Jogos incompletos

MGSV

O advento do conteúdo extra disponível para download abriu um imenso leque de possibilidades para os desenvolvedores e estúdios, não apenas para criar novas oportunidades de negócio como para abrir caminhos para melhorar os jogos. Se por um lado, as empresas utilizaram as DLCs de modo a ganhar mais dinheiro, por outro são poucos os games que de fato se beneficiaram disso.

Um dos poucos e óbvios exemplos de trabalho bem feito nesse sentido é o de The Witcher III: Wild Hunt. A CD Projekt Red continuou trabalhando após o lançamento e forneceu nada menos que 16 peças de conteúdo extra gratuitamente. Agora, vem alimentando a base de fãs com DLCs pagas, mas com várias horas de duração, maior até que muitos jogos por aí – cof, cof, The Order 1886.

Grande parte dos games lançados atualmente acaba precisando de conteúdo para download não de maneira complementar, mas para tapar buracos. O tempo de desenvolvimento de alguns jogos vem sendo encurtado e as equipes não estão conseguindo entregar os títulos completos.

Recentemente, a Ubisoft anunciou que não haverá um novo Assassin’s Creed da série principal em 2016, o que é um alívio para os fãs. A série estava sofrendo com o desgaste após lançamentos anuais desde 2009. O fiasco de Unity foi a gota d’água para que a empresa revesse a política de sua franquia mais importante. Outro jogo da Ubi que foi lançado praticamente incompleto foi Watch Dogs, que terá uma sequência em 2017.

Um game que surpreendeu por ser praticamente incompleto foi Metal Gear Solid V: The Phantom Pain. Quem já jogou os outros títulos da série sabe do esmero com o qual Hideo Kojima tratava de cada lançamento, mas ele foi demitido da Konami no meio do desenvolvimento. Um jogo que tinha tudo para ser Game of the Year acabou tendo um final frustrante e claramente feito às pressas.

Por que esse tipo de coisa continua a acontecer hoje, quando tantos lançamentos bons estão por aí e os desenvolvedores têm acesso a tantos recursos para criar os jogos? Grande parte da culpa é das empresas que não dão liberdade criativa, tempo e independência para os estúdios, muitas vezes por pura ganância. Quem sai perdendo com isso são os jogadores, que só descobrem que compraram um jogo incompleto após horas de diversão.