Por que 1985 foi tão importante para os games?

Little Computer People (1985)
Little Computer People (1985)

Na época talvez não tenha sido tão óbvio, mas 30 anos depois, é fácil notar que 1985 foi um ano cabalístico para a indústria de videogames. Não só foi quando saiu o jogo que mudaria tudo para sempre, Super Mario Bros., mas também foi um período de transição que consolidou gêneros que se tornariam as pedras fundamentais de toda a biblioteca de jogos que um console precisa ter.

Nós já falamos sobre a vinda do Nintendo Entertainment System para os Estados Unidos da América nesse texto. Com a invasão nipônica na terra do Tio Sam, concretizada em 1985, a indústria de games ganhou sobrevida no Ocidente e o modelo de negócios foi alterado para beneficiar as fornecedoras de consoles, com o licenciamento de conteúdo, e também os consumidores, que tinham acesso a jogos com um controle de qualidade mais rígido.

Com o Nintendinho, veio à luz Super Mario Bros., o jogo que fundou as bases de grande parte dos lançamentos posteriores, por mais que não tenham relação ou influência direta com o estilo do bigodudo. Mas falar de Mario é chover no molhado de um tema já inundado demais. 1985 foi importante por muitos outros motivos além desses.

Esse ano sabático foi responsável por dois lançamentos essenciais que, se não criaram gêneros do nada, foram indispensáveis para consolidar o embrião do que viria a ser os jogos de futebol e de simulação de vida. Little Computer People foi uma espécie de pioneiro de The Sims, mas com um toque de tamagotchi, o famoso bichinho virtual.

Lançado em 1985, o game apresentava uma simplicidade agonizante para alguns, mas genial para os que compravam a ideia. Tudo consistia em um corte transversal de uma casa onde morava um homem e seu cachorro. O jogador nada podia fazer para controlar as ações do personagem, limitando-se a prover a residência com comida suficiente e, no máximo, enviar cartas pedindo que ele realize alguma ação, como tocar piano. O mais interessante é que cada exemplar do jogo criava um personagem diferente, fazendo de cada experiência singular. É necessário frisar, no entanto, que muita gente odiou esse game, apesar de sua inegável importância.

Já Tehkan World Cup trouxe muitas mecânicas que ajudaram a desenvolver os games futebolísticos. É importante ressaltar que essa não foi a primeira incursão do esporte bretão no mundo dos videogames, mas foi uma das mais importantes instalações do gênero por trazer perspectiva do alto, possibilitando localizar a bola com muito mais facilidade, diferente dos jogos anteriores que tinham visão lateral. O controle por trackball, aliados à câmera nova, conferiam uma dinâmica muito mais rápida e próxima da realidade do futebol, além do modo multiplayer que estimulava a competição como em poucos jogos da época.

Para fechar, 1985 também teve o lançamento de Gradius, que não foi o primeiro e nem seria o último jogo de tiro espacial, mas trazia gráficos muito mais bem definidos e inovações importantíssimas como a barra de seleção de armas e a possibilidade de escolher qual power-up utilizar em cada momento, trazendo um elemento estratégico que se mantém até hoje em jogos de tiro como Battlefield e Call of Duty, em que optar por uma ou outra habilidade ou arma pode mudar tudo.

De 1985 para cá muita coisa mudou e novos fatores e tecnologias entraram na indústria de games e passaram a influenciar seu desenvolvimento. No entanto, muito do que jogamos hoje em dia se deve a novos mecanismos que vêm de 30 anos atrás, e continuam impactando, direta ou indiretamente, nossas vidas como jogadores até 2015.