Desenvolvendo no Brasil: Andre Chagas

sarah

Mais uma sexta de Março, mais uma entrevista com caras conhecidas do desenvolvimento nacional. Semana passada a conversa foi com Glauber Kotaki, artista de Rogue Legacy, e hoje foi a vez de conversarmos com um desenvolvedor, cujo primeiro game de sucesso acabou de ser publicado oficialmente o Steam.

Andre Chagas é o dev por trás do recém-lançado Dreaming Sarah, um jogo de plataforma não-linear para PC feito por ele e apenas mais dois amigos. Ele também já deu aulas de Construct 2 no Rio de Janeiro, e falou tanto sobre o lado didático quanto o prático de seus trabalhos, e seu futuro com o Asteristic Game Studio.

PlayerTwo: Depois de dois anos de produção a versão completa de Dreaming Sarah finalmente foi ao ar (ainda que em beta). Como é fazer um game dessa magnitude com apenas dois colegas?

Andre Chagas: Foi uma das melhores experiências que eu já tive em toda minha vida! Acho que nunca teria aprendido tanto se não tivesse trabalhado nesse jogo. Fiz grande parte dele sozinho, mas tive a ajuda de dois grandes colegas com a música e um pouco da arte – sem eles nunca teria conseguido dar o pontapé inicial pra levar o jogo adiante.

P2: Quão difícil (e gratificante) foi passar pelo Greenlight e publicar seu jogo no Steam? Você contou com alguma ajuda?

Andre: Eu fiquei sabendo do Greenlight no dia que ele saiu, e nessa época o Sarah (como eu gosto de chamar ele) ainda não passava de um protótipo. Só havia uma área (a da lava), e um puzzle. Tudo era bem simples e curto, e eu tive muitos comentários negativos por causa da arte (muita gente não vai com a cara de pixel art), mas como na época adicionar um jogo ao Greenlight era grátis, não vi problema em adicionar o jogo lá – tanto que o próprio FAQ dele mencionava que eles aceitariam protótipos e jogos ainda em produção. Demorou um bom tempo depois disso, mas o jogo acabou entrando por insistência! A ajuda que tive foi do pessoal que positivou o jogo e me apoiou pra que eu continuasse trabalhando nele.

sarah1

P2: A versão final de Dreaming Sarah ficou muito distante do protótipo que você havia imaginado no início da produção?

Andre: Não muito – desde o início eu quis basear o Sarah em outro jogo, chamado Yume Nikki. Nesse jogo não há um objetivo certo ou história – você deve desbravar os sonhos de uma garota chamada Madotsuki, e após conseguir 24 itens, você vê o fim. É simplista ao extremo mas isso me chamou muito a atenção porque, no final das contas, quem dava história ao jogo eram os próprios jogadores, deduzindo ela se baseando em objetos do cenário, eventos que aconteciam e coisas do tipo. Algumas pessoas passaram pela mesma coisa jogando o Dreaming Sarah, e nada poderia me deixar mais contente!

P2: Em algum momento durante a produção você desanimou do projeto? O que te levou a não desistir?

Andre: Nossa, diversas vezes! O que me manteve otimista de que eu iria conseguir foram minha família e meus amigos. Acho que a parte mais importante da produção de algum jogo é mostrar ele pro mundo – eu nunca teria chegado aonde cheguei se tivesse mantido ele em segredo só pra mim.

P2: Com esse projeto finalizado, como fica seu futuro? Pretende continuar desenvolvendo sozinho?

Andre: Pretendo usar o que aprendi fazendo o Sarah pra continuar fazendo jogos de forma independente, mas também pretendo usar ele de currículo pra procurar algum trabalho mais seguro na área. Tenho vários outros protótipos que desejo levar pra frente também (alguns postados no site do estúdio, http://asteristic.com) e com um emprego mais seguro ficaria mais tranquilo de trabalhar neles.

construct

P2: Você já lecionou um curso de Construct 2 no Rio. Como era a procura por ele e o conhecimento prévio dos alunos?

Andre: Lecionar o Construct 2 foi incrível! Tenho uma paixão infinita por esse programa. O conhecimento prévio dos alunos era praticamente nulo, mas isso não atrapalhou pra que eles pudessem sair de lá com alguns protótipos dos jogos que eles queriam fazer graças a facilidade que é mexer nele.

P2: Ainda nesse tópico, como você vê a importância desses cursos menores de game design?

Andre: Assim como qualquer outro curso, o que eu acho mais importante é que cada aluno leve o que aprendeu pra casa e continue estudando por conta própria, no tempo livre. Hoje em dia fazer jogos é bem menos complicado que antigamente, e com programas como Construct 2, Multimedia Fusion e Game Maker (usados em conjunto com o Google pra tirar dúvidas) eles poderão aprender mais da prática do que a teoria.

P2: Qual o primeiro passo que um novato deve dar para ingressar nesse mercado, na sua opinião?

Andre: Acho que o primeiro passo seria aprender inglês, caso não saiba. Não existe uma só ferramenta ou linguagem de programação que possa ser usada sem o conhecimento de inglês, então isso acaba sendo o mais importante pra se saber antes de meter a cara no desenvolvimento de algum jogo. Tirando isso, sempre recomendo esse site pra iniciantes que é uma coletânea de ferramentas usadas para desenvolvimento de jogos ao redor do mundo. Eu recomendo o Construct 2, que usei pra fazer o Dreaming Sarah – ele é simples pra iniciantes, mas robusto pra quem já é acostumado a usar uma programação mais avançada.

 

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.