Autor: André Monsev Em: Especiais/ Microsoft/ Nintendo/ PC/ Sony Data: 17/03/2010 às 19:50
Tags: | distribuição digital
A Microsoft recentemente declarou que jamais tornaria verdadeira a possibilidade de se usar blu-ray nos seus Xbox. Segundo ela, o grande negócio agora é a distribuição digital. O que isso significa? Que compraríamos jogos pela internet, e então o baixaríamos de um servidor, para poder jogar. Tudo no mundo virtual. Bem como temos hoje em perfeito funcionamento no mundo musical.
O problema não é nem exatamente com a distribuição digital – que, a longo prazo, é uma ótima idéia – mas sim partir de um pressuposto de que essa mudança do “físico” para o “virtual” já há de ocorrer. Não é uma boa ideia, visto que somos uma geração que cresceu em meio de cartuchos e CD’s, simplesmente extinguir isso e nos dar arquivinhos hospedados em servidores não parece ser assim um tão bom negócio.
Por um lado, a distribuição digital é excelente no desenvolvimento de jogos e distribuição, quero dizer, atinge a bem mais pessoas (no entanto, elas tem de ter acesso à internet e, de preferência, com uma boa conexão) e além disso facilita e muito para a entrada dos produtores indies. Ou vocês realmente acham que, se não fosse por ela, Plants vs Zombies e Braid teriam sido lançados em DVD? Claro que não.
O grande X da questão é de esperar as pessoas se adaptarem. Isso acontece aos poucos, é lento, ninguém migra de uma coisa pra outra em um piscar de olhos. Eu compro muita coisa no Steam, acho excelente e vejo promoções absurdas lá, além disso, muitos jogos chegam bem antes lá então, em casos de ansiedade, vale a pena. As promoções, como eu disse, também são bem mais frequentes e surpreendentes. Jogos com menos de 1 ano de vida podem ser encontrados por 10 dólares nessas queimas.
Outro fator logicamente positivo para esse sistema de distribuição, é quanto à preservação do planeta. Na medida do possível, a não necessidade de produção de caixinhas; plásticos, impressões, pinturas – e também da mídia em si; os discos – ajudam bastante o planeta. É menos lixo que é criado, menos petróleo que é consumido, menos coisas para serem fabricadas. Ou seja, ecologicamente falando, é a melhor alternativa que temos.
Há mais um fator interessante de se pensar e entender o porquê da distribuição digital poder ajudar e muito ainda, que envolve, novamente, o espaço físico. Coisas ocupam espaço. E quando eu digo coisa, eu digo tudo que o peso não seja dado por megas ou gigabytes. Minhas prateleiras são abarrotadas de livros, jogos e DVD’s de filmes. Mas, eu consumo, eu gosto de ler, eu gosto de filmes e, o mais importante nesse caso, eu gosto de jogos. É inegável dizer que sinto um tremendo prazer quando chega a encomenda daquele jogo que eu estava tão ansioso, e ponho as mãos naquilo, e abro, e vem o cheirinho de novo. Abro a caixa, sinto o manual, é quase como sexo (ou não). Depois de, cego pela emoção, jogar por horas a fio, eu costumo me deparar com um pequeno problema: O QUE isso daqui vai substituir OU qual será o novo lugar do meu quarto que isso começará uma migração?
Esse problema é resolvido com a distribuição digital. Mesmo com receio de deixar minha tão valiosa biblioteca de jogos virtuais nas mãos da empresa do Gabe Newell, é interessante você ter algo e não precisar de um lugar físico para guardá-la.
E é através dessa idéia de distribuição digital que os jogos entram no fenômeno mercadológico desenvolvido e teorizado por Chris Anderson (editor chefe da revista Wired), denominado Cauda Longa. Posso dizer que essa é a maior contribuição dessa distribuição virtual. E é claro que vou explicar o que seria a Cauda Longa: a distribuição digital proporciona uma possibilidade nunca vista antes: de se vender um material que não ocupa espaço físico (como eu já disse aqui mil e uma vezes).
Vamos pegar o exemplo do iTunes: se, na época da loja de CD’s (físicos) só era lucrativo ter os que vendiam muito, que geralmente eram de pessoas famosas, no iTunes vale mais a pena ter de todos os artistas. Isso, pois o número de artistas independentes é tão, mas tão grande, que a soma da venda das músicas deles – que, individualmente, são pouco significativas – acaba se equiparando, mesmo financeiramente, com a quantidade de venda dos artistas famosos/celebridades. Ou seja, não é mais necessário vender algo que saia muito por semana. Mesmo se for um álbum que sai 1 a cada 3 meses, está valendo a pena pro iTunes, uma vez que não há espaço físico ocupado: ou seja, não custa nada, e ainda é uma venda repentina.
Aí, você pega todos esses milhões de artistas que vendem repentinamente e os soma, e então tem um resultado astronômico. Esse é o princípio dessa idéia chamada de Cauda Longa. Em resumo, dá para fazer uma comparação simples: 1 milhão de artistas que vendam 1 álbum cada um, e 2 artistas que vendam 500 mil álbuns cada um. Ambos dá um mesmo valor: 1 milhão, só muda a quantidade de artistas.
Com os jogos, não é diferente. Você pode ter à disposição pra venda, jogos que interessem a poucas pessoas, que sejam vendidos algo como uma cópia a cada 12 meses e, mesmo assim, isso não te trará prejuízo. Agora, se você colocar um jogo que vende uma cópia a cada 12 meses numa prateleira física de uma loja comum, aí…não espere bons resultados.
Em suma, é isso. Várias idéias expostas, muitos prós perante ao sistema de distribuição digital, mas de fato, algo impossível de simplesmente sair impondo aí. É necessário trabalhar as pessoas e esperar o ritmo delas.
15 Comentários em É uma boa hora para a distribuição digital?
Guri de Apê
março 17th, 2010 at 19:51
[Player Two] É uma boa hora para a distribuição digital? http://bit.ly/9L2auV
Player Two
março 17th, 2010 at 19:51
É uma boa hora para a distribuição digital?:
A Microsoft recentemente declarou que jamais tornaria verdadeira a p… http://bit.ly/9cNLRe
Rafael Lemos Camolez
março 17th, 2010 at 19:52
RT @PlayerTwoBR http://bit.ly/dyxUwx
Imprensa Gamer
março 17th, 2010 at 21:26
É uma boa hora para a distribuição digital?: A Microsoft recentemente declarou que jamais tornaria verdadeira a po… http://bit.ly/8ZUABH
André Monsev
março 17th, 2010 at 21:26
Saiu meu novo post sobre a distribuição digital nos games RT @PlayerTwoBR http://bit.ly/dyxUwx
Gabriel Guimarães
março 17th, 2010 at 21:27
Muito bom ! \o/ RT: @andremonsev: Saiu meu novo post sobre a distribuição digital nos games RT @PlayerTwoBR http://bit.ly/dyxUwx
Heliezer Soares
março 18th, 2010 at 08:42
Eu acho muito legal essa idéia. Tanto que o novo PSP agora é sim, certo? Nada de mídias físicas…
Contudo, e para quem mora em lugares que não tem boa conexão? No meu caso, eu moro em Belo Horizonte, num bairro movimentado e o meu quarteirão (Zona Fantasma) não tem banda larga pela Velox, GVT ou Net. Só tem via rádio e 3G. E pior, eu moro em Belo Horizonte… a 30 minutos do grande Centro, 10 minutos da PUC… ou seja, não moro em um lugar isolado. Só que o problema nem é o meu bairro, e sim o meu quarteirão. Colegas meus tem banda larga de 2, 4 MB e eu não. Já reclamei, fiz solicitações para a Oi mas eles também não se interessam…
Ou seja, eu tenho um PS3 mas não uso a live dele. Fico apenas nas mídias físicas, que alugo ou compro. Eu acredito que isso seja uma idéia, mas infelizmente a internet (banda larga mesmo) não é para todos… e isso por falta de interesse das prestadoras de serviço…
Rafael Lemos
março 22nd, 2010 at 00:13
É triste ver como a banda larga que mesmo crescendo bastante no Brasil ainda não engloba todos os interessados em possuí-la.
N-Blast Indica
março 21st, 2010 at 21:29
É uma boa hora para a distribuição digital? http://bit.ly/daidTL (via @PlayerTwoBR)
Icaro94
março 22nd, 2010 at 00:50
Heliezer, mas o PSP Go (esse novo do qual tu falou) é um bom exemplo de como o mercado ainda não está preparado para o comércio de jogos digitais apenas. O PSP Go está sendo um fiasco, vendendo (bem) menos que o PS2 (sim, vendendo menos que o console da geração passada), deixando-o em último lugar nas vendas de todo o mundo.
Heliezer Soares
março 22nd, 2010 at 13:22
Engraçado que no dia seguinte que eu postei esse comentário, a Velox me liga (depois de quase dois anos) dizendo que devido a minha solicitação (análise de viabilidade) eles disponibilizaram banda larga de 1 mega para o meu número. Ou seja, agora eu tenho banda larga. Contudo, um mega é pouco para o PS3, mas para quem tinha discada está de ótimo…
Contudo, achei a PSN ruim de mexer durante o dia. A noite é bem mais tranquilo, dá para baixar bem rápido. Tanto que consegui demo de três jogos já… (e com uns 10 na espera)…
Mas, aí que está. Na Playstation Store você compra jogos e outros produtos. Só que ela não existe no Brasil. Ao fazer o cadastro, eu posso colocar o lugar que estou como Brasil, mas não existe a loja virtual da Sony aqui. Está certo que a Sony veio para cá no final do ano passado, mas eu me pergunto se e quando tiver a Playstation Store aqui, qual será o preço dos jogos e se teremos um serviço de “qualidade” igual a dos EUA ou países da Europa.
Blau
março 24th, 2010 at 12:17
Jogos com menos de 1 ano de vida podem ser encontrados por 10 dólares nessas queimas…
Nao vejo vatagem já que 10-15€ é o que pago num jogo, por ex o infamous ps3, paguei 15€. Nao vejo vantagens alguma em distribuir digitalmente… a nao ser é claro, no caso dos indies e jogos de portes parecidos.
Abraco.
@andremonsev
março 24th, 2010 at 17:02
É…mas, por exemplo, o Mass Effect 1 tava 20 dólares normalmente, e baixou pra 7 dólares numa promoção próximo ao final do ano passado. Creio que isso seja uma diferença significativa, não?
E aqui não pagamos o equivalente a 15 euros num jogo…infelizmente. Nem quando ele é usado (a não ser que seja um My Horse and Me usado sem caixinha)
Gustavo
abril 5th, 2010 at 23:08
Distribuição digital é um ótimo negócio, mas no Brasil, é excelente. Simplesmente porque aqui, onde temos os impostos de importação ou de produção interna de supérfluos mais altos do mundo, todo arquivo online é 100% tax-free. Depois de ter comprado Orange Box por 22 reais, Mirror's Edge por 9, enquanto as lojas ainda vendem por 60, 80, 100, não tem como não dar suporte.
Além de seus benefícios secundários. Jogos como L4D e TF2 recebem uma massiva quantidade de updates que só seria possível com jogos eternamente ligados a um sistema de distribuição online. O Day of Defeat Source passou por tantos updates que após instalar pelo DVD ainda é necessário baixar metade dos arquivos. Isso além de aumentar a quantidade de conteúdo oferecido ao jogador, ainda é um bom estímulo para largar a pirataria. Não é a toa que a Steam sozinha já tem mais de 25 milhões de contas.
@andremonsev
abril 19th, 2010 at 02:27
Concordo com tudo que tu disse cara