Oh céus, me tornei um casual!

mobile

Nunca pensei que esse dia iria chegar. Ou será que sabia, só tentava esconder a verdade de mim mesmo?

Quando criança, minha maior diversão era assistir meus amigos jogando videogames. Viver o personagem era bacana, mas eu não era dos mais habilidosos, então era no papel de espectador que eu deixava a imaginação fluir, que eu realmente me via realizar golpes, vencer corridas e salvar princesas.

Com o tempo esse cenário foi mudando, a habilidade foi aumentando e o interesse em realmente tomar o controle apareceu. Os shooters continuaram bem distantes da minha prateleira, mas Resident Evils, Castlevanias e Final Fantasies acabaram por dominar os joysticks, além dos essenciais Super Marios e Pokémons. Nisso foi-se mais de uma década consumindo jogos, consoles de mesa e computadores potentes.

Foi então que os celulares começaram a aparecer na jogada, com títulos mais simples e propostas completamente diferentes das que eram apresentadas no consolidado mundo dos games. No início não apresentavam muita capacidade, mas mesmo com avanços gráficos e melhores ideias aparecendo nesse mercado sempre me perguntei “como uma pessoa consegue viver só com jogos de mobile?”.

Acontece que trabalhar e estudar requer demais, e quando esses dois eventos começaram a fazer parte da minha vida, o tempo para consoles praticamente zerou. É como se eles formassem um triângulo, e só duas pontas podem ser escolhidas ao mesmo tempo: trabalho, estudos ou jogos. Devo assumir que meu triângulo tenderia a pender mais para as pontas trabalho e jogos, mas tenho que me formar um dia, não é? (Não é?)

Para suprir a necessidade básica de jogar uns joguinhos, a solução foi me voltar aos mobiles. Mesmo com um 3DS e vários jogos na estante, o celular é um item que está sempre junto e eu estava aberto a novas experiências. Só havia um pré-requisito: nada de endless runners ou Candy Crush.

framed

Após três meses navegando pela Play Store, os resultados foram muito mais positivos que o esperado. O mercado tem uma enorme quantidade de apps fracos, sim, mas ele também abriga uma boa quantidade de jogos divertidíssimos, gratuitos ou não, tanto na home quanto no fundo do fundo do baú. A Square Enix tem uma coleção enorme de Final Fantasy clássicos disponível para compra, junto com o gratuito FF Record Keeper, um RPG clássico com personagens de diversas versões diferentes e criado pela futura desenvolvedora dos jogos da Nintendo para mobile, a DeNa (que deve ganhar um post no blog em breve). É a definição de fan-service. A Level 5 também merece destaque, com um jogo de investigação excelente protagonizado pelo filho do Professor Layton, e mais um ou dois títulos enfileirados para entrar na Play Store japonesa.

As produtoras exclusivas de mobile também possuem um bom catálogo, e o que mais me conquistou foi de longe Summoner’s War, da Com2uS. Um RPG sacana, bem com cara de Pokémon, mas que, devido a alguns elementos de disputa entre players e um grind não muito pesado, se torna perfeito para sacrificar algumas horas do dia. Framed, por outro lado, é um puzzle game brilhante de estilo Noir, onde é preciso encontrar a ordem certa dos quadrinhos de uma história para o misterioso personagem conseguir fugir da polícia com uma maleta tão misteriosa quanto.

A flexibilidade que os devs tem no mobile, por ter um desenvolvimento e uma implementação mais simples e barata que as grandes produtoras, se reflete não só na diversidade dos games quanto no modo de rentabilizá-los e difundi-los. Seja por meio de bônus exclusivos ao assistir um anúncio, ou ganhando moedas especiais por baixar um jogo parceiro, sempre há um jeito lúdico dos lados trocarem favores.

Simultaneamente, essa flexibilidade é grande inimiga, pois torna o mercado extremamente volátil para quem cria: jogos novos são lançados todos os dias e outros mais antigos podem ser revividos repentinamente, fazendo com que uma massa de pessoas migre de um lado para o outro ao ver um conceito mais interessante. Final Fantasy Record Keeper foi o meu primeiro vício, e quando estava chegando no ponto de querer gastar dinheiro com ele, Summoner’s War surgiu em minha frente com uma premissa parecida, só que bem mais sólida. A transição completa do primeiro pro segundo durou duas semanas, não sobrando resquício de Cloud, Lightning e Terra em minha memória (do celular).

É por ser amigável com desenvolvedores e jogadores que os games de celular estão se tornando o que são hoje. São jogos que não precisam de horas na frente da tela para recompensar quem dá os comandos, e que podem ser feitos com o mínimo de recursos, sem grandes investimentos ou centenas de pessoas. E agora que a faculdade está oferecendo um módulo de Jogos Digitais e outro de Desenvolvimento voltado a Mobile, quem sabe não dê para ingressar nessa e completar o triângulo de uma vez só?

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão (@luigilol).