Como ficam Nintendo, Sony e Microsoft após a E3 2013

E3fim

Depois de passar anos e anos assistindo eventos um pouco apagados, finalmente tivemos uma E3 como as de antigamente, com empresas entrando empolgadas no palco para mostrar jogos e mais jogos, e não show de rappers ou batalhas de laser tag. Os grandes responsáveis pelo sucesso da E3 2013 são os recém-anunciados Xbox One e Playstation 4, os consoles que irão liderar a próxima geração e que se apresentavam pela primeira vez no Los Angeles Convention Center.

Quem deu início a série de conferências na segunda passada (10) foi a Microsoft, com a intenção bem clara de apresentar os principais jogos do ano de lançamento do One após se concentrar em tudo menos games na apresentação do console em abril. Fomos bombardeados por games durante os 90 minutos de apresentação, com destaque ao shooter com mechas Titanfall, Dead Rising 3, o bullet hell Crimson Dragon, a volta de Killer Instinct ao mundo e Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, mas descobrir que ele custará 499 dólares/499 euros/429 libras/ 2200 reais desceu meio difícil pela garganta. Cada detalhe da conferência pode ser visto nesse link.

O bloqueio de jogos usados, a necessidade de verificar o console na internet pelo menos uma vez por dia e a obrigatoriedade do Kinect estar conectado para o console funcionar só foram confirmadas no evento, e deixaram os jogadores preocupados. Don Mattrick, o chefe da área de entretenimento da MS, ainda fez uma declaração simpaticíssima falando que quem não tiver satisfeito com o One e suas restrições que compre um Xbox 360.

A Sony já não foi tão interessante na sua apresentação (que resumimos aqui), passando por jogos que ela já tinha mostrado no anúncio do PS4 e fazendo aquele discurso chato de “assista netflix por aqui!”. Descobrimos que a PSN vai passar a funcionar como a Live, em que só se poderá jogar online quem tiver PSN+, nada muito preocupante já que a mensalidade custa só 5 dólares e disponibiliza descontos e jogos gratuitos para os assinantes – uma estratégia que a MS pretende assumir na Live Gold no final do ano -.

Sem GTA V, God of War, Crash ou Last Guardian, quem dominou o palco foram as third parties. A Supergiant Games, de Bastion, mostrou um trailer de Transistor, a Square Enix reviveu Final Fantasy Versus XIII, agora com nome de Final Fantasy XV, e revelou Kingdom Hearts 3, e a Bungie mostrou o sensacional Destiny para fechar. O que marcou mesmo a conferência e toda a E3 foi o presidente da SCEA Jack Tretton entrar no palco para dizer que a Sony não vai bloquear jogos usados, não obrigará validação do console periodicamente e que a troca de jogos está liberada, além do preço mais camarada de 400 dólares.

Algo que muitos não notaram ou não ficaram sabendo depois é que o preço não incluio o Playstation Eye, a tentativa de Kinect da empresa, e que a Sony não implementará os impedimentos, mas nada impede que outras produtoras obriguem algo do tipo em seus jogos. Considerando que a EA desistiu do modelo de Season Pass com um discurso furado de que “isso não valeu a imagem negativa que trouxe para a empresa”, dou quase como certeza de que ela entra no time dos bloqueadores no PS4. Viajando um pouco mais, talvez a falta de controle que eles teriam sobre seus jogos no Wii U pode ter sido o motivo da Electronic Arts não cobrir mais o console, mas isso é assunto pra outro post.

Bom, falando da Nintendo, ela teve uma atuação bem diferente nessa edição da E3: ao invés da típica conferência, ela optou por fazer um Nintendo Direct especial para a ocasião. No vídeo, Satoru Iwata mostrou um novo Mario World, o esperado Mario Kart de Wii U, Donkey Kong Country Tropical Freeze e enfim Super Smash Bros., que contará com a participação do Citizen de Animal Crossing e Mega Man! Foi bem legal ver a Big N investindo tempo para mostrar os jogos indies que vão chegar no console, e os vídeos de Bayonetta 2, Zelda Wind Waker e X, uma novidade na franquia Xenoblade, fizeram os nintendistas saírem com os olhos brilhando.

Com o fim do Direct ficou bem claro o motivo dela optar por isso no lugar de uma conferência gigantesca. Não tivemos revelação de novos IPs de third parties, um Zelda de verdade para o Wii U ficou para próxima e a redução de preço do console ainda não deu sinal de vida, além da pouca atenção que o 3DS recebeu (foram só Smash Bros. e Shin Megami Tensei IV basicamente), então era muito mais fácil fazer algo pequeno que se mostrase eficiente do que uma apresentação do porte de Microsoft e Sony sem nada para apresentar.

E então, como ficam Nintendo, Sony e Microsoft após a E3 2013? Se olharmos só para os jogos, quem parece ter a melhor base de jogos, tanto os indies quanto os AAA, é o Xbox One. Nos Estados Unidos e provavelmente na Europa, onde seu potencial como “centro de entretenimento” pode ser maximizado, ele deve também deve ser incrível nesse fator e ficar bem completo.

A imposição das várias restrições para o One e seus jogos funcionarem, no entanto, devem pesar muito na hora de escolher o console, assim como o pé atrás de em seis meses ou um ano aquele exclusivo sensacional do videogame aparecer no PC com um preço melhor e configurações mais potentes. É ai que o PS4 entra como a grande força para combater o Xbox One com exclusivos que precisam ser anunciados e aplicativos de entretenimento parecidos, mesmo sem a possibilidade de ver TV nele.

Enquanto os dois disputam o topo do mercado, uma briga que deve ficar cada vez melhor conforme se aproxima o mês de novembro, o Wii U observa de longe, na sua, como se estivesse numa ilha. A Nintendo tenta relutar contra a necessidade de abaixar o preço do console para ele começar a vender, e aposta nos jogos anunciados no Direct para se reerguer e parar de perder apoio de publishers, como aconteceu semana passada com a Ubisoft. Ter que depender do 3DS para receber um pouco de dinheiro é complicado, então é bom que até o natal vejamos muito mais títulos importantes de seu console de mesa nas lojas.

Na minha visão, a Nintendo está numa posição em que ninguém vê o Wii U como único console, e sim como o segundo. Cansado de jogar God of War e afins? Vamos para o bom e velho Nintendo, diga-se de passagem o mais barato dos aparelhos, curtir um multiplayer de Smash Brothers e Mario Kart com a galera.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão (@luigilol).