O legado dos Metroidvania

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O ano de 1986 foi um dos mais importantes em toda a história dos videogames, se não o mais importante. Foi nele que surgiram as franquias Zelda, Kid Icarus, Arkanoid, Castlevania, Metroid e Dragon Quest, e foi devido a dois destes que um dos principais subgêneros dos games nos agracia com excelentes jogos até hoje.

Antes de Metroid e Vampire Killer (o primeiro Castlevania), a grande maioria dos games de plataforma seguia o mesmo padrão de Super Mario Bros.: side-scroller em 2D totalmente linear, em que o objetivo é chegar no final da fase com uma boa pontuação. Metroidvania viria a ser o completo oposto do habitual, com mapas maiores e não lineares interligados entre si, nos quais o jogador escolhia seu caminho e poderia ir e vir como quisesse. Se encontrasse um impedimento para seguir caminho, era permitido voltar e tentar realizar outro trajeto, ou então recuar a um nível anterior e caçar alguma habilidade ou item que lhe permitisse prosseguir na história.

Foi com a extinção dos high scores e a introdução dos tempos e itens nos jogos de plataforma, iniciada nos Metroidvania, que se disseminou a ideia dos speedruns. Otimizar o tempo de termino da aventura se popularizou por existirem vários caminhos a se seguir e itens a pegar, tanto que as duas séries se tornaram duas das mais esperadas em eventos como a AGDQ.

A ótima recepção rendeu várias sequências para Castlevania e Metroid, que aperfeiçoaram cada vez mais o subgênero, além das dezenas de jogos inspirados nele. Link já passou por ai com Zelda 2, Mega Man ZX coloca o robô neste mundo mais livre e é esse o estilo de jogo de Tomba! para Playstation 1.

Ainda hoje o estilo é explorado em alguns jogos, seja por aqueles com visual mais retrô, como FEZ e Terraria/Starbound, ou por títulos mais maduros, como Dust: An Elysian Tail e Trine. Cada um deles traz uma característica própria para se destacar entre os demais – FEZ tem a mudança de perspectiva, Starbound os elementos de construção e Trine a troca de personagens -, mas sem se distanciar do que os tornam grandes Metroidvania.

O mais novo exemplo da vitalidade do estilo é o brasileiro Odallus – The Dark Call, em desenvolvimento hoje pela mesma produtora de Oniken, a JoyMasher. Odallus poderia muito bem ser confundido por um game de NES, com sua temática de “dark fantasy”, gráficos em 8-bits e mapas não-lineares, e deve fazer a alegria de muito jogador das antigas a partir da metade de 2014.

Enquanto Konami e Nintendo não voltam às raízes com Castlevania e Metroid, Odallus e os outros jogos aqui são muito recomendados para se divertir. Como seria bom ver um desses remakes em HD de Symphony of the Night ou Super Metroid.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.

  • Guilherme7TW

    Só o Trine que eu não concordo com a comparação com os demais títulos. Gosto tanto do 1 quanto do 2 (mais da sequência, assumo) mas ele é bem mais linear, e todas as fases tem trechos que uma vez transpostos não é possível retornar (somente se a fase for reiniciada). Então não acho que a colocação dele nesse subgênero seja bem acertada. Abraços.

  • Jezzon

    Esqueceu de citar Guacamelee, que é um dos melhores metroidvanias

    • Gilmar Dias

      Cave Story também é excelente.

  • Diogo

    Palmas. Palmas para este post.