Análise – Pokémon Alpha Sapphire (3DS)

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A segunda geração de Pokémon pode ter sido sensacional por conter dois continentes para viajar, apenas 252 bichinhos e algumas caras mais conhecidas do pessoal, como Red e Professor Carvalho, mas minha favorita sempre foi a terceira. Ainda lembro de quando fui no shopping com meus pais e implorei pelo Pokémon Emerald ao passar na frente de uma loja de jogos no final de semana de lançamento, e por algum milagre a gente voltou pra casa com o game em mãos.

Jogar Pokémon Omega Ruby/Alpha Sapphire, remake de Ruby/Sapphire/Emerald, foi como voltar àquela época. Não é a primeira vez que a Game Freak se aventura em remakes, mas eu não tinha memória o suficiente das versões originais dos anteriores para conseguir avaliar o quão a fundo ela vai na reprodução de detalhes.

Algumas cenas e características eram impossíveis de ficar de fora: Professor Birch sendo perseguido no comecinho do jogo é um marco, assim como a fila de capangas do Team Aqua ou Team Magma na porta do Oceanic Museum. Como esquecer também da dupla Solrock e Lunatone das gêmeas do sétimo ginásio, do Milotic de Wallace ou do Metagross de Steven? Por outro lado, eu nunca iria imaginar que eles fossem trazer de volta o senhor que dá o TM Roar ao personagem, ao lado de seu inseparável Poochyena.

ORAS faz um trabalho incrível de mesclar esses elementos do passado com ferramentas e mecânicas novas. A importância e utilidade da tela de baixo continuou crescendo como nas versões X/Y, quando deixou de ser apenas um menu estendido para se tornar uma central de ferramentas, compreendendo todo o modo online do jogo (o PSS), o Super Training e o Pokémon Amie.

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As três estão de volta, mas agora agrupadas como PlayNav, um dos quatro grupos de ferramentas disponíveis no PokéNav Plus. Além delas, também estão presentes o canal de notícias BuzzNav, que comenta ações do jogador e de pessoas encontradas por Street Pass, e o DexNav, uma pokédex portátil que mostra um perfil com detalhes-chave de um pokémon próximo e uma lista de todos os já capturados e vistos na rota. Esses três são muito úteis durante a aventura, perdendo apenas para a estrela, AreaNav.

O AreaNav é praticamente o sonho de todo o treinador desde 1996: ao selecioná-lo na tela de toque, um mapa da região de Hoenn é aberto com informações sobre cada cidade e rota, treinadores preparados para batalhar, sua Secret Base e a de transeuntes, berries a serem colhidas e a mesma lista de capturados do DexNav. A sensação seria a mesma de usar o Windows 95 por muito tempo, e de repente migrar para o Windows 7.

Outro passo importante dado em Alpha Sapphire foi o Delta Episode, uma história diferente e interessante que se inicia logo após a vitória sobre a Elite Four e o Campeão. A aventura é guiada por uma personagem exclusiva, Zinnia, e dura apenas duas horas, mas consegue se encaixar extremamente bem nos últimos acontecimentos e enriquecer a mitologia de Pokémon. Por ser a primeira expansão pós-jogo de toda a série, ainda sou um pouco cético quanto a Nintendo lançar novos episódios como esse via DLC, mesmo achando que isso ia ser fantástico para quem procura uma diversão a mais, porém deseja ficar de fora de toda a parte competitiva.

Delta Episode também faz um bom trabalho ao evidenciar como o som e a imagem evoluíram com o passar do tempo. Grande parte da trilha sonora de Alpha Sapphire é orquestrada, como já vem acontecendo há um tempo, tendo até um pseudo-solo de órgão na introdução da expansão, e passando por baixos um pouco blues e até um rockzinho em partes mais agitadas. Já as mudanças de câmera e cinemáticas que acontecem durante a aventura passam a imagem de um jogo mais complexo, não apenas uma corrida de lá pra cá para capturar todos. Inclusive, as cenas que precedem o encerramento do episódio deixam bem claro o que quero dizer com isso.

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Tanto conteúdo acabou pesando no hardware relativamente fraco do 3DS XL. Apesar de se manter constante nos mapas, a frequência de quadros cai bastante enquanto a câmera fica passeando durante seleção de golpes nas batalhas, algo meio decepcionante de se ver ao considerar que X/Y já enfrentavam o mesmo problema. Assim como uma taxa de quadros constante faz falta em ORAS, tanto o Friend Safari quanto a personalização de personagem também fariam, se não fosse pelas Secret Bases e Mirage Spots.

As Secret Bases são bem parecidas com as de R/S/E, áreas enormes dentro de árvores e rochas para enfeitar com centenas de tranqueiras, só que agora elas podem ser compartilhadas com QR codes. Já os Mirage Spots são locais especiais que aparecem diariamente por Hoenn, com monstros lendários e itens, acessíveis apenas por Soaring, uma nova mecânica à la Pilotwings Resort  em que o personagem voa livremente pelo continente em cima de um Mega Latios ou Latias.

Soaring tem duas características boas além de poder ver o mundo sob uma perspectiva diferente: ele tornou possível voar não só para cidades como também para rotas, e por causa dos Mirage Spots é possível capturar todos os lendários existentes, somando com os disponíveis nas versões da sexta geração. Como a transferência entre Alpha Sapphire e X/Y pode ser feita livremente – com pouquíssimas exceções -, dá para aumentar a lista de lendários na Pokédex de ambos facilmente, além de poder aproveitar o melhor dos dois mundos sem ter que ficar fechado apenas no jogo mais recente.

Veredito final:

É muito difícil dar uma nota para uma série que se atualiza tanto quanto Pokémon. Sua essência continua a mesma de 18 anos atrás, mas sempre há uma nova ferramenta bacana, uma melhoria de algo já existente, uma polida nas mecânicas, e Omega Ruby e Alpha Sapphire têm tudo isso, mesmo sendo baseados em uma versão bem antiga. As novas versões não estão imunes a erros, que inclusive migraram de suas antecessoras, mas os acertos conseguem compensar bem por suas falhas.

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About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.