Fotorrealismo ou criatividade artística?

VizionEck

Quanto mais a tecnologia avança, mais potentes ficam as máquinas, mais alucinantes as velocidades de processamento e mais belos os gráficos dos videogames. Hoje em dia, qualquer desenvolvedora independente consegue realizar façanhas e entregar jogos mais realistas do que os grandes blockbusters de dez ou quinze anos atrás.

No entanto, a banalização dos super gráficos está causando um movimento contrário na indústria. É tão fácil ver games hiper realistas que essa já não é uma característica tão atraente para os consumidores. Quando todos os jogos parecem ser tão iguais, são justamente os diferentes que se sobressaem e se destacam, chamando a atenção dos jogadores.

Os olhos cansados de observarem repetidas tentativas de reproduzir fielmente a vida real se surpreendem ao deparar-se com conceitos inovadores, que fogem completamente da tônica realista em que vivemos. Basta comparar dois lançamentos previstos para o fim desse ano.

Call of Duty: Advanced Warfare promete entregar gráficos mais realistas do que o antecessor, que prometia a mesma coisa em relação ao seu antecessor, e assim por diante. É claro que será muito divertido acompanhar essa evolução técnica nos visuais e nas mecânicas do jogo. Porém o deleite é muito maior ao vislumbrar VizionEck, o FPS exclusivo de Playstation 4 que deve ser lançado ainda em 2014.

Ambos são jogos de tiro em primeira pessoa com enfoque no multiplayer competitivo e na ação. Mas enquanto um deles se limita a imitar continuamente o mundo real, o outro imerge o jogador em um universo alternativo, completamente abstrato e nem um pouco parecido com a nossa realidade.

Não quero dizer que Call of Duty vai fazer menos sucesso. Com certeza não vai. Mas é surpreendente o modo com que VizionEck capturou a atenção da imprensa especializada e dos gamers. CoD pode ter mais fãs, mas certamente o jogo tímido e surreal causa muito mais curiosidade do que a grande montanha de “mais do mesmo” em que a indústria de games se enterrou.