Interatividade: o que une GTA V e Pong

Desde que o primeiro pixel controlado por uma pessoa se moveu num tubo de raios catódicos, os videogames evoluíram de maneira rápida e vertiginosa até um nível nunca antes imaginado, tanto em questões tecnológicas quanto culturais. A única característica em comum entre todos os jogos já desenvolvidos é a interatividade. Para ser um game, o requisito mínimo é a possibilidade de ser controlado e, portanto, jogado. É esse aspecto que o separa de outros produtos de entretenimento e o coloca um passo adiante em muitos quesitos.

A imersão de um jogo é inegavelmente maior do que a de um filme, pois você não apenas assiste à história; você faz parte da narrativa, está inserido nela de maneira inseparável. Diferente do leitor, do ouvinte ou do espectador, o jogador é parte integrante da mensagem transmitida. É claro que esse aspecto quase catártico é influenciado por fatores como a qualidade sonora, capacidade visual e limitações tecnológicas que implicam em maior ou menor realismo por parte do game.

As consequências disso podem ser tanto negativas como positivas. Ao longo dos anos, o apelo interativo foi um dos maiores motores que impulsionou a popularização dos jogos. Hoje a indústria de games, apesar de não ter o glamour da cinematográfica, é muito maior que esta e ocupa grande espaço na cultura pop desde o fim dos anos 80, sempre tendo perspectivas de crescimento.

Por outro lado, o choque de gerações causado por essa expansão repentina acabou gerando um preconceito que se estabeleceu em várias camadas da sociedade. Videogame é coisa de criança, torna as pessoas violentas, é desperdício de tempo, faz mal pra vista… quem nunca ouviu essas e outras barbaridades vindas de pessoas que nem conhecem o universo dos jogos?

Aos poucos, os games estão quebrando algumas barreiras e se consolidando cada vez mais como um dos elementos lúdicos mais populares do mundo. Recentemente, GTA V quebrou vários recordes do entretenimento e colocou a indústria num patamar ainda mais elevado. E essa história toda começou com a remota possibilidade de interagir com alguns borrões de píxels por meio de joysticks há várias décadas. O céu é o limite.