A febre dos jogos espaciais

Quando o homem pisou na Lua pela primeira vez, no dia 20 de julho de 1969, o espaço sideral, que já era um mistério intrigante para a humanidade, passou a habitar definitivamente o imaginário popular, o que veio a se refletir na década que se seguiria a esse acontecimento histórico.

Assim como o mar já fora um grande desafio para os exploradores europeus há centenas de anos e tornou-se tema de diversos livros, poemas e histórias da época, o universo também aguçou a curiosidade dos produtores de entretenimento. Durante toda a década de 1970 e o começo dos anos 80, a febre era o espaço sideral.

Foi nesse contexto que surgiu o primeiro filme da célebre franquia Star Wars, em 1977, dirigido por George Lucas. Dois anos depois, a série de TV americana Star Trek ganhou seu primeiro longa-metragem, e, no mesmo ano, o clássico Alien: O Oitavo Passageiro foi lançado. Outro marco na cultura pop relacionado ao espaço foi o disco mais famoso do Pink Floyd, Dark Side of The Moon, de 1973.

É claro que nos games o panorama não era diferente. Essa febre se manifestou apenas em 1978 com o lançamento do célebre árcade Space Invaders, que viria a se tornar um dos maiores clássicos da história. Os carismáticos alienígenas que desciam pela tela em zigue-zague deram o pontapé inicial para uma verdadeira enxurrada de jogos inspirados na temática espacial.

No ano seguinte, foram lançados o minimalista Asteroids, jogo de tiro simples no visual mas complexo na mecânica; o colorido Galaxian, que mais parecia uma cópia de Space Invaders; e o sério Lunar Lander, que buscava simular o pouso de uma nave na Lua de maneira relativamente realista. Uma tríade de peso que acrescentou muito ao gênero dos jogos espaciais, apesar de diferentes entre si.

O mercado de arcades dependia sempre de novidades e inovações constantes para manter os jogadores torrando fichas e mais fichas em máquinas. Essa necessidade foi suprida com sucesso em 1980, com o lançamento de Defender, do virtuoso Eugene Jarvis, que inaugurou a jogabilidade side-scrolling num game espacial. Nesse mesmo ano, surgiram também Tempest, da Atari, e Phoenix, da Armstar.

Seguindo os passos de Galaxian, a Namco desenvolveu Galaga em 1981 e inspirado por seu primeiro sucesso, Eugene Jarvis fez Stargate, aprimorando vários conceitos. Nesse ano, no entanto, as novidades ficaram por conta de Gorf, um jogo que trazia fases diferentes, o que foi uma surpresa para a época. Os estágios, no entanto, eram baseados em games anteriores do estilo.

Talvez pela falta de inovações concretas, o boom dos jogos espaciais perdeu força e a indústria começou a dar sinais de que precisava de mudanças. Nos anos seguintes, jogos como Gravitar (1982), Star Wars (1983), Gyruss (1983), Mad Planets (1983) e Gradius (1985) foram lançados, mas o cenário não era tão animador quanto em tempos anteriores. Após a aparição do NES com seu encanador bigodudo, a tendência passou a ser games de plataforma com cores vibrantes em detrimento do preto do espaço que dominava os arcades.

Apesar de uma certa decadência a partir de então, as aventuras interplanetárias sempre se mantiveram presentes, tanto nos games quanto no cinema e na literatura. As artes em geral sempre foram obcecadas pelos mistérios da vida, e isso se verifica perfeitamente na febre espacial que tomou conta desse período.