Os altos e baixos da conferência da Microsoft na E3 2013

Xbox One Killer Instinct

E aqui estamos nós. Início de junho é tempo de? E3. O evento mais “badalado” do mundo dos games vêm sofrendo constantes críticas, tanto de jornalistas do meio quanto de consumidores, sobre o fato de ela ser uma feira realmente necessária.

Para inaugurar a temporada dos grandes eventos, temos a Microsoft. Levando chumbo por todos os lados, a empresa de Tio Bill encontra-se num momento complicado e crítico, a transição para um novo console. Semanas atrás, em um evento privado, ela deu uma palinha de como será o Xbox One.

Depois de recebida a amarga notícia de que o console deverá estar sempre online, consumidores (e haters) têm feito barulho (e piadas ) em fóruns contra a medida. E é nesse momento tênue que a Microsoft inicia a sua apresentação.

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A conferência começa com uma apresentação de Metal Gear Solid V: The Pantom Pain. Título de peso para amolecer o coração de qualquer gamer. Fórmula batida porém eficaz. Snake aparece andando a cavalo, no melhor estilo Read Dead Redemption. Sob a promessa de uma nova abordagem em stealth, o jogo mostra muitas possibilidades de movimentação, passagem realística do tempo ( o tempo no jogo corresponde ao tempo na “vida real”) , Ocelot e crianças com armas. Isso, crianças com armas, sem frescuras. Ok, isso ainda vai dar o que falar.

Passado o frenesi proporcionado por MGS V, somos anunciados a um novo modelo do Xbox 360. Menor, mais leve e silencioso do que o modelo Slim “original”, suas vendas começam hoje. Ok, essa foi a parte da conferência que me deixou mais surpreso.

Entre o anúncio de diversos jogos para Xbox 360, entre eles World of Tanks, é mostrado um trailer de Dark Souls II. O ponto alto da primeira parte dessa apresentação.

Continuação de um título de respeito, com gráficos excepcionais e jogabilidade idem. Apesar dos cenários mostrados serem fabulosos, achei o trailer interessante, porém desarticulado. Alguém me responda, por que as produtoras gostam de mostrar uma frase de impacto intercalando uma palavra a uma cena de ação? Pra forçar o protagonista a ser badass, só pode.

E a porrada continua, mas desta vez com Ryse: Son of Rome, título de ação da Crytek. Pegando o caldo de God of War, e trocando a cultura grega pela romana, a apresentação também é clássica. O general gritando com seus comandados enquanto o pau quebra no cenário atrás de vocês. Quem nunca?

Uma das minhas franquias favoritas de todos os tempos, Killer Instinct, volta com roupagem nova. Parece que Mortal Kombat 9 fez tanto sucesso no Xbox 360 que a Microsoft decidiu vendê-lo mais duas vezes. Uma com o nome de Injustice e agora com Killer Instinct. Nem ligo, continuo fã mesmo assim.

Sunset Overdrive. Clone de Jet Set Radio? Não. Zumbis com arco íris? Talvez. Left for Dead da zoeira? Com certeza.

Outro ponto alto da apresentação, Forza Motorsport 5 é apresentado junto com a chegada de uma McLaren P1 ao palco. Melhor do que o Usher na E3 2012. O apresentador tenta explicar a presença do carro no palco fazendo uma analogia da fábrica com os princípios que norteiam a equipe que faz o jogo. Algo sobre romper fronteiras e buscar sempre ir além do esperado, como o Xbox One. Balela, continua forçado.

Sério mesmo que tem uma nova versão de Minecraft?

Quantum Break me lembrou Mirror’s Edge.

D4, mais um jogo de ação ( dentre tantos que ainda estariam por vir), com cell shading bacanudo, um pouco mais acentuado do que em No More Heroes. Interessante.

Desenvolvedores indies, fiquem de olhos aberto agora. Foi apresentado um projeto bem conceitual, com o codinome de Spark. O “jogo” aborda a construção de cenários e fases, assim como a customização de personagens (sejam eles inimigos ou não).

Eu acompanhei a apresentação pelo streaming da Game Traillers. Vez ou outra eu parei pra ler o que escreviam no chat. Enquanto 95% dos comentários eram sobre como o jogo tentava ser uma cópia de LittleBigPlanet, dei a sorte de passar os olhos em um comentário sensato, aparentemente.

“Porque está todo mundo falando de LittleBigPlanet? Eu particularmente penso em um jogo como Spore, porém com uma abordagem mais natural e com foco no macro, não no micro.” Autor desconhecido no chat do GT

Eu também penso assim, e não ficaria surpreso se soubesse que Peter Molineux está metido no projeto.

Já beirava quase uma hora de conferência e os ânimos começam a se acalmar. Seja eu, que estava cansado, os outros participantes do chat, que param de comentar, ou os jornalistas presentes, que praticamente não aplaudiam nada.

Acho que foi só coincidência a apresentação ter entrado na linha do Smart Glass. Vai ver eles estavam cansados. Integração do Xbox One com o plataforma Surface Pro. Compartilhamento de dados, achievements, estatísticas. Zzz.

A tela de Killer Instinct volta a aparecer, mas dessa vez para reforçar um aplicativo, o da Twitch TV! Você poderá transmitir o que estiver jogando simplesmente dizendo “Xbox broadcast”. Também será possível conversar com quem estiver acompanhando seu canal. Bacana. Acho que essa foi uma resposta ao botão “Share” da Sony. Bacana.

A ação volta com mais um bocado de games.

O primeiro da fila é Dead Rising 3. Mostrando um gameplay longo demais para uma conferência da E3. não digo que o jogo “decepcionou”, mas se estendeu demais. Stupid zoombies everywhere.
The Witcher 3, bacaninha.

IT’S FAIL TIME!

A segunda coisa que gamers mais adoram na E3 são os momentos fails. A primeira coisa são os jogos ( Booth Babes são coisa do passado).
Durante a, primeira, tentativa de exibição do trailler de Battlefield 4, o áudio simplesmente some. Dificuldades técnicas, sempre a tiracolo. Pobre garoto.

Quando o vídeo realmente começa, nenhuma surpresa: gráficos fodas, multiplayer cooperativo e ação desenfreada. E balas, muitas balas. Novidades? Nem precisa. É só mais um shooter bem feito, a modalidade casual dos gamers “hardcore”.

O último grande momento foi um teaser do novo Halo. Mais complicado do que qualquer filme francês, não mostrou nada além de um Megazord surgindo de um deserto. E um soldado, Master Chief!

O momento mais tenso da apresentação, depois do fail de Battlefield 4, é a informação de que o Xbox One será vendido por 499 dólares. A plateia aplaude mais por educação do que entusiasmo, pareceu até ensaiado. Preço coerente com os padrões do mercado.

And it’s gone! No geral, uma boa apresentação. Apresentou games de peso, que era onde ela havia pecado na apresentação do Xbox One. Pelo menos para mim, uma coisa ficou muito clara: o foco da empresa é o consumidor norte-americano. Seja para tablets, computadores ou celulares. É e sempre foi.

Muito shooter e jogo de ação? Sim, claro. Mas a Microsoft é esperta, conhece seu gado. Sabe que é isso que o público compra e joga. É só olhar esses dados e colocar a cuca pra funcionar um pouco.

E quanto ao preço? 500 dólares é muita coisa? É. Mas as pessoas tem que colocar na cabeça que não estão comprando apenas um videogame, e sim uma verdadeira central multimídia. E bem, se você paga 2000 reais em um smartphone a cada 11 meses, seu argumento é inválido.

Revisão: Kaio Cezar Araujo Rodrigues