Novo 3DS é uma estratégia antiga da Nintendo

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Recentemente a Big N revelou o novo modelo do 3DS, que viria com mais botões nos ombros, melhor processamento e um segundo analógico, além de algumas outras melhorias de design e novas funcionalidades em relação ao tradicional. Graças a esses novos atributos, jogos que requerem mais do hardware como o port de Xenoblade Chronicles serão lançados exclusivamente para ele.

Muitos donos do portátil – incluindo este que vos escreve – ficaram indignados com a ação da Nintendo, que privou milhões de gamers de jogar o port de Xenoblade. No entanto, essa estratégia não é nenhuma novidade por parte da empresa de Kyoto.

Muita gente não se lembra, mas todos os portáteis da Nintendo tiveram uma linha de reedições. O primeiro Game Boy foi lançado em 1989 e teve vários novos modelos. Em 1996, o Game Boy Pocket, dois anos depois o Game Boy Light – que é bem desconhecido e só teve 5 mil unidades vendidas – e o Game Boy Color, que apresentou cores aos portáteis.

Em 2001, a Big N lançou o Game Boy Advanced, que, apesar do n0me, era outro console, e não apenas um novo modelo do Game Boy Original. Apenas dois anos depois surgiu uma reedição, o GBA SP, que dobrava e tinha um design mais moderno. Em 2005, no final da geração, foi lançado o Game Boy Micro, que foi um grande fiasco, afinal não era muito atraente comprar um portátil limitado depois que o DS já estava disponível.

Por falar nele, o pequeno notável de duas telas saiu em 2004 e teve uma reedição em 2006, o DS Lite. Após o auge do portátil, o DSi foi lançado, oferecendo recursos extras que poderiam render jogos exclusivos para ele, como a câmera, em uma situação bem parecida com o que estamos vendo agora com o New 3DS.

Para entendermos melhor, vamos analisar alguns dados de vendas. O Game Boy Advance teve mais de 35 milhões de unidades vendidas e o SP, mais de 45 milhões. Foi uma boa tática, afinal ele foi lançado pouco tempo após o original e era apenas um modelo diferente, sem promessa de jogos exclusivos. O Micro vendeu apenas pouco mais de 2 milhões, e não foi bem sucedido.

O DS original teve cerca de 20 milhões de unidades vendidas, e o Lite ultrapassou a inacreditável marca de 90 milhões. Novamente, eram apenas dois modelos distintos do mesmo portátil. Já o DSi, lançado bem depois e com possibilidade de rodar exclusivos, não passou das 30 milhões de unidades, e o DSi XL teve apenas 12 milhões. Claro que não chegaram a ser grandes fracassos como o Micro, mas em comparação com o Lite, foram pouco expressivos, e a verdade é que não cumpriram a promessa de grandes títulos exclusivos que se aproveitassem de seus novos recursos.

Agora, o 3DS já tem uma base instalada de 44 milhões de usuários – entre o original e o XL – e a Nintendo lançará no ano que vem um modelo com mais capacidade de processamento e novos botões. O problema é que se os atuais donos do portátil não migrarem para o novo, ele será um tiro no pé. Mas para convencer os consumidores a trocar, a Big N teria de lançar muitos exclusivos de peso para o New 3DS, o que seria uma grande falta de respeito com os atuais donos de 3DS. É um impasse, e teremos de aguardar novos capítulos dessa história para sabermos o que acontecerá.