Análise – Transistor (PC)

transistor capa

Irmãos mais novos estão sempre tentando imitar os mais velhos. Tudo que um faz o outro quer fazer, tudo que um tem o outro pede, sempre que um vai em algum lugar o outro vai atrás. Quando esse tipo de relação sai do plano real, surgem  casos como o de Bastion e Transistor, criados pela mesma equipe e com diversas similaridades.

O primeiro choque entre os dois já vem da abertura: em ambos, a narração é feita por Logan Cunningham, agora no papel da espada que dá nome ao jogo. Ter o mesmo ator repetindo uma função é um pouco decepcionante de início, mas alguns minutos são o suficiente para desfazer qualquer mal entendido.

Apesar da voz de Rucks estar presente durante todo o Bastion, narrando cada acontecimento e guiando o Garoto por Caelondia, a conexão entre os dois não é tão grande. Red e o Transistor tem uma relação muito mais profunda, evidente desde o início e acentuada nos ótimos trechos em que o sistema de comunicação da arma começa a falhar, quando ele apresenta um monólogo sobre o medo de ficar sozinho e perder Red. Ela é o que lhe resta após sacrificar seu corpo para salvá-la.

Por outro lado, tendo perdido a voz no evento que desencadeou o game, a heroína encontra nos terminais de notícias espalhados pela cidade e em suas ações os modos de se expressar. De um longo olhar ao anúncio de seu show musical daquela noite a uma singela mensagem ao Transistor para ele se acalmar, a personalidade de Red é construída nos detalhes, só é uma pena que estes detalhes sejam tão poucos.

Três horas de duração são o suficiente para apresentar os principais aspectos, quem são os bonzinhos e quem são os vilões, mas faltou um pouco de aprofundamento, não só para a protagonista deixar uma marca como para fechar a história como um todo. Por que ela perdeu a voz? Como o Transistor funciona? O que é a luta final? Peças tão chave quanto estas são mal explicadas e deixam muita margem para incertezas.

transistor meio

Se a história tem algumas falhas, o sistema de batalhas consegue compensá-la em dobro. O Transistor não é só uma espada falante, ele também é capaz de absorver almas para transformá-las em golpes e habilidades, chamados Functions, e pausar o tempo. Combinar um bom kit de Funções com uma estratégia sólida ao pausar o tempo é o ideal, evitando tomar muito dano em seguida, enquanto a arma recarrega.

A necessidade de pensar antes de agir cai como uma luva para o clima cauteloso de Transistor, onde a calma da cidade vazia anda de mãos dadas ao sofrimento dos personagens e a tensão imposta pelos inimigos que causaram tudo isso, a organização Camerata e o Process. Quem recebe a missão de construir o ambiente são a arte e a música, missão cumprida com louvor.

A colisão de cores mais monótonas, pegando preto e tons escuros de amarelo, com um branco extremamente forte na imagem tem uma sintonia ótima com o áudio, de um ritmo tão bem encaixado que parece que há uma banda escondida no cenário, observando e criando o ritmo com os acontecimentos. A música chega a ser tão bem trabalhada que os vocais só aparecem quando o tempo é pausado, como se Red conseguisse recuperar sua voz naquele momento.

Somando o lado artístico, o pouco tempo de duração e o combate dinâmico, Transistor praticamente cria uma fórmula para ser jogado. A primeira rodada é para absorver o mundo ao redor: o enredo, a música, o visual, as emoções. Com o jogo terminado e o New Game Plus aberto, mantendo todas as Functions e níveis obtidos antes, é hora de rodá-lo mais uma vez, agora usando praticamente tudo que o combate tem a oferecer e em batalhas com dificuldade consideravelmente maior do que as do primeiro New Game.

Veredito Final:

Por melhor que o jogo seja, o futuro da Supergiant Games preocupa um pouco. Mesmo que ela tenha evoluído desde seu primeiro lançamento em 2011 para criar o excelente Transistor, até quando ela vai seguir fazendo jogos parecidos? O mundo hoje é dos lançamentos anuais (e praticamente iguais), mas seu público não é o mesmo em tamanho do que o de Assassin’s Creed e afins. Seria interessante ver a equipe de game design do estúdio aumentar o seu leque para outros gêneros, ou pelo menos se distanciando do que seus dois trabalhos já fizeram.

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About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.

  • rafael

    melhor jogo do ano sem duvidas nao concordo com veredito , unica contra esse game é por ser curto demais =/ jogo fantastico