Boteco da equipe: O guarda-roupas de Laura

laura

A terceira personagem brasileira vem ai em Street Fighter V. Laura, profissional em Jiu-Jitsu e irmã de Sean, foi bem recebida pelos fãs ao ser anunciada na BGS, mas o tiro acabou se voltando contra a Capcom após a descoberta de uma roupa alternativa para a personagem. A pequena quantidade de pixels no conjunto top e shortinho, que profissionais afirmam ser menor do que o traje de Ryu no primeiro Street Fighter, rendeu diversas reclamações de sua sexualização extrema, e hoje é a vez da nossa equipe dar os seus dois centavos sobre o assunto!

Kaio – Eu não ligo pra roupas dos personagens. Vejo esse tipo de coisa desde de tempos atrás com Dead or Alive, Soul Calibur, Tekken. Quando o jogo é bom, minha preocupação é me divertir com ele. Vários jogos mudam as roupas de suas personagens quando vem pro ocidente. Vide Fire Emblem e Xenoblade Chronicles X, e Dead or Alive não tá vindo pra cá por isso.

Luigi – Apenas não faz sentido. A caracterização dos personagens de Street Fighter é feita de acordo com suas origens e características que os definem: Ryu tem seu quimono de karatê, Chun-Li mostra sua origem chinesa pelo qipao, Dhalsim flutua com pinturas Hindús – e sua aparência mais do que nunca o aproxima da Índia. A descrição dada para Laura é a de vir de uma família extremamente tradicional do Jiu-Jitsu brasileiro, mas ela se veste com algumas roupas de capoeira e outras casuais após um acidente grave com uma tesoura de costura. É até que comum para os personagens de SF mostrar pele, tanto homens quanto mulheres, mas erraram a mão com Laura.

Verônica – Que guria não usa isso todos os dias pra lutar, não é mesmo? Acho que as roupas em personagens femininas são esperadas assim mesmo. Se você seguir a lógica em que pessoas querem ser/ver personagens você: 1 – faz um personagens com roupas que gostaria de ver mulheres usando; 2 – espera que elas se vistam assim de cosplay; 3 – vai nos eventos ver as meninas vestidas da personagem gata.

Eu acho bem complicado discutir qualquer tipo de assunto que possa ir pro lado sexista, porque ao mesmo tempo que muita gente não concorda que as coisas deveriam ser assim e q são contra essa fantasia de que as pessoas podem ser absurdamente gostosas, sexys e lutadoras profissionais, seria sem graça, talvez, ser totalmente realista e jogar com meninas com roupas de luta, suadas e com um corpo malhado e sem curvas.

Eu julgava mais até o dia que um amigo meu – que é professor de literatura – foi ‘proibido’ de contar histórias de fantasia para um dos alunos porque os pais deles eram de uma religião e diziam que o filho deles deveria ter como história apenas as histórias ‘da verdade’, da verdade de deus.
afinal, qual é a verdade de verdade? qual é a sua verdade que também é a verdade do outro? e, qual a graça do entretenimento sem ter um pouco de exagero, de fantasia?

Sobre a roupa dela: a primeira é um quimono adaptado (super contextualizado no clima do brasiu), e a outra é a roupa que ela usa pro rolezinho, ela e suas amigas panicats.
Sobre a Laura: Quando a vi soube que era prima da Christie (Tekken).

 panicatss

Diego – Parece que de uns tempos pra cá a diversão, as horas explorando mundos mágicos, envolvimento com personagens e aquele sentimento de estar maravilhado com as possibilidades nos games se tornaram secundários. Ao que tudo indica, o mais importante é que nada seja ofensivo, por mais coerente e contextualizada que a tal “ofensa” seja. Além disso, parece que nem todo mundo consegue distinguir a realidade de um videogame e que um simboliza o todo. É um tanto quanto triste ver que para agradar um pequeno grupo mudanças enormes sejam necessárias.

Bernardo – Não é novidade na franquia esse tipo de vestuário, há anos a série conta com diversas peças de roupas muito calientes e exageradas. Acredito que, como o infeliz erro de hipersexualização é antigo, chega a ser espantoso que só agora começaram esses grandes movimentos contra a presença de tais roupas no jogo. Só pra complementar: Se eu acho desnecessário? Acho, mas deixa (dededededededededededeixa os garoto brincá) os devs trabalharem, no final das contas isso é só um vídeo jogo.

Júlia – Para mim o que falta é bom senso, ok colocar roupas alternativas que ~supostamente~ deveriam ser um reflexo da personalidade e cultura do personagem, mas falta o mínimo de adaptação para a situação em que eles se encontram. Eles não estão vestidos para um evento social ou coisa assim, eles estão ali para lutar e quebrar uns ossos, a roupa da Laura é a representação perfeita do que você NÃO deve usar em um combate, mas é Street Fighter, né? Não é a primeira ou a última vez que esse tipo de coisa vai acontecer.

André – Depois de passar umas 50 horas vendo a bunda do Snake, não me sinto particularmente desconfortável com personagens em trajes desse tipo. Mas isso é só um pensamento meu. Claramente tem um exagero na sensualização das personagens femininas. Resta saber se a solução é fazer a Laura lutar de burca ou abrir a possibilidade de personagens masculinos também serem mostrados com roupas que agradem mais o público feminino. Claro que personagens de games não são objetos de “sensualidade” e nem devem ser vistos como tal. Mas em uma sociedade que transforma o corpo em mercadoria e idolatra tanto um padrão de beleza, fica impossível fugir disso em qualquer tipo de mídia. Basta ver os filmes e clipes musicais.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.

  • Daniel Wackers

    Os dois lados da moeda geram receita pra desenvolvedora, cabe a ela pensar em uma forma de resolver sem prejudicar nenhum. O unico porem é que na hora das discussões ambos enxergam somente seu umbigo e ninguém pensa de fato na solução, é sempre a velha história do ou é 8 ou 80.