GTA V: um novo jeito de contar histórias

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Já pensou se pudéssemos trocas de corpo com outra pessoa? É difícil imaginar esse tipo de coisa, já que estamos sempre acostumados a viver uma única vida, mesmo dentro do universo cheio de possibilidades do videogames. A Rockstar, entretanto, resolveu mudar o jeito de se contar histórias ao lançar o tão esperado Grand Theft Auto V com três protagonistas simultâneos.

Pode não parecer uma mudança tão drástica a princípio, mas é só depois de algumas horas de jogatina que é possível notar como a narrativa ficou diferente pelo simples fato do jogador não estar preso na pele de um único personagem. Seja em livros, filmes, séries ou nos videogames, as histórias são contadas, geralmente, através de um protagonista que assume o papel de refletir o leitor ou o jogador.

Nós estamos tão acostumados com isso que nos identificamos com ele e passamos a observar tudo sob seu ponto de vista. Tanto é que mesmo quando o herói está errado ou não tem o menor caráter, nós não deixamos de “torcer” por ele.

Quando jogamos The Legend of Zelda, não só controlamos o Link, mas nos sentimos como ele. A partir do momento em que existem três protagonistas, não há como se identificar e a imersão perde muita força. Essa ilusão tão característica dos videogames se esgotou um pouco, contudo a narrativa em si ficou mais dinâmica em GTA V exatamente graças a esse aspecto.

Cada um dos personagens tem seus dilemas, seu lado psicológico tão complexo quanto o de qualquer pessoa e isso acrescenta muito para o fator replay do game. Não tem como parar de jogar enquanto não solucionar os problemas dos protagonistas. A única diferença é que, nesse caso, o jogador é um elemento externo e não está na pele de nenhum dos três.

Sempre houveram games com modo cooperativo e vários personagens sendo controlados, mas dessa vez a sensação de acompanhar vidas distintas foi potencializada. Sem falar nas implicações que isso tem na jogabilidade. Poder manipular outras pessoas no meio de uma missão é extremamente útil e permite golpes nunca antes imaginados em outros jogos da série.

Outra mudança importante no novo GTA é que ele está cada vez mais se tornando um jogo de gêneros mistos. É possível aprimorar os atributos dos personagens para obter resultados melhores nas missões, exatamente como em um RPG. A direção está tão boa quanto em qualquer jogo de corrida – exceto quando é necessário atirar enquanto dirige, o que ainda é um pouco travado – e as cenas de ação estão muito fluidas, melhores que em muito game de tiro.

Claro que existem certas limitações, como os mini-games. Jogar tênis no GTA não é tão bom quanto em um jogo especializado como Top Spin por exemplo, mas ainda assim a experiência é bem satisfatória. Os tiroteios e as batidas de carro estão bastante realistas, especialmente em relação ao antecessor, mas ainda podem melhorar. Talvez esse seja o máximo que a geração atual pode nos proporcionar. É um desfecho e tanto.

Com uma Los Santos vibrante e cheia de vida, animações suaves, dublagens perfeitas – e legendas em português incríveis – e um nível surpreendente de realismo, a Rockstar está explorando as fronteiras do gênero sandbox e parece ainda não ter alcançado seus limites. Não se sabe como será o próximo GTA, mas vai ter de suar muito para superar essa obra prima.