Hora de levar os jogos a sério

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Não é de hoje que pessoas da geração passada vêm mostrando certo preconceito com os jogos eletrônicos e, muitas vezes, acabam por achar que eles são um mal que precisa ser imediatamente eliminado. Mesmo com o crescente mercado de jogos no Brasil – algo que há 5 anos parecia ser um sonho distante -, a ausência de incentivo por parte da mídia (vide uma das últimas reportagens do Fantástico sobre games), falta de comunicação e, principalmente, informação, se mostra um divisor de águas para algo que pode ser usado para bens muito maiores.

Um dos principais fatores para a abolição dos jogos é a quantidade de títulos violentos que são facilmente encontrados no mercado e que, de acordo com o dito popular, podem influenciar negativamente os jovens. Sem entrar no mérito que, em teoria, cabe aos pais saber o que seus filhos jogam ou deixam de jogar, estudos conduzidos na Universidade de Oxford e Universidade de Ryerson, por exemplo, mostraram resultados totalmente contrários a essa afirmação. Ainda no assunto, outras pesquisa ainda alega que tais jogos possuem “um efeito calmante em alguns dos adolescentes estudados, ajudando a reduzir seu comportamento agressivo e provocador do bullying“. Pasmem.

Dentre todas as adversidades, ainda existem aqueles que sabem o potencial que um simples jogo pode oferecer, ainda mais quando usado para o bem alheio. Muitos creem que tais invenções foram feitas apenas para deixar crianças viciadas, com baixos rendimentos escolares e, como dizem os mais velhos, “estragar a TV”, quando na verdade esses mesmos jogos já foram capazes de mudar a vida de muitas pessoas.

Um bom exemplo disso é uma maratona de Speedruns que acontece todo ano. O termo já fora citado aqui no blog algumas vezes e até com outros nomes, mas o objetivo é o mesmo: juntar os mais dedicados speedrunners para arrecadar fundos e doá-los para alguma instituição ou programa (o último evento foi o Summer Games Done Quick e o programa foi “Médicos sem Fronteiras”). A cada edição, uma nova causa é escolhida, contando com o apoio e doações dos espectadores. O valor arrecadado foi de mais de US$1,2 milhão.

Sem título

Se uma equipe completa é capaz de tal feito, há aqueles que se dedicam em espalhar o bem trabalhando sozinho, como foi o caso do famoso jogador de League of Legends Siv HD. Com disposição e perseverança, Siv foi capaz de arrecadar mais de US$100 mil após 13 horas ininterruptas de Stream. Todo o valor foi doado para o combate da fome infantil.

Embora existam pessoas que utilizem tais meios para melhorar a qualidade de vida de alguns indivíduos, o que aconteceria se eles fossem utilizados em prol da saúde de seus usuários? Para reforçar a ideia, informações como “jogos de ação ajudam na cura de Ambliopia, também conhecida como ‘olho preguiçoso'”; “em uma hora, alguns jogos conseguem fazer o que um tapa olho faz em 400 horas” e “Empresas como IBM, Cisco e Cold Stone Creamery utilizam alguma forma de jogo com objetivos de treinamento”, podem ser encontradas nesse infográfico que conta com mais exemplos e todas as devidas fontes.

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Mesmo no Brasil, a crescente onda desse mercado se mostra firme e o país já conta com cursos superiores e outros relacionados que são dedicados ao game design. Não fosse o bastante, até mesmo escolas já utilizaram video-games como forma de ensino auxiliar, com títulos como SimCityMinecraft e até mesmo blogs especializados nesse assunto. A gamificação da educação é um tema a ser debatido entre os pedagogos, mas que já vem se tornando parte da realidade.

Já passou da hora dos jogos serem levados a sério no quesito beneficiário da formação de caráter dos jogadores, e não o contrário. Embora a ignorância prevaleça principalmente pela falta de informação, cada vez mais mais esse tipo de entretenimento e seus benefícios vêm crescendo. Só resta agora que tudo de bom por trás disso tenha tanta visibilidade quanto os problemas que supostamente – ou erroneamente alegados – são causados por jogos.

About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.