O hype tem atrapalhado os jogadores?

Ah, esse jogo...
Ah, esse jogo…

Vou confessar uma coisa: não consigo pensar em nada que não comece com “The” e termine com “Witcher 3: Wild Hunt” nos últimos dias. Meu Google Now criou um card exclusivo para notícias do game e me manda dois ou três artigos e vídeos diários com conteúdo novo sobre o próximo lançamento da CD Projekt Red. Eu já devo ter visto mais tempo de jogo de The Witcher 3 por meio de vídeos divulgados na web do que tive de tempo de jogo em Bioshock Infinite, que estou jogando atualmente. Agora meu maior medo é me decepcionar redondamente.

Com a constante expansão da indústria de games, a verba gasta com o marketing faz os lançamentos serem cada vez mais e mais grandiosos. A enxurrada de informações, especificações, boatos, spoilers e conteúdo sobre jogos que estão para ser lançados cria em torno deles uma expectativa nunca antes imaginada. Não é difícil pensar em grandes campanhas dos últimos tempos. Quem não estava com o hype nas nuvens para GTA V, Destiny, Watch Dogs, The Crew ou Titanfall?

Watch Dogs foi talvez o título que mais sofreu com esse quadro. Pensando objetivamente, o game é fantástico, tem mecânicas surpreendentemente inovadoras, uma ideia completamente original, um enredo convincente, gráficos sólidos, enfim, é um jogo excelente. O hype criado pela imprensa e alimentado pelos jogadores, entretanto, fez com que as expectativas fossem tão altas que se tornassem praticamente inalcançáveis. Aquele vídeo publicitário com a pegadinha do hacker na cidade, os trailers na E3, as promessas feitas pela Ubi, todos esses fatores acabaram contribuindo para o sentimento geral de decepção que se abateu sobre Watch Dogs.

É claro que não é apenas o marketing que tem a culpa pelo hype. E também é óbvio que os jogadores só sentem ansiedade para lançamentos que tenham algum apelo prévio e natural. Ninguém nutre expectativas exageradas por um jogo indie que até então nem conhecia. O problema é que quando esse sentimento é bombardeado em excesso a probabilidade de a realidade não corresponder ao que havia sido projetado é grande. Essa estratégia continua sendo usada pois financeiramente ela se mostra lucrativa – ninguém pede o dinheiro de volta por não ter gostado do game ou pelo framerate não ter sido o esperado.

Será que esse tipo de lançamento bombástico lotado de hype não pode, a longo prazo, desencorajar as pessoas a comprar os games até que tenham jogado e atestado a qualidade por conta própria? Produtoras, desenvolvedores e imprensa especializada estão colocando a credibilidade em risco ao vender a imagem do “grande candidato a game of the year” em todos os lançamentos.

Mas ainda espero que The Witcher 3: Wild Hunt corresponda às minhas expectativas. Torçamos.