O primeiro mestre desenvolvedor de jogos

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Qualquer fã mais aprofundado da cultura gamer consegue citar dois ou três criadores de jogos geniais da atualidade. Entre os nomes mais comuns da lista estão Shigeru Miyamoto, que fez nada menos que Mario, Zelda e Donkey Kong; Goichi Suda, a brilhante e excêntrica mente por trás de No More Heroes, Killer 7 e Shadows of the Damned; e Hideo Kojima, o lendário designer de Metal Gear Solid.

Apesar de existirem muitos gênios da indústria de games, um dos primeiros “hitmakers” foi completamente esquecido com o tempo. Há mais de 30 anos, Eugene Jarvis se consolidava como um dos mais inovadores criadores de jogos. Durante a era de ouro dos arcades, entre o final da década de 70 e o início dos anos 80, o mais importante para os desenvolvedores era fazer com que os jogadores ficassem viciados e gastassem muito em suas máquinas.

A forma mais eficiente de fazer isso era criar jogos extremamente divertidos, mas ao mesmo tempo, com um nível de dificuldade elevado para que os gamers morressem várias vezes e continuassem a torrar suas fichas. Enquanto as imitações de Space Invaders dominavam o mercado e os consoles caseiros ainda não representavam uma fatia significativa do bolo, algumas novidades pensadas por Jarvis deram o pontapé inicial para muitas mudanças na forma de se jogar.

Lançado em 1980, Defender era só mais um game espacial a princípio. Com uma análise um pouco mais detalhada, no entanto, é possível notar as inovações do título que foram fundamentais para os anos seguintes. Pela primeira vez, o conceito de side-scrolling foi introduzido em um jogo, permitindo o surgimento dos platformers que viriam a dominar o fim dos anos 1980, entre eles os clássicos eternos Mario, Mega Man e Alex Kidd. Apesar dos controles complexos para a época, Defender foi um sucesso absoluto entre os frequentadores de fliperamas.

Eugene Jarvis não parou por aí. No ano seguinte, ele lançou um sucessor espiritual de Defender chamado Stargate, mais difícil que o original e um prato cheio para os jogadores dos arcades que estavam à procura de experiências desafiadoras. Já em 1982, Eugene desenvolveria o primeiro jogo de tiro para duas pessoas, algo tão banal e básico hoje mas que foi uma inovação bombástica numa época em que a indústria de games dependia de adolescentes cheios de espinhas querendo competir entre si e gastando a maior quantidade de dinheiro possível nas máquinas.

Quase 10 anos antes de GTA chocar as multidões, Jarvis fizera NARC, um jogo que espantava pela violência gratuita já em 1988. Na pele de um policial, o jogador lutava contra o tráfico de drogas – assunto que estava muito em pauta desde aquela época. Entre suas outras obras estão colaborações em Smash TV, na série Cruis’n e alguns jogos mais recentes como Target: Terror, FPS inspirado na guerra ao terror do Tio Sam.

Eugene Jarvis, que sonhava em fazer pinballs e acabou descobrindo um dom para a programação de jogos eletrônicos, brilhou em uma era já muito distante e viu seu nome ser apagado da memória dos gamers por causa da ascensão dos consoles caseiros a partir de 1985. Apesar de não desfrutar do reconhecimento merecido por suas inovações, ele é – ou pelo menos deveria ser – lembrado eternamente por sua importância na história dos videogames.