A expansão da Square Enix aos PCs e os JRPGs hoje

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Desde a remota época do Super Nintendo, a casa dos RPGs japoneses sempre foi os consoles. Foram neles, SNES, PS1 e PS2 principalmente, que séries como Final Fantasy, Dragon Quest, Suikoden e Shin Megami Tensei cresceram, se fortaleceram e dominaram o mundo, quebrando a pequena barreira entre sua terra natal e o resto do globo.

Mesmo com FFXV e Persona 5 saindo exclusivamente para consoles num futuro próximo, não dá para dizer que nada mudou desde os anos 90. A partir de 2002, com os servidores de Final Fantasy XI abertos tanto para usuários de PS2 quanto para de PC, a Square foi preparando terreno para sua chegada na plataforma, mas foi em 2013 e 2014 que aconteceu a grande investida, com sete Final Fantasy populando a biblioteca do Steam, incluindo o de número XIII e o recém-relançado XIV.

Essa expansão, apesar de importante para aumentar sua influência a uma parcela enorme de jogadores, levanta uma questão: como estão os JRPG hoje? Qual o seu espaço quando Call of Duties, Assassin’s Creeds e League of Legends’ são tão dominantes?

JRPGs sempre foram sinônimo de dedicação (e no caso do PS1, de excelentes vídeos de abertura). São horas e horas nos controles percorrendo mapas, conseguindo níveis e avançando no enredo até finalmente alcançar o final, uma tarefa árdua e trabalhosa. O recordista mundial de Final Fantasy IX, por exemplo, detém um tempo de pouco mais de nove horas!

Numa época em que o multiplayer apenas engatinhava, essa imersão era uma das experiências mais completas que existiam, e isso era só relevado com a quantidade mais baixa de jogos lançados e adquiridos. Quando a interação entre jogadores cresce e os modos online surgem, o foco na campanha solo para de receber tanto destaque – ainda costuma ser o carro chefe, mas não fica tão à frente.

Os MMORPGs iniciaram essa ligação entre a vertente oriental e o multiplayer e capturaram os determinados a passar dias grindando e realizando quests, enquanto outros tipos de jogos cooperativos e/ou online foram pegando cada um uma fatia de bolo. Os frenéticos migraram para The Duel, os estrategistas para Warcraft, os habilidosos ao DotA, e apesar de todos os gêneros contribuírem para o crescimento destes novos, o golpe pesa mais nos que requisitam maior esforço e dedicação como RPGs.

Alguma mudança precisava acontecer depois da queda de popularidade, e adaptar e expandir foram os caminhos tomados. Desde FFXII a Square tenta dar novos ares ao combate, e spin-offs e outras séries também tentam diversificar, como o combate em duas telas de The Worlds Ends With You, o sistema de classe e níveis de Bravely Default e o  macrogerenciamento de Final Fantasy XII: Revenant Wings.

Além da inovação, esses três possuem mais uma característica: todos são exclusivos para portáteis. Antes do PC, que está recebendo amor só agora, os portáteis viraram foco para RPGs, e qual lugar melhor que eles? A possibilidade de jogar em qualquer lugar e a qualquer momento, de estar sempre no bolso do usuário para quando ele quiser subir uns níveis, cai como uma luva para esse estilo de game. Não é a toa que TWEWY, Chrono Trigger, os seis primeiros FF e até Dragon Quest VIII estão disponíveis na Play Store, sem contar as bibliotecas do DS e do PSP.

Agora com o desenvolvimento para PC na jogada, quem sabe se os RPGs japoneses não conseguem voltar um pouco à glória? Os lançamentos de agora podem ainda estar fechados para consoles, mas já deram a possibilidade do próximo Kingdom Hearts ter lançamento simultâneo no Windows. Seria um ótimo começo.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.