No mês em que Killer7 completa 10 anos, relembre as loucuras de Suda 51

suda 51

Os jogos produzidos por Goichi Suda são do tipo “ame ou odeie”. Tido como o Quentim Tarantino dos videogames, o diretor japonês se sobressai por suas abordagens peculiares, incisivas, bem humoradas e, acima de tudo, bizarramente malucas. No mês em que o clássico Killer7 completa 10 anos, relembre algumas das loucuras provenientes da mente de Suda 51.

O mito

O apelido Suda 51 virou praticamente um codinome e vem do fato de os números 5 e 1, em japonês, serem “go” e “ichi”, respectivamente, formando seu primeiro nome.

Suda começou a carreira trabalhando como designer em alguns jogos de luta livre dos anos 90, mas começou a produzir conteúdo mais autêntico em 1999, após fundar a Grasshopper Manufacturer, seu estúdio, que começou com 3 funcionários e hoje conta com mais de 80.

Os primeiros jogos

The Silver Case foi o game de estreia da Grasshopper, lançado para o Playstation. Esse foi o ponto de partida para as ideias do diretor. O game conta a história de uma série de assassinatos, primeiro sob o ponto de vista da investigação, depois mostrando a divulgação dos casos na imprensa.

Outro sucesso moderado de Suda veio em 2001 com Flower, Sun and Rain, que traz uma história confusa sobre loopings temporais e conta com personagens remanescentes do primeiro jogo da empresa.

Invadindo o ocidente

O primeiro game de Suda 51 a cruzar os oceanos e ser lançado nas Américas e Europa foi Killer7, lançado em julho de 2005. Um shooter sangrento, com alternância entre primeira e terceira pessoas, levando a cabo o estilo “blood and gore” do diretor, com uma história relacionada a dois semi-deuses que batalham entre si através dos séculos e acabam se envolvendo em uma disputa política entre EUA e Japão.

Uma das entidades é capaz de alterar sua personalidade para 7 assassinos diferentes, e daí vem o nome do game. O visual se tornaria uma característica dos títulos de Suda, com gráficos cell shaded coloridos e contraste exagerado entre luz e sombras, quase sem efeitos de degradê.

O céu é o limite

Após o sucesso de Killer7, a Grasshopper lançou uma versão de Flower, Sun and Rain para Nintendo DS e continuou a fazer jogos no ocidente. Em 2007, Suda surpreendeu a indústria com No More Heroes, então exclusivo do Wii. Até hoje um dos melhores títulos do console branco da Big N, o jogo narra a história de Travis Touchdown, um nerd que adquire uma espécie de sabre de luz na internet e, sem dinheiro para comprar videogames, aceita o trabalho de executar um assassino.

Após cumprir o serviço, ele descobre que se tornou o número 11 no ranking de uma associação mundial de assassinos e decide tornar-se o primeiro lugar. O game traz um mundo aberto com vários easter eggs, referências e minigames, além de muito sangue, como de praxe, e um visual que se assemelha ao de Killer7. No More Heroes ganhou uma continuação, NMH: Desperate Struggle, em 2010.

Sua princesa está em outro castelo

A primeira incursão da mente maluca de Suda 51 no PS3 e Xbox 360 se deu apenas em 2011, com Shadows of the Damned, um jogo de tiro em terceira pessoa que conta a história de Garcia Hotspur, um caçador de demônios que tem sua namorada Paula sequestrada – alguém notou uma referência aqui? – e precisa ir até o covil do lorde dos demônios para recuperá-la.

Apesar de ser um shooter, Shadows of the Damned não se foca apenas nos tiroteios, pois o jogador deve combater os inimigos apenas na luz, algo que lembra Alan Wake, e que obriga a encontrar estratégias, indo além das mecânicas da maioria dos games de tiro.

Mais bizarrices

No ano seguinte, Suda 51 lançou outro game para PS3 e X360, e conseguiu fazer o que poucos tiveram a capacidade nos últimos anos: um jogo com zumbis que foge dos clichês. Lollipop Chainsaw te coloca na pele de Juliet Starling, uma líder de torcida que enfrenta um apocalipse zumbi munida de uma serra elétrica. Quando seu namorado Nick Carlyle é infectado, ela rapidamente decepa sua cabeça e a pendura na cintura, carregando-a consigo para encontrar um jeito de curá-lo.

O mais recente lançamento de peso da Grasshopper foi Killer Is Dead, de 2014, que mescla a narrativa de Killer7 com a ação desenfreada de No More Heroes, contando a história de Mondo Zappa, um assassino de aluguel que se vê assombrado pelas pessoas que ele matou, lembrando delas em suas memórias de infância. O game foi lançado para PC, Playstation 3 e Xbox 360.

O futuro

Os últimos dez anos provaram que não há limites para as excentricidades de Suda 51, e só o futuro poderá nos dizer o que o diretor mais bizarro dos games ainda vai tirar da cartola. Seu próximo game será Let It Die, primeira experiência na nova geração, exclusivo de PS4, mas ainda sem data de lançamento. Enquanto não colocamos as mãos nessa nova pérola, há muito o que se jogar de Goichi Suda, o Tarantino dos games!