O expoente problema de séries recicláveis

call of duty header

A geração passada de consoles tornou-se palco do nascimento e desenvolvimento de franquias que não só se mantém vivas e ativas até hoje, mas que mudaram a forma como as empresas fazem jogos e encaram o mercado. Sim, estamos falando de Assassin’s Creed e Call of Duty.

A franquia da Ubisoft conta atualmente com 9 títulos diferentes considerados canon (a história principal) e outros 13 spin-offs; já a série da Activision conta com 13 jogos divididos em 5 séries (“WW2”, “Modern Warfare”, “Black Ops”, “Ghosts” e “Advanced Warfare”). É importante lembrar que ambas as franquias já contam um próximo episódio, ambas para o final do ano.

assassins creeed middle

Se considerarmos apenas a série principal ambas as produtoras desenvolvem um novo episódio a cada 1.2 anos, ambas alcançam uma marca impressionante considerando o porte de cada título. Para as empresas, isso é sinônimo de lucro e uma forma de se manter estável. Para o jogador, no entanto,  a história é um pouco diferente. Não é surpreendente ter a sensação de estar vendo “mais do mesmo” ao se aventurar no multiplayer de Call of Duty, ou de ter a impressão de que já repetiu o mesmo salto várias e várias vezes em Assassin’s Creed. Isso é resultado de uma produção que utiliza e recicla várias vezes a mesma fórmula, com apenas algumas alterações.

Não é que visitar os cenários de épocas que retratam desde o período da Renascença até a Revolução Francesa não seja divertido, ou que os designers de cenário façam um trabalho ruim em capturar detalhes como a arquitetura, vestimentas dos mais variados personagens e a forma de andar de cada NPC. Muito pelo contrário, cada detalhe é bem trabalhado e montado de forma a imergir o jogador no passado. A questão é que o jogador parece estar preso em um loop infinito, sempre repetindo as mesmas missões, porém com personagens diferentes.

O mesmo acontece em cenários de guerra: de áreas do subúrbio americano até cidades do Oriente Médio, tudo é pensado e trabalhado até os mais ínfimos detalhes. A fidelidade da reprodução das armas chega a assustar, do momento em que o soldado recarrega sua arma até a hora em que a capsula vazia é ejetada. Mas novamente, o jogador caí em uma rotina que se resume a andar pra frente e atirar.

O sentimento que prevalece é que apenas um jogo “principal” foi feito e alterado ao longo do tempo, quase que para aproveitar o sucesso do jogo anterior. Novamente, não é que os títulos são mal feitos, ou trazem bugs que impedem o jogador de progredir (estamos de olho em você, Arkham Knight). O que falta nesses jogos é um misto de renovação de idéias e abandono de mecânicas que se tornaram saturadas nas versões anteriores, mas mantendo a identidade da série, ou apenas de um fim.