Renovação e surpresas marcam a primeira etapa do CBLoL

cbloko

Em vésperas da grande final do Circuito Brasileiro de League of Legends, nada melhor que um breve retrospecto de tudo que vimos no decorrer desse torneio. De atuações decepcionantes até partidas impecáveis, de novos talentos a jogadores consagrados, de grandes estratégias a jogadas de efeito, a primeira etapa do CBLoL justificou toda a expectativa que jogadores, espectadores e a própria Riot tinham sobre sua realização.

A primeira semana já mostrou, logo de cara, como seria o campeonato, com um estúdio moderníssimo, que conta com aparatos utilizados na televisão brasileira, tudo digno de uma super produção a níveis internacionais.

Grandes partidas foram disputadas na primeira semana, iniciando logo com um embate entre duas das powerhouses brasileiras: Pain Gaming vs Keyd Stars, duas equipes conceituadas porém com recentes alterações em seus planteis. Com a chegada dos coreanos Emperor e DayDream, a Keyd Stars tinha pela frente o desafio de bater a nova (e velha) equipe de seu atirador brTT, que formava a nova dupla da rota inferior com o também recém chegado suporte francês Dioud.

A primeira semana também contou com duelos entre Kabum Black e Jayob,  a nova CNB e Dexterity, fechando com o duelo entre o novo plantel da Kabum Orange, que contava com jogadores que foram ao Mundial da Temporada 2014, e INTZ, a equipe que apresentava um crescente desenvolvimento e atraía os olhares dos fãs e especialistas por seu jeito de jogar, simplicidade e simpatia.

keydintz

Essa fórmula de bons jogos, grandes jogadas e brilhantes estratégias, aliada a uma transmissão de qualidade perdurou durante todo o Circuito e foi a comprovação de que todo investimento e esforço colocados deram resultado.

Essa etapa também foi decisiva para mostrar a queda de “antigos gigantes” e o surgimento de novos titãs. Com atuações abaixo do esperado de jogadores consagrados, foi a vez dos novos rostos do cenário brilharem e conseguirem seu lugar ao Sol. Nomes como Matsukaze e Skybart, ambos da recente Kabum Black, se destacaram em suas respectivas posições levando seu time, apesar de uma punição de 4 pontos devido às mudanças de plantel, ao quarto lugar do Circuito.

Nem tudo foram flores para os novatos do CBLoL, alguns com atuações nem tão boas e outros com problemas fora do jogo, esses jogadores acabaram não contribuindo com um bom rendimento para suas equipes e acabaram substituídos por outros jogadores que, na maioria das vezes responderam à altura e se destacaram. Foi o caso de huez0rd, novo suporte da Jayob, que fez ótimas aparições nas últimas semanas do Circuito após substituir Riyev, jogador que havia sido banido do competitivo por prática de elojob.

Avaliando o Circuito de maneira geral, tudo parece ter acontecido do jeito que o público pedia: grandes jogos, surpresas e alta qualidade. Os times se mostraram bem preparados e superaram as expectativas impostas pelos espectadores e próprios jogadores. Nesse final de semana, às 12hrs do dia 18, em Florianópolis, teremos a grande final do Circuito que será disputada entre as duas equipes que dominaram o cenário e se mantiveram no top da tabela durante toda a extensão do torneio. Podendo ser consideradas as duas melhores equipes do cenário, Keyd e INTZ vão se enfrentar em uma melhor de 5 que definirá o Grande Campeão da primeira etapa do CBLoL e vai carimbar o passaporte da equipe vencedora para a Turquia. No International Wildcard será definido o time que irá representar as regiões “menores” no MidSeason Invitational, evento que ocorrerá, nos dias 7 a 10 de Maio na Florida, EUA.

Tive a oportunidade de conversar com o analista Gustavo “gstv1” Cima sobre as expectativas  que ele tem para a próxima etapa do Circuito, sobre os times brasileiros em relação às equipes internacionais e sobre um pouquinho da função que ele exerce na transmissão do CBLoL.

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Bernardo Pereira:  Como é sua preparação para analisar as partidas do CBLoL e LCS?

Gustavo “gstv1” Cima:  Apesar de grande parte do trabalho ser durante o jogo, é sempre importante a preparação anterior, ficar atento às notas de atualização, saber as possibilidades de escolha que vão e vem; além de claro, conhecer os jogadores de cada equipe, a forma de cada um jogar, leque de campeões. Tudo é importante para a análise, tudo conta, a gente acaba tendo muito mais informações do que passamos durante as transmissões, passamos o principal, o que for mais pertinente.

BP:  Como foi a transição da posição de jogador para um posto voltado ao aprofundamento da teoria do jogo e suas táticas?

gstv1:  Não foi muito complicada. O jogador profissional tem que estudar tanto o jogo quanto o caster, talvez até mais, a diferença é a capacidade de transmitir isso, verbalizar as coisas, dizer de uma forma que o público entenda, poder passar uma informação de uma forma que o jogador de qualquer elo entenda. Eu não vejo a função do analista se vincular a um profundo estudo do jogo, eu não tenho que inventar novos metas ou prever as escolhas de campeões e composições que serão feitas a cada atualização, minha função é entendê-las quando propostas pelos jogadores profissionais, quer dizer, eu não tenho que prever o aparecimento do Nautilus como suporte, mas tenho que saber explicar quais as qualidades do Nautilus, pareando com as particularidades da atualização, o fizeram aparecer na função.

BP:  É perceptível a evolução das equipes brasileiras ao longo desse CBLoL. Na sua visão, o que falta para os times brasileiros chegarem ao mesmo patamar, ou bem próximo, das grandes equipes gringas?

gstv1:  Apesar de ter uma série de fatores, acho que tudo gira em torno de falta de experiência em torneios internacionais. É algo que só o amadurecimento do nosso cenário vai trazer, talvez em um ano ou dois, seguindo o molde que já temos das grandes equipes se enfrentando semanalmente, em eventos presenciais, e claro, com as expansões devidas, aí talvez a gente tenha mais expressão. Não é simples bater de frente com os grandes cenários.

BP:  O que esperar da segunda etapa do CBLoL, principalmente por causa da volta de jogadores que estavam banidos e das constantes mudanças de line-up que nosso cenário sofre.

gstv1:  Espero que as equipes estejam mais centradas. Essa primeira etapa ainda sofre muito com essas rotações por conta de não valer o caminho pro mundial e o início em janeiro ainda traz atualizações com muita mudança, com ajustes grandes de pré-temporada, sendo que grandes alterações de meta ainda aconteceram nesse último mês de março. Já a segunda etapa tende a ter menos alterações de meta e as equipes entram com tudo pra tentar chegar ao mundial, deixa cada confronto mais interessante. Não sei qual será o impacto da volta desses jogadores, ainda vai depender dos times que serão formados e dos promocionais.

Quer mais gstv1? Ele é nosso convidado no Kills/Deaths-Análises da próxima segunda-feira, dia 20, onde falará sobre tudo que aconteceu na grande final do CBLoL entre INTZ e KeydStars, com a qualidade que só ele consegue. Não perca, é as 21h no Twitch.tv/PlayerTwoBR!