Análise – Odallus: The Dark Call (PC)

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Nos últimos tempos as o produtoras independentes vêm mostrando um excelente trabalho com seus títulos, principalmente mesclando qualidade com nostalgia. Grandes nomes se enquadram nessa situação: Shovel Knight (Yatch Club Games), This War of Mine (11 bit studios), Axiom Verge (Thomas Happ Games LLC), estes são apenas alguns nomes da vasta lista de títulos disponíveis que seguem a mesma premissa.

No ano passado, a brasileira JoyMasher fez sua estreia no Steam com Oniken. Com gráficos e efeitos sonoros em 8 bits e jogabilidade que muito se assemelha aos clássicos Contra e Ninja Gaiden, o título fez sucesso entre os novatos que não são tão familiarizados com o estilo e, principalmente, com os gamers de longa data que há muito conhecem o gênero. E, seguindo a premissa da velha-guarda, a produtora se aventura mais uma vez, mudando do action-shooter para o Metroidvania com Odallus.

Odallus: The Dark Call revive a essência de jogos que fizeram história nas eras 8 e 16 bits como Super Ghouls ‘N Ghosts e Castlevania. Ao contrário de seu irmão Oniken, cuja temática é futurista, o novo jogo adota um universo medieval onde cabe ao jogador empunhar espada e machados para lutar contra monstros e demônios.

O jogo conta a história do ex-guerreiro Haggis. Após ter lutado incontáveis batalhas, o mesmo vive um momento de paz com seu filho em uma pequena vila quando, de repente, a mesma se vê atacada e tomada por criaturas das trevas. Sem exatamente entender o porquê disso, o protagonista parte no encalço dos responsáveis pelo holocausto, uma vez que seu filho se perdera em meio ao conflito.

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Apesar de parecer clichê a primeiro momento, OTDC se mostra mais profundo com o desenrolar de seu lore. O misticismo criado para o universo do game explica – de maneira não explícita – as entrelinhas para o conflito iminente. Runas espalhadas pelas fases narram eventos passados, mesmo que muitas vezes a interpretação de quem joga seja crucial para o entendimento das mesmas. Tal subjetividade pode ser diretamente comparada com Demon e Dark Souls, onde a especulação é um dos maiores charmes da franquia.

A volta da JoyMasher ao estilo retrô não deixou nada a desejar em comparação a Oniken. Com o visual que mais parece ter saído de um jogo lançado originalmente para o NES, a arte pixelada – tanto in-game quanto em cutscenes – cai como uma luva na ambientação do jogo, deixando o mesmo com uma tonalidade mais sombria como deve ser. Sua ligação com o passado é tão destacada que existe o TV Mode em suas configurações, que transforma a imagem para como se fosse transmitida por uma televisão de tubo.

A OST, por sua vez, apesar de simles cumpre bem seu papel: também seguindo a linha clássica dos games, cada fase contém seu próprio tema com transições que ocorrem quando sub-chefes e chefes estão em cena, fazendo com que a mesma não se torne repetitiva e massiva.

O ponto forte de Odallus – apesar de todas as qualidades já apresentadas – sem dúvidas fica por conta de seu gameplay. Com controles e movimentação precisos, a equipe desenvolvedora foi extremamente cautelosa em relação a dificuldade do jogo e sua curva de aprendizagem.

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OTDC não apresenta um tutorial explicando passo a passo o que pode e o que não pode ser feito (algo que é visto com maus olhos por muitos jogadores veteranos), mas passa a sensação de descobrimento quando alguma novidade é encontrada. Ao adquirir a tocha, por exemplo, o jogador logo percebe que a mesma é lançada de maneira diagonal para baixo. Nesse mesmo ponto no jogo os inimigos começam a surgir abaixo de Haggis, ‘forçando’ o jogador a entender como a lógica funciona.

A progressão da história também não segue um padrão linear. Muitas vezes o jogador irá encontrar obstáculos que necessitam de um determinado item para que possa ser superado, e até mesmo para prosseguir para fases mais avançadas é necessário revisitar cenários passados e encontrar caminhos inalcançáveis anteriormente.

Exploração é a palavra chave para Odallus: baús contendo almas e equipamentos diversos que auxiliam e aumentam o arsenal do heroi estão espalhados por 8 estágios com temáticas únicas para cada um deles. Cidades, florestas, níveis na lava e nos esgotos fazem parte de seu repertório de cenários, cada um equipado com segredos próprios e inimigos únicos (mesmo que as vezes pareçam literalmente monótonos demais). Até o vendedor se torna uma ferramenta importante, fazendo seu trabalho e dando algumas dicas para encontrar os tais segredos.

Veredito Final: 

Suas cinco horas de duração conseguem fechar bem essa viagem ao passado. Odallus tem seu toque de nostalgia, uma jogabilidade redonda e seus desafios, e apesar de não ser ambicioso ou inovador, consegue fazer bem tudo que promete entregar. É mais um grande passo na carreira da JoyMasher, que já parou de andar para frente e está começando a correr.

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About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.

  • Leonardo Ookami

    Sera que Koji Igarashi tomou conhecimento deste jogo, o que será que ele diria? (Uma vez que este parece beber bastante na receita do velho Iga)

  • Leonardo Ookami

    Nice, keep it up!