O lado bom da pirataria nos games

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A pirataria nos games sempre foi retratada como negativa e acabou se tornando praticamente um assunto tabu e estigmatizado. Mas vamos falar sobre um lado muito positivo: os jogos que te colocam na pele de um pirata. Encha sua caneca de rum e relembre os melhores games piratas de todos os tempos!

O primeiro título a trazer essa temática foi Pirate Adventure, de 1978, e era apenas um jogo de aventura baseado em textos da série de 12 games desse gênero criada por Scott Adams, programador de Adventureland. No entanto, os anos 70 e começo dos 80 foram tomados pela temática espacial e não havia muita demanda por histórias com piratas.

Dando um salto para 1984, já temos mais lançamentos de tapa-olho e perna de pau. O platformer Booty tinha 20 telas diferentes cheias de puzzles para resolver e foi um dos primeiros jogos a vender mais de 100 mil cópias no Reino Unido. No mesmo ano, Treasure Island foi lançado como um action adventure baseado no livro “A Ilha do Tesouro”, de 1883, de Robert Louis Stevenson, que definiu muito do nosso imaginário sobre pirataria. A Capcom, que ainda engatinhava, lançou Pirate Ship Higemaru, que te colocava no papel de um marinheiro encumbido de expulsar piratas de seu navio atirando barris contra ele. O jogo tinha uma visão de cima que lembra bastante Bomberman.

Porém foi na virada dos anos 80 para os 90 que alguns games de piratas ganharam bastante destaque. Em 1987, Sid Meier, que já havia participado de vários projetos, lançou o primeiro jogo com seu nome no título. Sid Meier’s Pirates uniu o universo dos mares aos elementos de estratégia característicos do desenvolvedor com um mundo aberto expansivo a ser explorado. O game abriu caminho para uma infinidade de jogos que seguiram a fórmula de trocas comerciais, combates de navio e temática pirata, como High Seas Trader (1995), Age of Sail (1996), Corsairs: Conquest at Sea (1999), Cutthroats: Terror on the High Seas (1999), Port Royale: Gold, Power and Pirates (2002) e Tropico 2: Pirate Cove (2003), além do próprio remake de Sid Meier’s Pirates em 2004.

Em 1990, surgiu uma das séries mais amadas da Lucasfilm Games. The Secret of Monkey Island inovou no gênero de aventura point-and-click apresentando uma narrativa envolvente e bem humorada, voltada completamente para a exploração, quase sem possibilidade de o jogador morrer, além de ter sido um dos pioneiros das cutscenes. Essa tradição se manteve nos jogos seguintes, apesar de a transição para o 3D ter sido bem traumática para a franquia Monkey Island.

Outra série que se deu bem explorando o universo da pirataria foi Uncharted Waters. Não tão conhecido em terras ocidentais, o game lançado para NES e MSX e posteriormente portado para SNES, Genesis e outros consoles trazia mecânicas RPG com bastante exploração marítma. O protagonista é um descendente da família real portuguesa que completava missões para aumentar a influência de Portugal nos mares.

Em 2005, o MMO Uncharted Waters Online foi lançado na Ásia, chegando às Américas apenas em 2010. O game foi portado recentemente para PS4 no Japão e deve chegar ao Ocidente no console em breve. Outro RPG com múltiplos jogadores online a explorar esse mesmo assunto na mesma época foi Pirates of the Burning Seas, de 2008.

Ainda no início dos anos 2000, The Legend of Zelda: The Wind Waker levou a gigantesca franquia da Nintendo para os mares com grande estilo – e uma incrível paleta de cores – no Gamecube. O sucesso foi tanto que influenciou outros lançamentos de jogos de ação sobre piratas como Pirates: The Legend of the Black Kat, que trazia uma protagonista feminina, e Galleon, jogo do designer dos primeiros Tomb Raider.

Com a decadência da série Monkey Island, um novo game chamou bastante a atenção em 2007. Exclusivo do Wii, Zack & Wiki: Quest for Barbaros’ Treasure se aproveitava muito bem das até então novas funcionalidades do controle por movimento para criar uma excelente experiência de point-and-click. Já nos anos 2010, duas franquias com forte apelo medieval migraram para a era da expansão marítma e tiveram jogos sobre piratas: Risen 2: Dark Waters e Assassin’s Creed IV Black Flag.

Recentemente, a Rare anunciou na E3 um novo MMO de pirataria exclusivo para Xbox One, intitulado Sea of Thieves. O desenvolvimento ainda está em um estágio inicial, mas pelo trailer já dá para ver que o game será colorido, cartunesco e deve trazer de volta das catacumbas essa que é uma das empresas mais amadas da indústria.

Claro que uma infinidade de jogos foram deixados de lado, mas pelo menos abordamos o assunto sem falar sobre roubo de propriedade intelectual.