O retrô de amanhã

gta online

Neste mês de março, temos falado sobre o tema “neo-retrô”, como todos os leitores já devem ter notado. Mas e se invertermos um pouco a ideia de novos jogos antigos e pensarmos sobre jogos antigos antes mesmo deles serem novos? Vou explicar. Os games retrô que nós conhecemos hoje um dia já foram novidades e, especialmente os mais clássicos, trouxeram alguma inovação ou tiveram influência na indústria. O impacto deles fez com que se tornassem importantes e fossem lembrados por anos. E os jogos atuais, será que vão envelhecer tão bem?

É importante lembrar que a indústria de games é relativamente recente, levando-se em conta que o cinema tem mais de cem anos, por exemplo. Nos primórdios, as novas tecnologias ainda eram incomuns e os produtores precisavam descobrir a linguagem ideal para desenvolver jogos. Muitas tentativas e erros foram necessários para que as fórmulas de sucesso dos games fossem criadas. Especialmente entre os anos 70 e 80, a experimentação se deu em grande escala, pois cada arcade era um jogo diferente com comandos e mecânicas próprios.

Quando um certo nível de padronização foi atingido, alguns gêneros foram definidos e o público se fidelizou aos modelos resultantes desse progresso, criando as bases ideais para que as empresas pudessem lançar consoles caseiros. Dessa forma, os videogames foram introduzidos nos lares das pessoas e passaram a seguir certas regras, afinal os desenvolvedores tinham que se adequar aos padrões de controle das máquinas.

Exatamente por causa de todas essas fases, os games dessas épocas são tão importantes. Nas décadas de 90 e 2000, não surgiram tantos clássicos como em anos anteriores, pois era mais lucrativo se manter em uma zona de conforto lançando sequências ou remakes de franquias consagradas.

Ainda vivemos resquícios desse processo, entretanto o advento da internet e o progresso técnico dos gráficos estão obrigando cada vez mais os desenvolvedores a se reinventar e criar novas formas de jogar. Nesse contexto surgiram estilos como o FPS, sandbox e stealth. Claro que eles derivam de games antigos, mas as novas tecnologias permitiram um grande avanço nesses gêneros, que hoje têm como expoentes alguns dos principais blockbusters da atualidade, como Call of Duty, Assassin’s Creed, GTA e FIFA.

Esse tipo de jogo tem de enfrentar alguns desafios semelhantes aos que Space Invaders, Pac-Man, Tetris e outros clássicos tiveram. Sempre que a tecnologia progride, novas barreiras têm de ser ultrapassadas para que a inovação apareça. É necessário pensar em novas linguagens. Dois exemplos bem concretos e atuais são a iminente queda da barreira entre singleplayer e multiplayer e a chegada da realidade virtual.

Com a capacidade dos novos consoles de se manter sempre conectados, os criadores de jogos precisam pensar em conceitos novos para lidar com essas questões. Uma das saídas mais bem recebidas e que deve se tornar uma tendência é que os jogadores estejam o tempo todo interagindo com outros, mesmo não estando num modo multiplayer.

Graças a aparelhos como o Oculus Rift, os desenvolvedores poderão inventar inúmeros métodos de se jogar, com muitas inovações. Essa mudança pode ser tão brusca que a maioria das pessoas não consegue nem imaginar como seria jogar em realidade virtual. Assim como antes dos primeiros arcades aparecerem, ninguém saberia como controlar um personagem digital apenas com alguns botões e alavancas. Essas linguagens e formas de atuar não surgem do nada e precisam ser pensadas pelos produtores por meio de experiências bem ou mal sucedidas.

Não há como saber se os games atuais serão lembrados por tanto tempo quanto os clássicos e se entrarão para esse hall, mas eles têm potencial para isso se explorarem as novas possibilidades que a tecnologia abre sem medo de se arriscarem, a fim de fugir do clichê e criar novas maneiras de jogar. Afinal os grandes clássicos são assim por terem buscado experiências inéditas.