É melhor do que nada…

A frase tão comentada na última semana (proferida por Ben Judd e não por Keiji Inafune como se pensou no inicio, já que a fala surgiu numa tradução de um pronunciamento do desenvolvedor japonês feita por Judd, que adicionou, sabe-se lá com qual intuito, este elemento) é o ponto de partida para uma breve reflexão sobre o atual cenário da indústria de games mundial e de uma de suas mais recentes e curiosas categorias: Os jogos que são melhores do que nada.

Esse ‘novo’ tipo de produto tem como tendência o fato de jamais entregar tudo aquilo que o público esperava, sem necessariamente estar incompleto ou ser um game ruim, muito pelo contrário, podendo agradar boa parcela de seus compradores. Os motivos para um resultado abaixo do esperado são muitos e devem ser analisados com alguns exemplos recentes que tragam consigo parte destes elementos.

O Caso Watch Dogs

O mais velho de nossa lista, Watch Dogs teve status de revolucionário quando foi divulgado pela primeira vez na E3 2012, mas jamais conseguiu atender a tudo que havia sido esperado pelos compradores. Apesar disso, passou longe de ser um fiasco , tendo sido um verdadeiro sucesso financeiro para a Ubisoft.

Entretanto, mesmo com o sucesso comercial, o jogo cai rapidamente na excessiva repetição de missões. A história, além de fraca, não passa de mera desculpa para a ocorrência do jogo. Já os recursos de jogabilidade, aparentemente o grande diferencial do produto, trazem certas inovações, mas em momento nenhum atingiram o potencial que era esperado, principalmente no quesito das mecânicas Hackers.

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Pela temática e pela introdução, ainda que não perfeita, a um novo sistema de jogo, este é definitivamente um game que, apesar de criticado, é melhor do que nada (para empresa e para nós também), sendo talvez um dos melhores de seu tipo por valer, em certa medida, o investimento.

Além disso, com a missão de aperfeiçoar sua franquia, a Ubisoft anunciou recentemente Watch Dogs 2, game que promete polir os pontos positivos apresentados na primeira parte, corrigir os erros de seu antecessor e introduzir novas mecânicas ao jogador. Vale ressaltar que a ambientação e a narrativa da obra não terão, aparentemente, nada em comum com o primeiro volume, fator que deixa ainda mais clara a intenção da desenvolvedora francesa em tentar entregar algo realmente novo ao consumidor.

Star Wars Battlefront

Descendo alguns degraus no nível de qualidade vem Star Wars Battlefront, um jogo plenamente aceitável, mas declaradamente feito às pressas para ser lançado no mesmo mês do sétimo filme canônico da franquia. Os desenvolvedores já admitiram que a ausência de um modo história foi pensada com antecedência para acelerar o processo de desenvolvimento do game que, focado no multiplayer, caiu rapidamente na repetição e na falta de conteúdo. Entretanto, muitas das críticas poderiam ter sido evitadas, caso a campanha de Star Wars tivesse sido incluída, visto que mesmo os melhores FPS continuam a investir em enredos, contratando até mesmo atores reais para viver personagens marcantes, algo que não falta no universo criado por George Lucas.

Enfim, este jogo é melhor do que nada, principalmente para a Eletronic Arts, que aproveitou brilhantemente o momento criado em torno da franquia em dezembro passado, e vendeu algo entre 10 e 12 milhões de unidades até os primeiros dias de janeiro de 2016. Para o público, o investimento foi alto e trouxe pouco do esperado até o momento (visto que a empresa promete mais conteúdo, pago é claro), mesmo tendo garantido algumas horas de diversão antes e depois de conferir o Episódio 7.

Estes dois jogos refletem um pouco a nova tendencia do ‘É melhor do que nada”, que não está baseada na incompletude do produto ou em sua péssima qualidade, mas sim por estarem abaixo da relação esperado/prometido. Também vê-se a ausência de Mighty nº 9, pois acredita-se que um game de kickstater não tem o poderio econômico oferecido pelas grandes empresas que publicaram os jogos acima sendo, portanto, uma comparação um tanto desmedida. Sim, o novo game de Keiji Inafune não entregou o que todos esperavam e traz em si certos defeitos inesperados pelos compradores, especialistas e financiadores, que possuem, portanto, total autonomia para tecer suas críticas.