Nintendo “abandona” casuais, mas segue no caminho errado

"OMG! It's the future!"
“OMG! It’s the future!”

Recentemente, o lendário Shigeru Miyamoto anunciou que não pretende mais criar games para um público que reage de maneira passiva aos estímulos dos jogos. A mente por trás de Mario e Zelda, mas também força propulsora de Wii Sports disse que essas pessoas têm uma atitude patética. Foi uma mudança drástica na forma de pensar, mas será que essa transformação não é fruto das novas necessidades?

O Wii vendeu mais de 100 milhões de unidades em uma época sem smartphones e plataformas abertas. Com o surgimento e a popularização do Android e iOS e suas lojas de aplicativos repletas de jogos casuais gratuitos, o público que consumia esse tipo de produto passou a migrar para os celulares, até pela questão de custo-benefício. Os consoles voltaram a ser terra exclusiva de gamers hardcore e a Nintendo não compreendeu isso a tempo, o que explica o lançamento do falho Wii U.

Agora Miyamoto tenta consertar os erros com essa declaração. Resta saber quais rumos a Big N irá tomar para retomar sua base de fãs e criar novamente um público fiel que jogue seus títulos hardcore. No entanto, essa mudança de ideologia pode estar acontecendo tardiamente, pois a nova tendência da indústria de games parece ser a introdução de mídias sociais nos sistemas.

A Sony está planejando o desenvolvimento de jogos sociais para o Project Morpheus, seu protótipo do óculos de realidade virtual. Sem falar nas funções cada vez mais integradas com as redes nos consoles do PS4 e XOne. A Nintendo pode estar indo para o caminho errado novamente.

Não que ir para o mercado hardcore seja errado, mas isso é o que devia ter sido feito no lançamento do Wii U, em 2012. A casa do bigodudo deveria ficar mais atenta a esse tipo de movimentação, pois é bem capaz que, mesmo indo na direção certa, ela ainda esteja atrás das concorrentes por falta de projetos para integrar seus jogos a um mundo cada vez mais social.

O curioso é que a estratégia do 3DS foi brilhantemente orquestrada, e ele tem um caráter social bastante presente com o StreetPass e o SpotPass, mesmo que esses softwares ainda deixem a desejar em alguns quesitos. Enquanto o portátil segue de vento em popa com mais de 44 milhões de unidades vendidas, o console da gigante de Kyoto mantém um desempenho sofrível, com míseros 7 milhões vendidos em dois anos.