Moacyr, escrevendo certo por monitores cardíacos

Ele pode não ser o deus cristão, mas Moacyr Alves, agora coordenador do Conselho de Jogos Eletrônicos do governo, é considerado por muitos brasileiros o senhor dos joguinhos eletrônicos no país. Ao mesmo tempo, uma legião de pessoas considera-o um demônio que apareceu só para fazer uma grana colocando de fundo a tentativa de diminuir os impostos por aqui. Posso dizer que fico entre os dois grupos.

Já se passaram muitos anos do surgimento do Jogo Justo, os resultados não chegaram como o esperado, mas vemos algumas mudanças no mercado. Muitas produtoras começaram a investir no Brasil, os jogos de 3DS já chegaram mais baratos e temos o caso da Ubisoft ter seu catálogo praticamente inteiro abaixo dos 150 reais.

O único problema é que essas mudanças nunca vêm com o selo de Moacyr estampado, estão sempre aparentemente sozinhas, e não dá para saber se têm seu dedo ou não nelas. A criação da ACIGAMES só piorou isso, agora devido a concentração de esforços para mostrar que o ramo varejista é do bem, a.k.a. o dinheiro começou a rodar entre as lojas físicas e a Associação.

É nessa parte que o senhor presidente de uma organização não governamental voltada parcialmente ao comércio é nomeado chefe do Conselho de Jogos Eletrônicos, ligada diretamente ao governo, e as coisas começam a ficar engraçadas.

Primeiro temos uma entrevista com o Lektronik, em que ele não sabe quem é o se terceiro “sócio” na comissão e nem o que eles irão fazer, mas para ninguém surtar, já afirma que eles têm contato direto com os ministérios e levará a indústria para conversar com essa turma.

Depois de um mês do vídeo tivemos uma resposta do que está acontecendo em Brasília, vinda também em forma de entrevista. Dessa vez a pergunta polêmica foi como as lojas brasileiras estão lidando com o mercado digital (comecem a assistir aos 11:30).

Após dizer que as norte-americanas como GameStop estão se adaptando a esse tipo de venda, Moacyr não poupou folego ao reclamar do Steam. As grandes críticas são que esse tipo de comércio desestimula as lojas físicas, um “mercado que está se inciando agora” no Brasil, e que a venda de jogos em servidores de lá não gera impostos e empregos ao nosso país.

Agora vamos por partes antes que tenhamos monitores e teclados destruídos por cabeçadas. Os games existem por aqui desde o início dessa forma de entretenimento e já foi muito melhor do que o “iniciante” de agora, ou ninguém lembra do jogo da Turma da Mônica e comerciais na TV?

O governo simplesmente não sabe gerir esse mercado, e acabou deixando-o monótono, mas não me diga que a UZ Games é uma pobrezinha. Assim como o exemplo usado da GameStop, nós devemos nos adaptar a essa moda, e não aboli-la.

Já a parte do imposto é tão estranha aos olhos que nos faz pensar por alguns instantes. O cara que defendia piamente a redução de impostos pega a principal fonte de alegria dos gamers, o Steam, e tenta colocar taxa em cima dele.

Como enquadrar uma loja que vende jogos para download em um servidor de fora? Esse não seria o caso de nós sermos ilegais, e não a Valve? Pagamos IOF ao governo pela transação ser em dólares, isso já não é o suficiente? Advogados e manjadores da lei, se pronunciem.

O estado norte-americano da Califórnia, por exemplo, cobra uma taxa especial para lojas virtuais. Caso o Brasil tenha algo do tipo, a implicação de Moacyr está mais do que correta, mas não creio que estejamos tão avançados em mídias digitais assim.

Vale sempre a pena recordar o fato de que a distribuição digital representa um risco à física, por ser mais confortável ao usuário e mais barata, e que a ACIGAMES responde por uma boa quantidade de varejistas do Brasil. Acho que eu ouvi um “troca de favores” em algum lugar.

Terminamos agora com um resumo, só para esclarecer bem o que foi retirado de tudo isso. O trabalho de Moacyr não deve ser desconsiderado, mesmo que não apresente resultados claros. Sobre a reclamação contra o Steam, ele pode ou não estar certo ao demandar que a Valve pague taxas ao governo brasileiro, mas ter chegado aonde chegou por defender a redução de taxas é bem curioso, e colocar os seus parceiros lojistas na história quebrou qualquer argumentação.

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Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão (@luigilol).

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  • luigiol

    Pra quem não entendeu a piada do título, a expressão é "___ escreve certo por linhas tortas", e isso é um monitor cardiaco: http://bit.ly/ICIHLX

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  • Magaiver

    Moacyr é o nosso Cardoso, nem liguem.

    Aliás, legal a URL do lnk desse post =3

  • xucrute

    Se realmente ele esta sendo manipulado pelo poder dos varejistas que estão aplicando a grana eu fico muito chateado, pois realmente perde toda o poder da causa, ele se "vendeu"

    O modelo de negocios do STEAM no brasil funciona bem porque mesmo pagando IOF ainda temos a possibilidade de comprar lançamentos a preço e velocidade jamais vistas

    só que esculachar o Steam é uma burrice pois por causa dele é que hoje existem serviços como o NUUVEM e o XOGO brasileiro e que devem pagar seus impostos, então é melhor ele ver o que vai falar e propor, pois uma ação errada e ele pode colocar esses serviços que estão começando agora e estão dando certo por agua a baixo e prejudicar a industria que ele tanto "ajuda"

    • Infelizmente deve-se ser visto todos os lados nesse caso, até o dos lojistas.

      E não, Nuuvem e Xogo não devem ser vistos como substitutos ao Steam. Assim como essas lojas tem jogos que o Steam não tem, vice-versa é a mesma coisa. Muitos interpretaram mal o que o Moacyr quis dizer e o consideram como inimigo do Steam e seus consumidores brasileiros. Isso é errado. Espero que o Moacyr consiga se explicar direito rapidamente em um artigo.

      • luigiol

        Samuel, entendo o que você quer dizer, mas ele foi extremamente infeliz em dizer que as plataformas de distribuição digital são uma ameaça aos varejistas. As lojas devem se adaptar, usando de exemplo a própria GameStop, já que a concorrência pode e deve acontecer.

        Logo, a regulamentação do Steam aqui deve ocorrer somente para fazer o mercado fluir mais e colocar uma pressão nas lojas físicas, e não para "salvá-las". Essa pressão com certeza ia fazer com que essas lojas fossem ao governo mais rapidamente para pedir diminuição de impostos, para não ficarem para trás na briga.

        Sobre o IOF, eu quis dizer pagar para o governo mesmo, não pro steam.

  • Não pagamos impostos para lojas virtuais mas sim o IOF, que é o imposto que taxa qualquer compra internacional. A única coisa que o Moacyr quer é trazer o Steam pro Brasil, regulamentá-lo (se possível com um imposto independente e menor que o IOF) enquanto viabiliza o Steam para o mercado de games brasileiro, tanto para produtores nacionais quanto para nós consumidores. Até hoje o Steam só estava aberto para quem tinha cartão internacional…

    Eu realmente gostaria que as pessoas não tomassem conclusões secundárias.

    • leonippon

      E não precisa ser mto inteligente para perceber que essa "regulamentação" só beneficiaria os varejistas, pois um SteamBR seria afetado pelo lucro… ops, pelo custo-brasil e os preços seria parecidos com os de games em box, o que só serviria para desencorajar a compra online.

      Algo assim ainda prejudicaria uma grande gama de gamers que já compram regularmente com cartão internacional que sinceramente é a opção mais viável, já que hoje em dia é absolutamente simples obter um cartão internacional pra alguém que tem renda e custeia seus jogos e um pc gamer, já os gaming kiddies só jogam em console mesmo..

    • PayPal é aceito como pagamento na steam e não precisa de cartão internacional não! É não é de hoje, atualize suas fontes, meu chapa, antes de tomar conclusões secundárias : )
      Palavra de quem comprou na steam sem cartão inter por anos!