O lançamento do NES nos EUA: a Nintendo e as third parties

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Em 2015, o lançamento do Nintendo Entertainment System completa 30 anos, e esse fato mudou para sempre a história dos videogames e quiçá dos aparelhos eletrônicos. Enquanto o Family Computer, ou Famicom para os mais chegados, já brilhava na terra do Sol nascente, no ocidente a situação era bem distinta.

O modelo de negócios que deu certo desde o Magnavox Odyssey já dava sinais claros de estagnação. As mentes por trás dos jogos não recebiam o merecido e os trabalhadores começaram a ficar insatisfeitos. Após a derrocada da Atari, os desenvolvedores ocidentais se organizaram em estúdios third party e passaram a produzir de maneira independente os próprios títulos, sem lucro para as fabricantes de consoles. Em resumo, a indústria colapsou sobre si mesma.

Empresas como a Activision e a Eletronic Arts foram fundadas nessa época, mas grande parte dos estúdios não tinha um compromisso tão grande com a qualidade e o resultado para o consumidor era de muitos games ruins nas prateleiras e um futuro nebuloso pela frente. Pelo menos até que a Nintendo decidisse entrar no mercado americano com tudo.

No entanto, um fator decisivo para o sucesso dessa empreitada foi a política de controle de qualidade da empresa, que obrigava os jogos a serem licenciados antes de poderem ser lançados para o NES. Com isso, a Nintendo evitou o prejuízo com os third parties e garantiu um conteúdo de qualidade para os jogadores.

Na época, foi importante, mas essa medida foi a semente do que se tornaria um grande problema da empresa: a relação com os estúdios third party. Com games próprios de altíssimo nível e franquias extremamente bem sucedidas, a Nintendo construiu sua estrada de tijolos sobre títulos como Mario, Zelda, Pokémon e Star Fox. As restrições para o lançamento de jogos de terceiros possibilitou a revitalização da indústria de games no ocidente e, com isso, o florescimento de novos estúdios e fabricantes de consoles ao redor do mundo.

Hoje o cenário é outro e exatamente esse comportamento fez com que a Big N se isolasse no mercado para produzir seus produtos com um público muito nichado em mente. 30 anos depois de dar um Max Revive aos consoles de mesa, será que a Nintendo conseguirá fazer isso com seu próprio console?