O crash de 1983 – parte 2

NES

Na semana passada, relembramos a história do crash – não o Bandicoot – de 1983, em que os consoles quase deixaram de existir por se tornarem um modelo obsoleto de negócios. Mas você, caro leitor, que olha pro lado e observa seu Xbox, Playstation ou Wii, deve estar se perguntando por que ele está aí, firme e forte. Vamos tirar a poeira do baú e ver como foi que os videogames saíram dessa cilada, Bino.

Com a derrocada da Atari, todas as fabricantes americanas de consoles também sofreram os efeitos de uma indústria desorganizada e caótica. Dessa forma, as desenvolvedoras independentes não tinham uma plataforma confiável para lançar seus produtos e também estavam ameaçadas. Em meio a esse pânico generalizado, a salvação veio do outro lado do mundo.

Fundada em 1889 – você não leu errado -, a Nintendo passou por incursões no mercado de brinquedos, cartas, motéis – você não leu errado de novo – e até utensílios domésticos, mas o grande sucesso veio com os videogames. Após o Color TV Game e o portátil Game & Watch, a Big N, que ainda não era tão “big” assim, planejou um console de baixo custo e hardware potente para os padrões da época.

O Family Computer, ou Famicom, foi lançado em 1983 no Japão, e oferecia processador de 8 bits. Com o aparelho, era possível jogar sucessos da Nintendo como Donkey Kong, arcade clássico de 1981, no conforto de casa. A estratégia foi muito bem elaborada, pois o console cruzou o oceano em direção ao quase extinto mercado norte americano e concedeu um Phoenix Down à indústria de games.

O Nintendo Entertainment System, também conhecido como NES ou Nintendinho para os íntimos, chegou à terra do Tio Sam em 1985 e reacendeu o desejo pelos consoles caseiros com jogos como Super Mario Bros., lançado no mesmo ano. Foi em 1986, no entanto, que um boom de grandes lançamentos começou e ajudou a impulsionar a Nintendo e a indústria de games como um todo.

The Legend of Zelda, Kid Icarus, Dragon Quest e Super Mario Bros.: The Lost Levels comandaram o retorno à todo vapor, e a ascensão da Sega com o Master System, que chegou aos Estados Unidos em junho de 86, contribuiu para que seu Playstation,Wii ou Xbox esteja na sua estante te observando de volta. Não sabemos se os consoles vão existir para sempre. Mas eles só estão vivos hoje por decisões que foram tomadas, e poderiam ter desaparecido também por decisões.

É interessante entender como escolhas corporativas influenciam diretamente na vida dos consumidores, e é importante acompanhar esse cenário e estar atento às mudanças que possam ocorrer. Videogames são feitos para divertir, sim. Mas estão inseridos em um contexto maior, e precisam se submeter às lógicas da indústria. Nós, gamers, temos que compreender o que acontece por trás de tudo isso.