Análise – The Evil Within (PC)

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No dia 18 de Outubro foi lançada a nova produção do diretor Shinji Mikami (conhecido por seu trabalho na série Resident Evil), The Evil Within. Em seus trailers, o jogo prometeu não só assustar, mas também fazer o jogador se perguntar “O que se passa na mente de uma pessoa pra fazer algo TÃO bizarro?”. Talvez pelo fato de ser originário da terra do sol nascente, conhecida por suas bizarrices, o game não só assusta como realmente te leva a fazer a tal pergunta. Mais de uma vez. Muito mais.

O jogo começa com o detetive Sebastian Castellanos, seu parceiro Joseph Oda e a detetive em treinamento Julie Kidman recebendo um chamado de apoio em um hospital psiquiátrico. Ao chegarem ao local eles são confrontados por um verdadeiro massacre no saguão do hospital, e quando eu digo massacre, eu quero dizer gente morta por todos os lados, com sangue no chão, paredes, teto e mobília. Depois disso, somos recebidos por uma figura de roupa branca e queimaduras de maneira amigável: com uma tremenda tesourada nas costas e um nocaute que deixaria até Mike Tyson com inveja.

A partir daí, as coisas começam a realmente andar no jogo e o terror começa: o jogador assume o controle do detetive Castellanos, dessa vez em uma espécie de matadouro. O personagem desarmado e confuso deve não só escapar do local, mas descobrir o que aconteceu com seus parceiros e quem era a tal figura.

Para isso, você precisa primeiro escapar do matadouro, e isso implica fugir de um maníaco com uma serra elétrica (os fãs de Resident Evil já devem estar familiarizados com isso, mas nunca é uma experiência agradável). É nesse momento que o jogador é apresentado às mecânicas que serão não só necessárias para sua sobrevivência, mas que vão ser utilizadas até praticamente o final do jogo. Utilizar objetos do cenário para distrair os inimigos, fugir, esconder-se em armários e corridas pela sobrevivência vão acontecer frequentemente.

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O forte do jogo, no entanto, não está somente no medo, mas sim na “creepyness”  da temática e da atmosfera. Isso se mostra principalmente quando o jogador entra na área de save do jogo: um hospital psiquiátrico completamente diferente, acessado através de salas encontradas ao longo do game e habitado somente por uma enfermeira misteriosa.

Ao acordar nesse hospital, o jogador explora o local e encontra uma cadeira com um mecanismo para fazer upgrades. Até aí, nada demais, certo? Certo? Errado. Os upgrades são feitos de maneira dolorosa e misteriosa: Castellanos é amarrado e o mecanismo é acoplado ao seu crânio. No começo tinha a impressão que eram descargas que o protagonista recebia, depois do capitulo 8, passei a achar que eram agulhas que eram introduzidas no cérebro do detetive. Honestamente, não faz diferença, ambos os procedimentos são bizarros e provavelmente MUITO dolorosos.

Ainda na área de save, eventualmente somos confrontados com eventos, que vou evitar detalhar para não estragar a experiência da jogatina, mas que retificam que a estrela de The Evil Within é a insanidade. Nesses trechos o jogo mostra que não são necessários inimigos desfigurados por arpões, queimaduras, arames farpados enrolados pelo corpo e deformidades nos mesmo, ou um cenário com completa escuridão que é quebrada apenas por um pequeno lampião ou uma trilha sonora que acentua a tensão para fazer o jogador sentir medo. Os momentos mais assustadores se mostram no momento em que a fantasia fica em segundo plano e algo próximo da condição humana assume o controle.

Alguns problemas técnicos aconteceram na versão para PC durante minha experiência: alguns crashes e umas poucas quedas de FPS. Fora isso, o real problema do jogo reside em algumas pontas soltas na narrativa, mas que com sorte serão atadas com os dois DLC’s previstos.

Veredito Final:

Com certeza, The Evil Within é um jogo que vale a pena ser jogado, principalmente por quem procura um jogo consistente com bons sustos e fãs do trabalho de Shinji Mikami. Só são recomendadas algumas cuecas limpas e um ursinho ou almofada, dependendo da preferência do mesmo, para abraçar nos momentos mais tensos.

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