Análise – The Crew (PC)

the crew

Se a década passada marcou a explosão dos MMOs no PC, com a grande ascensão de Ragnarok Online e World of Warcraft, a atual mostra como esse gênero consegue se remodelar para sair da mesmice. O surgimento dos eSports e a popularização do modo online nos consoles ajudaram nas mudanças que vêm acontecendo, e os jogos massivos estão com tanta moral que até a Ubisoft resolveu se arriscar com The Crew.

A Ubi poderia ter ficado na sua zona de conforto e lançado um MMO de ação ou só ter expandido o mundo de Driver, mas decidiu mergulhar de cabeça em uma nova empreitada. As semelhanças com sua já estabelecida série de corrida existem, mas o novo título tem propostas bem diferentes na sua fundação, a começar pelo abandono da necessidade de colecionar todos os carros do game para dar lugar a elementos voltados ao RPG.

Um investimento consideravelmente alto precisa ser feito para adquirir um novo carro, e toda vez que isso acontece ele é entregue no nível 1, com valores baixíssimos em estabilidade, força, frenagem, etc. As peças obtidas anteriormente podem até ficar na oficina para instalação em qualquer máquina, mas o único jeito de evoluir o suficiente para instalar as partes melhoradas é indo para o asfalto, competindo e passando de nível. Aplicar um modelo de evolução como esse, individual para cada carro, poderia deixar o progresso extremamente lento, o que é equilibrado pelo gigantesco mapa do jogo.

Fazer uma versão reduzida, porém fiel, dos Estados Unidos em mundo aberto não é para qualquer um, principalmente com a quantidade de informação que The Crew dispõe ao redor do país. As maiores cidades, como Nova Iorque, San Francisco, Las Vegas e Miami, são lotadas de pontos de interesse (prédios importantes, locais históricos) e missões paralelas, grandes focos de experiência e de novas peças para incrementar os carros. Corridas no gelo e off-road são duas atrações que podem ser encontradas fora dos municípios, e ainda há muito mais a explorar: é preciso cerca de 45 minutos dirigindo para se chegar de uma costa a outra.

thecrew2

Atravessar o país para conhecer novas paisagens é bem divertido, fornece uma boa quantidade de XP e rende várias fotos fantásticas. As cidades tem cada uma seu charme e sua história, mas ver o por-do-sol a 210km/h cercado de vegetação dá uma sensação ótima, já que os gráficos estão bem caprichados mesmo em resoluções mais baixas no PC. Além disso, mesmo com o online sempre ligado e jogadores aparecendo e sumindo do mapa constantemente, viagens são extremamente suaves e sem lag algum, então é só ligar o rádio – que toca músicas como “Royals” (Lorde) e “Do I Wanna Know?” (Arctic Monkeys) – e aproveitar o passeio, só não pode concentrar demais no visual e acabar dando com o para-choque no muro.

Tanto investimento em servidores, direitos musicais e level design aparentemente esgotaram os recursos do game, que ainda precisava ter uma razão por trás do vai e vem pelos EUA. Depois de sete Velozes e Furiosos e dezenas de Driver e Need for Speed, a história do ex-membro de gangue de racha que busca vingança contra um antigo aliado e um policial corrupto que assassinaram seu irmão não cola mais, não adianta nem colocar o Troy Baker como o protagonista que ela não fica mais interessante. A campanha pode ser mecanicamente interessante, com algumas missões um pouco diferentes e acesso temporário a carros melhores, mas é daquelas de se apertar  “b” sem parar até pular as cinemáticas.

Não é obrigatório jogar a campanha para ter boas máquinas, basta adquirir nível e peças nas missões paralelas, mas há uma sincronia grande entre ela e o desenvolvimento do jogo que acaba tornando-a recomendável. Além do nível dos carros, o personagem possui experiência própria, requerida para liberar vendedores mais qualificados em outras cidades, e é claro que o nível mínimo necessário para acessar um vendedor novo é atingido bem próximo de quando a história está alcançando o local.

Criar ou participar de uma equipe é provavelmente o modo mais fácil de pular missões mais chatas ou difíceis e extrair tudo que o online em The Crew tem a oferecer. É possível formar grupos de até quatro jogadores, tanto conhecidos como os disponíveis no servidor, para juntos completar missões no cooperativo e disputar contra outras “crews” sua influência sobre as regiões do país. Lobos solitários podem usufruir do sistema de um outro jeito, selecionando “Cooperativo rápido” antes de começar uma missão para enviar convites a jogadores próximos disponíveis, caso precise de uma mãozinha apenas para terminar alguma específica.

vegasbabe

O “Cooperativo rápido”, entretanto, revela uma sensação estranha para se ter jogando um MMO: vazio. Há horas em que é impossível recrutar aliados para uma corrida, ou então é preciso tentar dez vezes para que uma pessoa que já passou dessa parte há eras faça a caridade de ajudar. Além do mais, fora do tutorial é bem raro cruzar com outro jogador, e até as indicações no mapa costumam mostrar corredores a três ou cinco quilômetros de distância. Talvez a vastidão do mapa e a necessidade de estar sempre em movimento contribua para que as pessoas se distribuam melhor, mas é desagradável não passar por uma tag de nome em horas.

Algo que merece destaque é que todos os textos do jogo estão em português, desde as legendas até os menus, e não deve ser fácil traduzir cada termo técnico usado no mundo automobilístico. A localização de jogos grandes está se tornando padrão no Brasil, e é sempre bom ver essa preocupação com o público-alvo.

Veredito Final:

The Crew é um jogo para aumentar o já extenso currículo da Ubisoft. É uma experiência interessante e um pouco diferente do que ela costuma propor, mas podia ser um pouco melhor executada. Por um lado sua história é fraca e ele parece pouco habitado demais para um MMO, mas por outro a quantidade de locais para explorar é extremamente grande, e a aventura roda sem problemas nenhum mesmo estando sempre utilizando a internet.

thecrewnota

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão (@luigilol).