Por que as grandes produtoras estão enfrentando tantos problemas?

bioshock

Nos últimos anos, vários grandes estúdios de desenvolvimento de games fecharam as portas e outros vêm passando por sérias dificuldades. O caso mais recente foi o da Irrational Games, empresa por trás de Bioshock Infinite, um dos melhores jogos de 2013. Apesar de bem sucedido, o estúdio de Ken Levine acabou no começo deste ano.

Outras produtoras que passaram por situações parecidas recentemente foram a THQ, que foi à falência em 2012, e a LucasArts, que encerrou suas atividades no ano passado, para a infelicidade dos inúmeros fãs de George Lucas. Mesmo empresas grandes e teoricamente mais estáveis como a Nintendo sofrem com as dificuldades financeiras atualmente. Por que esse cenário está ficando cada vez mais comum?

Ainda não existem respostas conclusivas para essa questão, mas um fato que pode ter influência nessa situação é a insustentabilidade do modo de produção e comercialização de games atual. Os custos para se desenvolver jogos na indústria mainstream estão cada vez maiores por conta de tecnologias empregadas na produção, mas nem sempre os lucros obtidos são condizentes com o que é investido.

Um estúdio independente gasta muito menos do que as grandes empresas e obtém em troca uma recompensa que cobre todos os custos de desenvolvimento e permitem o crescimento desse mercado. Os incentivos para os games indies nas plataformas atuais também têm ajudado esse modelo de negócios a se firmar. Não que as duas formas não possam conviver em harmonia, mas há um claro contraste entre o progresso delas.

Como o retorno financeiro é incerto para as produtoras, os estúdios tendem a criar games cada vez mais previsíveis e comerciais, alinhando o jogo ao que o público mais consome. No entanto, os melhores títulos não são aqueles que os gamers querem jogar, mas sim os que as pessoas só descobrem que querem jogar depois. Nenhum grande clássico nasce com uma fórmula de sucesso pré-estabelecida.

Essa forma de criar, entretanto, torna os títulos menos atrativos com o tempo, pois, apesar de tudo, o consumidor quer novidades. Logo, o lucro não é o esperado e o ciclo recomeça. É um problema estrutural. As grandes empresas precisam rever os conceitos de concepção de franquias se querem reverter o processo que está em curso.