Games baseados em filmes: Qual a razão dos inúmeros fracassos desse estilo?

kingking

ET, King Kong, Batman Begins e Matrix: filmes que fizeram muito sucesso. Matrix,  por exemplo, foi considerado um marco na indústria dos longa-metragens, pois aplicou novos processos de produção e abordou de maneira profunda e filosófica a relação entre homem e máquina. Entretanto, além do sucesso, essas obras partilham de um mal em comum: sua adaptação para o mundo dos games.

O mais conhecido fracasso deste estilo de jogo é o infame ET: The Extraterrestrial. A Atari pagou na época uma fortuna pelos direitos autorais. Com o o sucesso do filme, a empresa pensou em apostar em uma campanha de natal que oferecesse o jogo. Entretanto, os programadores tiveram que lidar com uma data apertada para finalizar o projeto e com a pressão da empresa, que estava ávida pelo sucesso comercial do produto. O resultado só poderia ser ruim.

O game era péssimo, ninguém entendia realmente qual era o propósito do título. As vendas foram igualmente desapontadoras e assim nasceu o projeto de enterrar os cartuchos não vendidos no Novo México. Essa história ficou famosa, virou um símbolo da crise de 1983 e se tornou o único motivo por qual o jogo ainda é lembrado. Mas o que faz com que bons filmes se tornem jogos detestáveis?

Os fatores são inúmeros, mas podemos apontar alguns que se fazem se sentir de maneira mais intensa. O primeiro é a falta de conexão com a obra em si. Tomemos como exemplo King Kong: The Official Video Game. Para criar algum desafio considerável no game os produtores resolveram criar inimigos totalmente aleatórios, como, por exemplo, um enorme caranguejo gigante. O filme, apesar de se passar em uma ilha, não apresenta sequer a figura do crustáceo como algo relevante. Não existe problema em criar novos perigos e desafios, desde que se respeite um pouco a originalidade da obra, quem joga logo percebe o absurdo e acaba estranhando a experiência pois os oponentes, situações e cenários se tornam genéricos e estranhos à ambientação.

lego

Um segundo fator está relacionado ao fato de as produtoras almejarem sempre aproveitar o sucesso do filme. Normalmente a empresa estabelece curtos espaços de tempo entre a negociação de direitos para a realizar a produção e a data de lançamento. Pela necessidade de lançamento perto da data do filme, vários conceitos são, por vezes, abandonados. Entretanto, não se pode dizer que só o prazo apertado é a causa da baixa qualidade. O conceito de investir pouco e vender às custas do sucesso comercial da obra cinematográfica também está presente. O objetivo, portanto, é obter um lucro fácil e dobrado, já que na maioria das vezes as empresas que lançam os jogos são, ou tem alguma conexão, com as responsáveis pela distribuição dos longas.

Mas nem tudo são espinhos. Séries como LEGO – que recria sagas como Star Wars, Piratas do Caribe, Harry Potter e Senhor dos Anéis -, o clássico Goldeneye 007 e o recente Mad Max se aproveitam dos elementos criados pela película e criam uma abordagem diferente e interessante. LEGO lança mão dos elementos do universo do filme e os combina com a narrativa bem humorada da série, tudo sem falar uma única palavra. Goldeneye 007 teve tempo de sobra para ser polido, pois foi lançado mais de um ano após estrear nas telonas, e revolucionou o gênero FPS nos anos 90, servindo de inspiração para muitos jogos de tiro até os dias de hoje. Já Mad Max, que também não saiu junto do filme, propõe se utilizar dos elementos já criados e combinar com uma narrativa em mundo aberto.

O segredo não é abandonar o estilo, mas sim investir na criatividade, sempre respeitando a ambientação da obra original. Simplesmente copiar estritamente o que há no filme é inconcebível. Meios diferentes requerem conceitos diferentes. No entanto, ignorar os aspectos básicos da película e introduzir elementos genéricos para simplesmente “fazer volume” afasta tanto fãs de games quanto aqueles que gostam da versão para o cinema. Eis aqui o grande desafio das empresas. Será que elas conseguem resolver a questão? Será que existe um interesse real em encontrar uma solução? Ou existe somente um interesse em lucrar duas vezes com o mesmo produto?

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