Os jogos de aventura em texto

oregon trail

Os jogos de aventura são muito variados e atingem desde o público infantil mais iniciante até os jogadores hardcore mais calejados e experientes. Esse é um dos gêneros que mais evoluiu e se transformou ao longo dos anos e, talvez pela abundância de adventures com gráficos bonitos e coloridos, é difícil acreditar que esses games já foram todos em texto, como verdadeiros livros interativos.

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante, antes mesmo de o Magnavox Odyssey, primeiro console caseiro, ser lançado, o gênero de aventura em texto já era relativamente popular. As origens obscuras desse estilo remontam ao início da década de 1970. Enquanto o Brasil amargurava os anos de chumbo e a Inglaterra sacudia ao som do Led Zeppelin, alguns estudantes americanos jogavam videogame durante as aulas de história. The Oregon Trail a princípio foi um software de cunho educativo para alunos de uma universidade em Minessota.

Desenvolvido em 1971 por Don Rawitsch, The Oregon Trail consistia basicamente em um jogo por turnos que apresenta, por meio de textos, o que acontece e oferece algumas opções de ação para o jogador escolher o que fazer. Toda a trama é baseada nas decisões feitas e é preciso ter muita sabedoria para administrar recursos e conseguir avançar. Apesar de não parecer muito atraente, o game foi amplamente utilizado em salas de aula.

Em 1976, o programador Will Crowther desenvolveu despretenciosamente um jogo chamado Colossal Cave Adventure, mais tarde descoberto e ampliado por Dan Woods. Baseada em texto, a aventura apresentava exploração de cavernas e tinha muitos elementos das narrativas de Tolkien. O sucesso foi imediato, e o game ganhou versões para Apple II, Commodore 64, Osbourne I, MSX e todas as máquinas da época.

Um dos primeiros jogos do gênero a não depender de texto foi Adventure, lançado em 1979 para Atari. Os títulos escritos, no entanto, continuaram a ser lançados na década seguinte. Um dos destaques foi Eamon, de 1980, que permitia os jogadores desenvolverem aventuras próprias. Com isso, uma comunidade de fãs nasceu e várias pessoas faziam histórias e as trocavam por meio de disquetes, muitos anos antes da febre das redes sociais.

Outro jogo de aventura em texto digno de nota foi nada menos que uma adaptação de O Hobbit para computador, feita em 1982. Como a aventura de J. R. R. Tolkien é longa, acabou se adequando perfeitamente aos games. Para quem já estava acostumado com os livros, um texto interativo era uma experiência diferente e agradável, e para os jogadores do gênero, o romance era muito mais envolvente que a maioria dos títulos disponíveis.

Vários outros games foram lançados nessa mesma época. MUD (Multi User Dungeon) foi praticamente um MMORPG em texto, que permitia a interação entre os jogadores. Adventureland, de 1978; Pirate Adventure, do mesmo ano; e Mystery House, de 1980 representam alguns dos expoentes desse estilo que teria uma brusca decadência após o lançamento de The Legend of Zelda, para o NES, em 1986. Com o surgimento de adventures “com imagens”, os jogos de texto foram esquecidos com o tempo.

Hoje em dia, ainda existem alguns raros exemplares desse escasso gênero como o cyberpunk de texto Cypher, lançado em 2012, ou a versão de Skyrim para calculadora. Apesar disso, essas são exceções, e os games escritos acabaram ficando num passado muito distante, ofuscados pelo brilho dos gráficos dos jogos atuais.

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  • luigiol

    Eu uso um aplicativo no iPad que chama Frotz (tem pra iOs e Android). Ele é uma plataforma pra adventure de texto: você entra no catálogo interno, baixa os adventures que você quiser e joga lá mesmo. Ele tem um catálogo absurdo de jogos, praticamente todos em inglês (acho que me sairia melhor se fossem em português)