Existem jogos que envelhecem como o vinho

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Ultimamente eu ando tendo dias sabáticos e venho procurando me redimir de alguns dos mais graves pecados que já cometi em toda minha vida gamer. Como um fã de jogos que se preze nunca havia se aventurado por The Legend of Zelda: Ocarina of Time, Shadow of the Colossus ou Metal Gear Solid 3: Snake Eater?

Seja por empréstimo, baixando na PSN ou comprando a versão HD, consegui jogar diversos clássicos que por uma série de motivos eu nunca havia tido a oportunidade de experimentar. Essa onda teve início quando comecei Chrono Trigger, coincidentemente aos 20 anos de lançamento do game. Descobri que o RPG lendário feito pelo dream team do desenvolvimento de games envelheceu muito bem e se mantém atual após duas décadas.

É muito interessante jogar a sério pela primeira vez um game antigo. Mesmo um game de pouco mais de 10 anos atrás. A evolução da indústria é muito perceptível e também muito rápida. E há muita diferença em revisitar um game clássico e jogá-lo pela primeira vez, pois o fator nostálgico não interfere na análise fria. Talvez por isso o que eu vou dizer acabe machucando os corações de muitos leitores: o tempo foi cruel com Metal Gear Solid 3: Snake Eater.

Estamos vivenciando o lançamento de MGSV: The Phantom Pain que, na minha humilde opinião, é um dos games do ano. Admiro muito a franquia e tenho uma grande simpatia pelos jogos de stealth. Mas me vi diante de um título que claramente inovou muito em 2004, mas está visivelmente ultrapassado. Não digo pelos gráficos. Esse quesito está fora de cogitação nesse texto todo. Mas a jogabilidade de Snake Eater para quem não o aproveitou na época é sofrível hoje em dia.

Por outro lado, Ico, de 2001, e Shadow of the Colossus, de 2005, poderiam ter sido lançados hoje. Os títulos são exuberantes – mesmo na questão gráfica – e de uma profundidade ímpar. A jogabilidade se mantém atual e não atrapalha de forma alguma a imersão. Ambos os games ajudam a fomentar a expectativa gerada por The Last Guardian.

Por último, mas definitivamente não menos importante, Ocarina of Time. Eu fui de PS1 naquela geração e acabei não tendo a oportunidade de jogar esse clássico dos clássicos, mesmo sendo Zelda uma das minhas séries prediletas. O sistema de combate que revolucionou os games tridimensionais já está bem enferrujado, mas a trava de mira de Ocarina of Time ainda serve de base para todos os games de ação atuais, desde Arkham Knight até The Witcher 3, passando por Assassin’s Creed. 17 anos depois, o jogo segue sendo épico mesmo em tempos de mundos abertos desconcertantemente grandes.

Não tenho a pretensão de que esse texto tenha o status de verdito para nenhum desses games, até porque são apenas as impressões de alguém que não os jogou na época e agora resolveu se enveredar por eles. Mas espero que seja interessante para quem teve a experiência saber como alguém imune à nostalgia recebe esses títulos. Afinal, há jogos que envelhecem como o vinho bem como outros que o fazem como uma fruta.