Retrocompatibilidade pra quem?

uncharted

Presente nos consoles da geração passada e aguardada para essa geração, a retrocompatibilidade não deu as caras afinal de contas. No início de 2014, tanto Sony quanto Microsoft sinalizaram a possibilidade de incluir a reprodução de games do PS3 no PS4 e Xbox 360 no Xbox One, mas, mais de um ano depois, esse recurso parece mais distante do que nunca, ao mesmo tempo em que mais e mais coletâneas, remasterizações e versões especiais de games vêm à baila.

A capacidade de rodar títulos de videogames anteriores é muito importante para que, no lançamento, um aparelho já tenha, além de suas apostas iniciais, uma biblioteca já estabelecida, mesmo que formada por jogos antigos. É muito improvável que a maioria dos jogadores já tenham se aventurado por todos os games que gostariam de jogar de gerações passadas, ainda mais com a extensão da biblioteca acumulada por Sony, Microsoft e Nintendo ao longo dos anos.

Como Playstation 4 e Xbox One chegaram sem oferecer essa função, ambos os lançamentos foram marcados por uma certa escassez de conteúdo original, parcamente suprida pelos games relançados para as novas gerações quase sem nenhuma mudança ou adição. Além de não gerar incentivo para adquirir os consoles recentes, essa ausência pode fomentar a compra de um videogame anterior, já que agora seus jogos estão disponíveis por preços mais tentadores e em abundância.

No entanto, as produtoras conseguiram uma forma mais lucrativa de explorar o sentimento nostálgico suscitado pelos jogos antigos, e não oferecer retrocompatibilidade nos consoles foi um fator que colaborou para esse plano. Dessa forma, as empresas passaram a bombardear o PS4 e Xbox One com relançamentos, remakes, remasterizações e meros ports.

Essa tendência já evidente continua se reproduzindo com o relançamento de God of War III, a edição especial de Devil May Cry 4 e as coletâneas de Uncharted e Mega Man que estão para serem lançadas. Retrocompatibilidade é bom para os jogadores, mas não para os bolsos das produtoras.