O que seria dos games sem Shigeru Miyamoto?

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Uma das maiores mentes criativas da historia do entretenimento chega aos 62 anos com suas atividades cada vez mais reduzidas e em processo de preparação para a aposentadoria. Por isso, o Playertwo parabeniza o grande mestre Shigeru Miyamoto e explica por que você deve lamentar o iminente fim de sua carreira. Entenda o que seria dos videogames se não fosse por ele!

Já explicamos nesse e nesse texto a história por trás do crash de 1983 e a crise que quase foi responsável pelo desmantelamento da indústria de consoles. Um dos principais nomes que salvaram a pátria na época foi o próprio Shigeru Miyamoto, na época um desconhecido. A Nintendo apostou no então jovem designer para criar um game capaz de ganhar o mercado norteamericano, e ele apresentou seu primeiro lance de genialidade: Donkey Kong, um arcade que introduziu diversas mecânicas interessantes e inovadoras. Os princípios físicos eram incrivelmente precisos e o design dos personagens era fantástico – em uma época onde nada era mais que um borrão de píxels, perceber um bigode ou o detalhe do peitoral de um gorila era magnífico. DK tinha até piadas sendo que a maioria dos games na época não tinham nem diálogos.

Como uma evolução natural, em 1985, o Nintendo Entertainment System – Nintendinho para os íntimos e Famicon para os japoneses – trouxe Super Mario Bros, que complementou as inovações do antecessor espiritual, além de acrescentar elementos novos à linguagem já bem sucedida do jogo de Jumpman.

Como se não bastasse, o já bem visto Miyamoto lançou, no ano seguinte, The Legend of Zelda. Inovando na própria forma de se narrar uma jornada, o primeiro game de uma das maiores franquias de todos os tempos viria a dar a base para tudo o que se seguiria não só no gênero de aventura, mas também serviria de pedra fundamental para o futuro dos RPGs – apesar de Zelda não ser um role playing game. Não é por acaso que Dragon Quest saiu meses após e Final Fantasy foi lançado um ano depois.

Após influenciar a formação de diversos gêneros, Miyamoto passou a ditar as diretrizes da indústria por muitos anos. Ele foi uma grande força propulsora por trás da transição dos games 2D para os 3D e guiou todo o desenvolvimento com o lançamento de Super Mario 64. Além disso, na mesma geração, ele foi responsável pela trava de mira na obra-prima Zelda Ocarina of Time, uma das inovações técnicas mais relevantes de todos os tempos, que franqueou todo o sistema de combate presente em games de ação como Assassin’s Creed, Batman: Arkham City, Shadows of Mordor, entre inúmeros outros títulos importantes da atualidade que aprimoraram sua invenção.

Suas revoluções não passaram só pelo software, mas tiveram também extrema significância nos elementos do hardware. Em 2005, inovou com o Nintendo DS. No ano seguinte, chocou a indústria com o Wii. Essas foram duas de suas últimas grandes criações, e mudaram em grande medida a forma de pensar o desenvolvimento de games. Agora os jogos não estavam atrelados apenas a um joystick convencional, e o céu era o limite. Ou melhor, nem mesmo o céu, como evidenciou Super Mario Galaxy.

Mais recentemente, Miyamoto vem deixando de influenciar tão ativamente as decisões criativas e já afirmou estar preparando a Nintendo para o dia em que ele não esteja mais lá. Suas últimas ideias talvez tenham tido resultados um pouco questionáveis, mas é inegável a extensa contribuição do mestre Miya para toda a história dos games. Muitas de suas iniciativas foram seguidas por vários outros desenvolvedores e mesmo de forma imperceptível acabaram tendo grande peso sobre jogos muito diferentes. Mesmo que você nem goste dos games dele, tem de admitir que muito do que veio depois bebeu na fonte de suas inovações.

Parabéns, Shigeru Miyamoto, e obrigado!