão especial é como a Square ainda tem capacidade de criar ótimos RPGs.

Type-0 começa com caos e guerra. O continente de Orience estava com seus dias pacíficos contados quando o reino de Militese quebra o tratado de paz atacando o reino de Rubrum. Armados com poder bélico sem igual, o principal alvo do exército atacante era o Cristal localizado em Rubrum, fonte da magia de todos os seus ocupantes. Uma vez que Cristal havia sido neutralizado, os ocupantes de Rubrum se viram sem esperança quando foram desarmados de seu principal poder ofensivo. Nessa hora um grupo composto por 12 jovens aparece e estabiliza a balança da guerra, utilizando magias e poderes devastadores. Com suas tradicionais faixas vermelhas, eles eram conhecidos como a Classe Zero, lendária Classe de estudantes de Akademia, uma instituição para guerreiros em formação de Rubrum.

Por se tratar de Fabula Nova Crystallis, mais uma vez cristais mágicos estão no centro do enredo. Apesar do vasto território de Orience, a trama gira em torno dos 4 “Estados Cristais”, chamados assim por serem responsáveis pelos cristais em seu mundo: Rubrum, controlador da magia; Militesi, que controla a tecnologia e o poder bélico; Concordia, que controla os dragões e por fim, mas não menos importante, Lorican, controladora do poder da blindagem.

fft0

Apesar de ter jogado pouco Final Fantasy XIII é válido dizer que, apesar se não ser totalmente necessário, seu enredo complementa o de Type-0, principalmente quando um de nossos inimigos é um l’Cie. Para quem não está familiarizado com o termo, os l’Cie são escolhidos pelos cristais e tem uma meta de vida para cumprir e caso não o façam sofrem um castigo terrível. Quem quiser saber mais pode ler nossa análise de FFXIII, onde está tudo explicadinho, e melhor que no próprio game.

O que mais me chamou a atenção foi a maturidade como a Square desenvolveu o enredo. Logo nos primeiros minutos vemos soldados sendo baleados e apunhalados e, apesar de nada tão explícito, muito sangue é derramado. O drama e o peso das ações daqueles que fazem parte desses evento catastróficos também estão presentes durante a história, principalmente quando todos os residentes de Rubrum são obrigados a esquecer daqueles que já morreram. Outro ponto interessante são as perguntas que são lançadas logo no início, instigando a curiosidade do jogador: Por que a Classe Zero foi capaz de usar magia quando ninguém mais pôde? Qual será o verdadeiro motivo por trás das guerras? Quem são os responsáveis por isso? Com tanto para ser respondido e para ajudar a deixar as coisas menos confusas, o próprio jogo salva o lore e as animações nos arquivos de gravação e podem ser acessados em sua tela inicial.

Como são soldados, os cadetes devem realizar missões designadas pelo alto escalão de Rubrum. Toda vez que um jogador acaba uma missão, ele tem um intervalo para poder se aprofundar nos campos de Akademia atrás de sidequests que ajudam a entender as preocupações e desejos não só daqueles que são os principais, mas também daqueles que ajudam a contribuir para o universo do jogo, sejam eles colegas de classe e até mesmo soldados inimigos. Também durante os intervalos, os jogadores podem refazer missões para aumentar seu rank e, consequentemente, as recompensas adquiridas, além de servir para a evolução de seus personagens.

Graficamente falando, o jogo está soberbo. A qualidade das texturas e cenários sofreram boas repaginadas, mostrando que o port não simplesmente estendeu as imagens. Apesar de certas paisagens serem simples, perdi um tempo considerável dentro das cidades e até mesmo em Akademia apenas apreciando certos detalhes. Outro fator que contribuiu bastante para o jogo é que em momentos de muita ação – com combates frenéticos acontecendo – o jogo consegue manter sua estabilidade sem prejudicar a jogabilidade. Apesar de toda beleza, entretanto, ainda acredito que Type-0 não se justifica sendo um exclusivo para os consoles dessa geração quando Final Fantasy XIII  (PS3/Xbox 360) mostra que consoles anteriores tem poder suficiente para disponibilizar uma qualidade considerável quando se trata polígonos e efeitos em tela.

Apesar de sempre ter sido fã de jogos de RPG por turnos, o melhor sistema de batalha que já experimentei foi da série Kingdom Hearts, que contava com lutas e combos frenéticos. O sistema de combate de Type-0 segue essa premissa de “liberdade” se aproximando do que é visto em Crisis Core: Final Fantasy VII, mas sendo mais focado na ação. Com 14 personagens para escolha – tamanho número que não via desde a época de Final Fantasy VI -, cada um deles possui um tipo de arma diferente sendo que, durante as batalhas, apenas 3 membros podem ser utilizados por vez. Andar pelo campo e escolher o inimigo que será atacado é apenas a cereja do bolo; a diversão fica por conta da alternância de personagens. Com o apertar de um simples botão, é possível trocar o personagem principal, algo que senti falta quando queria jogar como o Pateta ou o Pato Donald, em KH. Além das armas, os personagens contam com um arsenal de habilidades e magias específicas; enquanto magias custam MP, habilidades consomem stamina que é recarregada quando ataques e combos são realizados.

As batalhas estão intimamente ligadas a uma das principais características do jogo: sua dificuldade elevada, algo que foi “corrigido” na remasterização. Agora existem opções de selecionar a o nível de desafio desejado, sendo eles: Novice (Easy), Officer (Normal) e Agito (Hard, que adiciona 30 níveis para os inimigos). Os combates ficam mais dinâmicos com a adição dos ‘Kill Sights’ e ‘Break Sights’: caso o jogador consiga o timing perfeito de seus ataques, o primeiro permite destruir o inimigo instantaneamente, enquanto o segundo libera um dano massivo. Summons também estão presentes e têm seu papel no enredo. Somente os cadetes da Classe Zero que, a troco de suas vidas, podem invocá-los, até mesmo as invocações mais famosas da série são controladas pelo jogador, executando movimentos e combos específicos. Para contribuir com o desafio, somente os personagens em combate ganham experiência, fazendo com que o tempo gasto apenas nos campos de batalha seja ainda maior.

fftp1

Outro detalhe que achei interessante é que as lutas não são limitadas apenas aos inimigos encontrados aleatoriamente. O jogo, por retratar um ambiente de guerra e conquistas, também oferece como parte de suas missões a recuperação de cidades que foram tomadas pelos oponentes. Em certos momentos o jogador deve entrar em um modo RTS (Real-Time-Strategy) para designar tropas e garantir a posse de outras citadelas, o que me lembrou certos momentos do clássico Suikoden.

Se eu achava que Type-0 não poderia melhorar, sua trilha sonora cumpre seu papel sendo uma das mais belas da série, seguindo a inovação com arranjos de guitarra e elementos clássicos da série (como o tema ‘Prelude’, presente em todos os jogos da série). Em um primeiro momento notei que me senti familiarizado com as músicas, algo que se justificou logo: o compositor é ninguém menos que Takeharu Ishimoto, que também esteve presente nos jogos Before Crisis: Final Fantasy VII, Crisis Core: Final Fantasy VII e The World Ends With You. Lutar com um tema de batalha animado é ótimo para aumentar a adrenalina durante os ataques que são realizados, como pode ser conferido abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=VbgW_sXiXmA

Veredito final:

 Final Fantasy Type-0 foi uma grata surpresa. Consigo entender que, economicamente falando, foi mais viável para a Square lançar o jogo primeiramente para o Oriente para enfim lançar sua versão ocidental, pois seria “arriscado” lançar um spin-off de um arco que mesmo após 3 jogos ainda divide os corações dos fãs da franquia. Com sua história mais madura e com um fator replay altíssimo – contendo o já conhecido “New Game +” para aqueles que almejam conquistar 100% do mesmo e tentar entender o vasto lore do jogo -, Type-0 faz bonito dando as caras nessa nova geração cumprindo bem seu papel para aqueles que curtem um jogo com ótima jogabilidade e dificuldade.

ffnota

About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.