O Brasil dos desenvolvedores de games – parte 1

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Se no nosso país é difícil se tornar um jogador de futebol, imagine como é para ser um desenvolvedor de games! O Brasil não tem uma tradição forte na criação de jogos digitais. A inserção de nossos profissionais nessa área vem se dando bem lentamente, apesar de termos um mercado consumidor gigantesco e de sermos um dos maiores países gamers do mundo.

Existem poucos cursos especializados para esse setor ainda. Foi para o projeto de TCC de um deles que Rodrigo Wesley teve de se virar após um imprevisto e criou em pouquíssimo tempo um game para Android. “A ideia surgiu em um estalo mental, ou epifania cósmica”, descreve ele. “Eu precisava criar algo fácil e rápido, pois eu tinha um prazo bem curto para entregar tudo pronto”.

Essa pressa toda se deu pelo fato dele ter sido abandonado pelos integrantes de seu grupo. “Na verdade o projeto era um jogo de plataforma com um dinossauro, mas faltando poucos dias para entrega, os integrantes do grupo simplesmente saíram do curso, me deixando sozinho e levaram todo o projeto que havíamos trabalhado durante quase um ano”, explica Rodrigo. Ele fala de “Linha do Tempo – O Livro“, lançado em agosto para a plataforma aberta do Google.

Ele reconhece que a história do game é bem simples: “Quantas vezes você já viu isso por ai? A linda princesa raptada pelo dragão e salva pelo cavaleiro”. Mas a inspiração para o projeto que salvou seu curso foram RPGs de mesa e livro-jogos. A princípio, o título seria lançado para PC, mas Rodrigo conta que a plataforma móvel seria um diferencial. “Como eu estava usando a engine Unity 3D, aproveitei e criei essa versão para Android. Na época, eu e algumas amigas já havíamos criado um grupo independente chamado Irmandade Digital, e decidimos lançar esse como nosso primeiro jogo”.

A partir daí, a Irmandade Digital pretende continuar lançando games e crescendo. “Atualmente estamos trabalhando em quatro projetos ao mesmo tempo. Todos para plataforma Android. Um deles, planejamos lançar em outubro do ano que vem, e queremos fazer dele nosso carro chefe. Pensamos sempre em procurar as melhores tecnologias para nossos projetos, sendo que dois desses jogos, utilizam realidade aumentada, conta. 

No entanto, para crescer no mercado de games sendo um estúdio independente brasileiro, existem muitos obstáculos. “As dificuldades são várias e isso é um fato”, lamenta ele. “Muitos desenvolvedores abandonam esse segmento já logo no primeiro projeto, quando veem que ele falhou. Ou então em um determinado ponto do projeto, não possuem o conhecimento necessário para resolver um problema”, acrescenta.

“Claro que falta de investimento é outro fator importante, afinal não é fácil criar um jogo de sucesso sem dinheiro. Mas isso não pode impedir alguém de criar algo simples e que faça muito sucesso. É uma questão de saber o que fazer”, conclui ele.

Realmente existem muitos desafios para quem quer estar do outro lado da indústria de games. Vamos abordar mais desse assunto com outras entrevistas futuramente, e tentar lançar alguma luz sobre essa situação. 

  • robson

    Tenho o APP comentado no texto e realmente, para jogar pode ser muito simples, mas parabenizo o criador, pois para nós leigos que apenas baixamos os jogos, não temos ideia de como é botar uma “idéia” para rodar num PC, smartphone ou outra plataforma. Esperamos que seja o primeiro passo de exemplo e sucesso para os desenvolvedores da Irmandade Digital.

    • Não só para a Irmandade Digital, também para a Frame DEV™ cujo ambas são parceiras (criamos jogos juntos)[12 pessoas na Frame DEV™] 😉

  • Caio Cabral

    muito legal a matéria!!!
    Parabens amigão Rodrigo!
    você que não deixo eu desistir, afinal, não desisto fácil! 😀

  • Incrível matéria!
    Parabéns e obrigado pela oportunidade…