Estudantes de games contam as expectativas sobre a profissão no Brasil

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Neste mês especial dedicado ao Brasil, já vimos os principais personagens e representações do país no mundo dos games, conversamos com desenvolvedores experientes que trabalham no exterior e agora falamos com quem está no início dessa jornada. Felipe Jun e Murilo Romera, estudantes da área de games, contaram quais são as expectativas e os horizontes do mercado de trabalho para brasileiros.

O que se vê na faculdade

Quem tem a pretensão de ingressar em um curso deve ter em mente que não há apenas disciplinas técnicas na grade curricular. Além de programação, modelagem 3D, desenhos, animação e outras, é necessário estar preparado para matérias mais abrangentes.

Murilo, que estuda Tecnologia e Jogos Digitais na Faculdade de Tecnologia de São Caetano do Sul, lida com temas como comunicação e expressão, ficção interativa, roteiros, animação e som, cognição e comportamento. Felipe, que faz design de games na Universidade Anhembi Morumbi, conta que estuda também antropologia, desenvolvimento humano e social, empreendedorismo e sustentabilidade.

Expectativas

Ele revela que não tinha certeza de sua decisão quando pensou em ingressar no curso. “Acho que acabei escolhendo porque acreditava, e ainda acredito, que podia fazer a diferença na vida de alguém e mostrar que jogos têm muito mais a oferecer do que parece”, afirma Felipe Jun.

Já Murilo vê com otimismo as possibilidades de crescimento na área. “O mercado possui muito espaço para crescer em diversos lados, vejo diversas possibilidades de carreira tanto em startups quanto em grandes empresas”, analisa o estudante. “O legal é que pelo mercado ser pequeno ainda, o pessoal ativo em eventos da área é sempre a mesma galera, o que ajuda em fazer novas amizades e em construir um mercado melhor”, acrescenta.

Todos os caminhos levam a Roma

A universidade, porém, não é o único caminho para se tornar um desenvolvedor, e há outras maneiras de aprender sozinho a criar jogos. “Com tantos cursos online e a proatividade rolando à solta, qualquer pessoa pode ser um developer, ainda mais se você considerar que dentro do mercado você tem programadores, artistas, modeladores, músicos, game designers, engenheiros de som… São N caminhos”, constata Murilo.

Felipe concorda com a diversidade de meios para se tornar um profissional. “A própria internet consegue te ajudar a desenvolver um jogo. Muitos tutoriais são até oferecidos pelo próprio site dos programas 3D e pessoas no YouTube ajudam na produção. Não será fácil, mas é possível”, disse ele, que, entretanto, crê na vantagem de se estudar em um curso formal. “Na faculdade, eles fornecem apoio e ajuda nos projetos, afinal os professores têm experiência na área e sabem as exigências do cliente”, arremata ele.

A profissão

Cursar essa área pode ser muito divertido, mas nem tudo são rosas para quem quer desenvolver games. “O primeiro semestre desse curso prova que você não faz o jogo para si, mas sim para alguém”, avisa Felipe. “Muitas pessoas têm uma noção errada do que é ser um game designer e acabam sendo iludidas de que irão fazer ‘o seu jogo’. O problema é que não é para você, mas para outras pessoas e, querendo ou não, elas que irão pagar pelo jogo que elas querem”, acrescenta.

Por outro lado, Murilo Romera ressalta a liberdade que se tem para desenvolver. “Minha expectativa é de que seja uma profissão divertida pelo fato dos ambientes serem descontraídos e pela liberdade de expressão e criatividade”, conta ele, mas também alerta a quem quiser embarcar na jornada: “Depois que você cursa jogos, você toma a pílula vermelha: Você nunca mais vai ver os jogos como antes, porque vai passar a entender como que tal coisa foi feita, programada ou pensada”.

O que mudou com a faculdade

O otimismo de antes da faculdade não mudou, mas ambos admitem um certo amadurecimento após ingressar no curso. Para Murilo, a decepção foi ver que o curso não tinha nada de arte, mas a surpresa veio ao descobrir que podia fazer músicas para games, e também programar. “É uma das melhores áreas para se estudar por abranger tanto exatas, como programação, quanto humanas, em roteiros, game design, som, arte”, ressalta ele. “Agora tenho certeza de que é muito mais difícil de se fazer um jogo e requer muito esforço, mas vale a pena”, conclui Felipe.